Na rua de Diolira eu vi um boi amuado
cansado do caminho, prostrou-se no chão.
Era um boi fatigado de sua vida de boi!
lida de gado marcado, tocado... tangido!
- Levanta boi! Vamuu sua desgraça!! EiêêêÊ boi!
Gritava Pedrito ao pé do ouvido do boi!!
... Só o povo não se fatiga de sua vida de gado,
Pensei, ao ver aquele boi cansado do caminho.
Só o povo não se toca, nem mais berra!
Apenas rumina, a rotina velada de todos os dias
E segue sua vida marcada, infeliz!
E o boi nem aí pra agonia do vaqueiro
Pedrito de Pedro Guarda.
O vaqueiro se vale do bom cavalo
que atento, se mentem de pé. O vaqueiro apeia, tira a tapa do boi e berra ao seu ouvido:
- Levanta boi! Vamu sua destraça!
Êta porra! gritava Pedrito, o Boi! !
O Boi amuado, deitado no meio da rua...
sem tapa, sem espora e sem ferrão
um vaqueiro nú se vale dos próprios dentes ...
e crava a dentadura na orelha do boi...
e o boi nem tchum!!!
Não era assim o Boi de Tapa
que em pavorosa corria doido pelas ruas testando postes e porta...
... Não era assim o povo!
em sua vida banal, com a tapa do boi
sem fazer a hora acontecer.
- “Ei ei ô ô, vida de gado,
ô ô povo marcado ô povo feliz!”.
Na rua de Diolira eu ví o boi amuado
cansado, infeliz!
Nem um mugido, sem gemido
Só o vaqueiro, o cavalo, o boi...
E o povo de longe velando
a nação destrocada...
A manada calada seguindo o aboio.
O povo pato, do pato amarelo
O Boi, o boi! Nós, manada de manobra, Calado rumo ao matadouro...
Eu ví um boi amuado na rua de Diolira Eu ví uma nação amordaçada na avenida Brasil.
Cansado, infeliz! a nação destrocada... A manada ... o Boi!!!
O povo, pato do pato amarelo O povo, êta porra o Boi!