Correntina Arte & Cultura
Casa da Cultura Iozinho Costa
Textos

À LAURENTINO NEVES VIEIRA

Louro de Manim

“Muito pelo contral”

 

Para os correntinenses Ele é o Pavão misterioso

que um dia pousou em nosso terreiro e por aqui ficou

trazendo alegrias para este querido torrão.

 

Louro é um amigo autentico, um patriota nato

cujo coração veste as cores da nossa bandeira.

Ele é a alma viva da cidade, um vendedor de ilusões!

Encantador de almas tristes, uma pessoa de paz.

 

Não é de voar muito alto...

do oeste baiano para o Planalto é sua rotina.

É comum vê-lo voando livre como vento

e vai e vem, trazendo boas novas de lá e de cá pra lá!.

 

Ele sempre sabe a hora de ir e a hora de voltar

Não sabe ficar muito tempo por lá

nem por aqui se acomoda.

É de lá pra cá e de cá pra lá e vai e vem!

pois o Goiás também é um pedaço do seu coração.

 

Contamina a cidade com tanta alegria

transparecendo na face mil formas de risos

mas se preciso dá bicadas certeiras

quando arreliam seu dia

O mau humor extravasa que vasa!

E Louro não dá o pé nem o riso

quer ficar mesmo a sós.!

 

Louro não tolera gracejos sem hora, núteis

sua tolerância é tão zero que ele 'azua!"

e fala o que lhe vem á lingua...

se dói ou se acalanta … sabe quem ouve, sabe Deus!

 

Ele é surpreendentemente

espontâneo e criativo.

Amigo em qualquer situação!

Quando é de dizer sim ou não

diz na lata., sem embuchar!

E’ bico reto, direto

acanhamento só com Deus !

Pelo vidão que Ele lhe deu...

 

Não é de indiretas nem mexericos; 

é uma figura singular e impoluta

Símbolo  na cultura correntinense.

 

É uma personalidade astronômica

e retumbante, vulcânica 

É estrambolico e tectônico

pujante como um trovão

Ao lado de Reinaldo Bocão, nossa!

Não tem pra ninguém...

Arrancam gargalhada de cegos

e de mudos gargalhadas e apausos pelo que não vê mas sente!

 

O mundo pagaria caro,

pra conhecer nosso Louro !

Laurentino Neves Vieira

de origem simples e fervorosa,

gente de tradição e fartura

raízes da prole do Cerco!

Lugar de cana caiana, rapadura e cachaça

Ali, vizinha as Sete ilhas.

                              Os Paruaras

Louro continua sendo tudo que era

mesmo com seus cabelos

brancos raros e ralos;

mesmo com o peso dos anos

sobre os ombros caídos

Sua alegria é jovem e a aparência

não pareça tão gasta!

Sua alma é alva, seu vigor é pujante!

 

E Louro dribla um... dois... entra na área

chuta de “trivela” ou de bicuda!...

E faz o gol do século, um belo goooll contrauuu!

desempata a partida

Local 2 x Visitantes 1

e entra pra historia

seu memorável “golaço contra*” .

Louro saiu de campo nos braços da torcida

Que nunca mais esqueceu

aquele abraço de gol!

 

Louro é um grande cicerone

garboso diplomata

Todo visitante deseja conhecê-lo.

 

Alimenta-se de coalhada de leito cru!

Jerimum, cascudo e pequi

da fatura da manga no roçado do Cerco

é simplesmente Louro de Manim

Irmão de Catarina, Vera, Zé e Teresa!

 

Ele é a alegria da cidade o lírio do vale,

É fruto bruto do cerrado

sincero e autêntico que dói!

 

Entre os tantos Louros Ele é o único

Patrimônio cultural de Correntina,

Nem Louro de Lino ou Louro de Assis

Nem Louro da Caçamba ou Louro de Ursina

Nem Louro de Benigno ou Louro Cabeludo

Nem Louro de Dona Sinhá é tão Louro

qual Louro de Manim. ele é único!

 

É Louro é da Casa de Louro

o museu do Louvre de nossas quinqualarias

Tudo alí tem uma historia a se contar.

 

Louro não se diz de direita

mas esquerdista com Ele não se cria.

É avesso a política, mas não foge da raia 1

 

Notável e singular figura

Impoluta, estrambólica, retumbante e varonil

Louro é uma pessoa inequívoca e vulcânica!

figura platônica e atômica, explosiva!

um astro cósmico, uma placa tectônica.

Uma explosão estrelar ...

 

- Louro Câmara Ação... Chamber Man!

-

 

Eita Correntina que gosta tanto desse Louro

Falante e prosador desde a Era de menino!..

com a tabulero de pão na cabeça... sol a piso

Ei o pão de sal e de doce... Ei o pão de Seo Petronio!

 

Alguém já o viu Louro “azuado” chorando mágoas?

De mãos nos “quartos ou na espinhela”

Gemendo na janela ou chorando leite derramado?

Não! Claro que Não!

 

Louro chora calado no seu quarto secreto

enquanto a vida segue sua lida

sem negar um sorriso a ninguém.

A rua é seu palco a vida sua arte!

No vai e vem da cidade... na rotina do dia...

Louro é 10 é 100 Louro é "zeeem!" .

 

Não passa um dia sequer

sem assistir as psicodélicas criaturas

alguns insistem chamá-lo de louco!

mas de Louro e de louco, todos temos um pouco.

Amável e quase adorada criatura é Louro

Letrado pela Universidade da vida.

 

“Discute arquitetura com Júlio Doido,

Química com Toe Besta, Nutrição com Cebola,

Coreografia com Nezo, Psiquiatria com Zaú,

Assistência Social com Raimunda Raposa,

Pediatria com Maricota, direito com Gregório doido

Oratória com Joana do Padre

Ecologia com Cornélio…" (Alorof)

 

Louro e a patota no ranchão

 

Louro é uma figura impoluta, retumbante!

resistente a banalidade da Era,

coração varonil, retumbante de verde e amarelo!

"Estrambólico e prosopópeico”!

 

Louro o embaixador da cavalhada

O Momo na festa de carnaval

A pomba na festa do Divino

A coroa na festa do Rosário

O Paruara “mor” na festa de Reis!

Na procissão o andor que carrega o santo!.

 

Incomparável e doce criatura é Louro.

Diz as meninas, Ele é cremoso

que nem tijolo de leite com requeijão.

 

Freguês cativo no Mercado Municipal

Amigo de Seo Zé de Aurora,

Aldegundes e Dona Milú.

Presença certa na banca de Dona Mariquinha

Uma praga pra devorar peta e bolo de puba

- Eita maroto feliz!

Se veste ao rigor do dia

paletó e gravata borboleta

na festa dos Paruaras.

Ama o estilo marmota e passa horas infindas

no Bar do Nego Tóta

onde tudo acontece sem nada mudar!

 

Amgios de Louro: Henrique Ítalo Neto Fenelon e Javan

Lá, no bar do Tóta tem patota sem patroaaa!

Tem água ardente e cerveja gelada

Tem o surdo de Neto de Cordeiro

Tem o violão e as piadas de Canô

E a clássica viola de Vavá

Lá só não tem fiado sem fiador.

 

“Lá tem aquela mesa

Onde Canô sentava sempre

Vivia contente, seguro do manhã

E cantava contente

E sorria feliz da vida ...

 

Hoje resta uma mesa no canto

uma cadeira vazia um violão mudo

e uma goteira de saudade que pinga

pinga... pinga...

Embebedando a saudade que chora

a ausência de “Pedrão”, Veríssimo, Moca

Tonho de Rafael, Canô, Valmir…

 

Até o grande Categoria sumiu de lá

E nunca mais o ouvimos cantar “Avôhai”

como Dois animais... !

 

O Bar de Tóta era um chão de estrelas

poetas, cantores, plateia

Muitas estórias pairam no ar

Amareladas como fotos nas paredes

Imagens que não podem ser esquecidas

Saudade guardada no coração.

 

Os vivos se acomodam no pequeno espaço

dentro e pela calçada do Bar

Falam dos mortos que escutam calados...

mas ninguém quer ser o morto da vez!

 

Era lá que o poeta Tonho acalantava o cotovelo

e o calcanhar feridos por seus amores!

Era lá que Canô sentado no trono

comandava o show...

 

“E agora Louro”  A festa acabou!

A luz apagou, o povo sumiu.

A noite esfriou e agora Louro

E tudo morreu... e tudo mofou! ”

 

O Bar do Tóta hoje é maretão sem maretas

É um circo sem palhaços

Serve saudade em mesas vazias!

Mas ainda tem freguesia todo dia..

 

Tem vereador, tem doutores, até gari

só não tem prefeito.

Tem Edgar Brotim, empresário

Javan de Iôzim e Marcelo Coimbra

Vavá de Lourdinha

E Neto de Cordeiro na percussão bamba!

Lá não cabe tristeza na vida daquela gente..

E Louro perambula a pé cada rua da cidade

Louro não quis um auto, ele móvel.

Move-se de porta em porta,

grita “qui nem” uma zabelê

 

Chama um pelo nome, outro pelo apelido

E os mais íntimos chama de xibungo

sem ninguém com ele “azoretar!”.

 

Louro poderia ser nosso Prefeito

Seria perfeito! - o que? grita Ele de lá

“Eu não sou cachorro nem besta!.”

De político Louro anda cheio e avesso

o partido de Louro é Correntina!

se insistir no assunto Louro esparrama

e se esparrama ninguém segura,

É preciso muita calma nesta hora...

 

O palanque de Louro é Casa de Louro

Onde todos têm direitos iguais

Sem ideologias absurdas ou sem militância.

No Bar do Tóta não tem pauta política

E quando o assunto destoa do tom ...

a graça perde a graça e Louro azeda de vez!

Oo Nego Tóta bravo espirra esporos

- Que porra é essa? que porra é Essa?

Vocês vieram aqui pra beber ou pra brigar?

- Briga é depois da calçada!

- Assunta... isso? Diz em apoio Vavá.

 

Na porta da casa de Louro ele solta foguetes

Feito menino levado liga a difusora

Toca orquestras e dobrados...

É Louro rememorando o passado ao entardecer!

 

Fanacos & Louro

Na quaresma, Louro é o juiz que julga o Judá

No carnaval Louro é maior que o Momo

a qualquer hora de qualquer dia

Ele é o humorista das anedotas de salão!

Louro dos Neves É Vieira

Louro da TV É Anhanguera

Louro de tudo É de todos,

Louro que não É de ninguém!

Senão dele mesmo !

 

- Que dia você vai embora LOURO?

Indaga um desavisado a passar…

Assunta isso!,

Eu sou daqui e sou de lá do Goiás

“- Vou no dia que Eu quiser Seo xibungo!

você não manda ni mim."

Este é Louro, amargo que nem jiló

O outro é Laurentino, doce como rapa de rapadura!

Melado de cana caiana!

 

Eu ficaria tão triste e Correntina tão só

se um dia Louro voasse pra longe daqui...

Eterno Ele não É e um dia...

Um dia chega nossa hora de Louro também.

 

Enquanto Louro não vai

Louro fica na casa de Louro

na boca do povo e no coração da cidade

nas festas folclóricas

na boca da difusora, na folia de reis...

Louro ficara gravado neste retrato manuscrito

que eu Toinho de Iôzinho desenhei.

Correntina BA 12/2020

FanacoS

GALERIA do LOURO

 

e Gil Bahia assegura! O Louro É uma figura!

Flamarion Costa
Enviado por Flamarion Costa em 22/02/2026
Alterado em 23/02/2026
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