UMA HISTÓRIA DE AMOR.
* Lauro Joaquim & Enoe Matos
A eterna 1a. dama correntinense desde a década de 50 é natural da cidade de Barreiras – BA, onde nasceu no ano de 1916 e lá residiu até concluir o curso ginasial, no colégio interno Patronato.
Outras finas e elegantes damas tiveram o seu destaque, pela atuação junto à sociedade; Rodezina Moreira Guerra, esposa do grande Pedro Guerra, foi muito atuante nos serviços sociais deixando sua marca na capela de São Lázaro; Ana de Araújo Guerra, filha de Major Félix e esposa do prefeito Teófilo Guerra que junto a Enoe se dedicaram as causas da saúde e assistência às classes menos favorecidas.
Eram quatro as filhas do modesto sapateiro Seo João Alberto de Mattos, sendo Dina, Ada, Zila e a caçula Enoe Mattos, que nunca lhe passou pela cabeça que seu destino se selaria na vizinha cidade de Correntina, onde viveu uma grade e perfeita história de amor. Saiu de Barreiras para Aracajú onde ficou pouco mais de dois anos e se transferiu para cidade de Salvador, onde já residiam Dina e Ada. Zila Matos Crisóstomo, já casada com o missionário evangélico CeRes Crisóstomo foi a única que permaneceu em Barreiras, onde nasceram os filhos Zidia e Juvenal e anos mais tarde a família se mudaria para Correntina, por uma forte razão que veremos adiante,
Em salvador as irmãs Dina Ada e Enoe eram uma da outra o ponto de equilíbrio, e lá estabelecidas. Ada e Dina serviram de apoio segurança para Enoe iniciar sua trajetória de vida, em tempos difíceis para uma mulher sozinha, em um mundo machista e preconceituoso.
Outras belas histórias de amor são conhecidas na cidade entre essas, os casais Rubens Rocha e Profa Ena Pereira de Porto Novo; Helvécio Rocha e a Profa delegada escolar Maria da Cruz de Santa Maria da Vitória; que ao assistir uma peça teatral em Correntina, se emociona com a cena onde o mocinho. Helvécio, o ator, salva a donzela de um incêndio e por fim a. Profa Iraci Cardoso, de Corrrntina ao se enamorar do escrivão ou tabelião Evandro Filarde de Santana dos Brejos e em segredo viverem sua história até o momento certo se ser revelada aos pais e serem por eles abençoados.
Foi assim, de tanto vê exemplos de belas histórias de amor que eu acabei contaminado e me tornando um ser romântico, apaixonado a viver três capítulos de minhas histórias e na terceira acertei a pé na forma, tiver o coração da míngua ao conhecer minha bela encantada, Jane Tuller.
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Uma vez residindo na Capital Énoe da continuidade aos estudos e cursa Escrituração Mercantil, para melhor se adequar ao mercado de trabalho, tornando-se funcionária da loja de artigos de luxo e armarinhos Dedal de Ouro. A requintada loja situava-se na luxuosa Rua Chile, local badalado pela força do comércio, que servirá de cenário para o primeiro ato desta nossa história de amor.
Lauro Joaquim, correntinense de nobre família, o influente caudilho Major Félix Joaquim de Araújo, no oeste baiano, era então estudante de medicina na Capital; naquele ano cumpria o seu estágio prático em um dos hospitais públicos de Salvador; se habilitava a receber as credenciais do Conselho Regional de Medicina - CRO para então retornar a sua cidade, doutor; quando o destino põe em seu caminho uma bela funcionária da loja Dedal de Ouro, por onde sempre passava a caminho de casa e assim é traçado o destino de dois jovens de mundos sociais bem diferenciado.
O jovem estudante era hospede residente no hotel dos estudantes situado na mesma rua, próximo ao armarinho Dedal de Ouro; por esta razão, tornara-se hábito, sua passagem frente a loja e foi dando uma paradinha, despretenciosa que algo lhe atrairá a atenção, uma bela jovem uniformizada, sorriso simpático, modos finos… não resistiu e entrou para conferir o que vira e foi acertado em cheio pelo tal anjo do amor, cupido.
Daquele dia em diante tornará um hábito, o coração pedia e ele atendia, passar frente aquela loja e de perto ou de longe, mirar aquele belo e singelo sorriso. Quando não conseguia vê-lo logo achava um motivo para entrar, vê alguns artigos, comprar alguma quinquilharia…então adentrava a loja, olhava aqui...e dali,.. por vezes comprava um carretel uma meada, sabe-se lá pra que!

Com um relato inicial da tia Enoé, vi que tinha diante de mim a oportunidade de escrever uma bela história de amor. Tomei nas mãos papel e caneta e ali no loendro do belo casarão começamos a missa conversa.
…
Era fim de tarde e a brisa levemente soprava os galhos da mangueira frente ao alpendre onde nos sentamos( agraciados pela paisagema do alto da colina, sentia a brisa frio de uma tarde que garoava, fazendo com os pássaros timidamente, buscassem abrigo para a noite que se aproximava. Tia Enoe acende outto cigarro e me pergunta o que eu quero saber, lhe digo tudo! Como a senhora conheceu o Tio Lauro.
ÉNOE: - Muita gente não crê que no amor a primeira vista, mas ele acontece, principalmente naquela tempo, quando o olhar era o início de tudo; era a forma do amor acontecer! - Fosse um olhar diferenciado entre um homem e uma mulher; um discreto sorriso ou mesmo um gesto aparente que manifestasse algum interesse... - Não havia a saliência e o pega pega de hoje em dia. Os namoros eram vigiados fosse esse na sala de casa ou na porta da rua. Ir a uma festa só se fosse acompanhado dos país ou parentes de confiança. Em todo lugar tinha um olhar vigilante, mesmo que não fosse um parente, mas alguém de confiança da familia e além desses tinham as linguarudas maldosas que podiam destruir a vida de uma moça de família, comentando por vezes o que achou que viu imagine o que via! Se uma moça caísse na nessas bocas de rua malditas era o seu fim! Eram nas festinhas que rolava; como vocês dizem, um discreto chamego. Dançar de rostinhos colado, afogar as narinas nas mechas dos cabelos… o respirar… sussurrado ao pé do ouvido... o arrepio! Os namorados se sentiam mais a vontade, mesmo que vigiados, davam seu jeitinho para driblar a vigilância.
Aquele estudante de medicina entrava na loja pelo menos três vezes na semana. Tentava disfarçar, mas já estava “manjado” que ele estava interessado por uma das funcionárias da loja. Eu e minhas colegas passamos a observa-lo mais atentas; que por Ele vezes perdia tempo na calçada a frente das vitrines, olhando roupas bijuterias; fingindo se interessar por algo… Era um olho na vitrine e outro no interior da loja, quando não via quem ele queria vê, por vezes entrava. Olhava daqui… dali… comprava uma besteirinhas qualquer e se ia!
FLA: - Como vocês descobriram quem era a pretendida?
ÉNOE: - Quando ele não via quem queria vê! Então entrava e isso ocorreu diversas vezes que eu estava em outras atividades no interior da loja e quando entrava era a mim que escolhida para atendê-lo. Comprava alguma besteira e com desculpas evasivas dizia: - Será isso mesmo que a vovó pediu?
FLA - O que a Senhora você pensava de tudo aquilo? Gostava ?
ÉNOE - Eu via a realidade estampada frente a mim! Nossos mundos eram bem diferentes. Eu via em mim a filha de um marceneiro, vinda do interior do Estado. Nunca era iludida com contos de fada. Ele por certo era filho de uma importante família de políticos ou talvez empresários, que por certo queria se divertir com uma gata borralheira. Como vocês dizem, "Eu ficava na minha”, fazia o meu trabalho, embora já estivesse gostando daquela brincadeira. Toda mulher gosta de sentir-se cortejada, Sem dúvida! Como você perguntou, foi sim amor a primeira vista da parte dele, pois quanto a mim nada de especial sentia, senão achar engraçado tudo aquilo que estava acontecendo.
FLA: - Em algum momento a Senhora deu um sorrisinho de esperança... mostrou-se simpática àquela situação?
ÉNOE: -: Eu não podia me manifestar, muito menos dar uma de “saidinha” pru lado dele. Podia perder o emprego e no mais mulheres naquela época eram bem discretas e cautelosas Tinha-se muito cuidado com os homens e não era essa "sem-vergonhice" de hoje. As mulheres eram o termometro da socidade, tinham que ter comportamento exemplar. A grande preocupação delas era encontrar um marido de verdade … (ela abre o parentese_) 'Se eu fosse homem, hoje, nem me casaria, pra quê casar? As mulheres já mostram tudo que tem que mostrar, dão tudo que tem que dá; não se valorizam e muitas nem sequer sabem como é bom ser cortejada...
FLA: - Como foi que ele se declarou?
ÉNOE: - Hhha! boa pergunta, foi um processo que ele cumpriu a risca em direção ao propósito. Foi persistente, determinado ao ponto de atrair minha atenção. Eu elas colegas de trabalho estávamos curiosas em saber em quem aquele jovem queria chegar. Ficava-mos na expectativa, ao final da tarde, quando Ele retornava do hospital ou da faculdade para vê o que aconteceria pois uma hora Ele se revelaria. As colegas corriam e chamavam por mim quando Ele parava frente a vitrine.: - Énoe! Enoe! ... Ele tá aqui! Isso tudo de forma bem discretas. não podíamos chamar a atenção de clientes nem do bravo Sr. Adalberto, o patrão.
FLA:- Então a Senhora já tinha amolecido o coração!? (A Tia puxa um trago profundo no continental sem filtro e olha de banda...)
ÉNOE: - Quem não amolece? Foi numa 6ª. feira, quando ele entrou, caminhou em minha direção e entregou-me um envelope, perfumado! Fiquei paralisada! o coração dizia algo que eu não entendia o que dizia... parecia querer sair pela boca,. Pensei comigo, será se apaixonei-me? Naquele dia ele não estava de jaleco nem com sua maletinha de médico (trajava um esporte fino, gravata, um gorro e usava uma perfume envolvente,,, O homem estava um pão! Não é assim que hoje se refere a um homem bonito!? O tempo parou na loja, olhei as meninas e elas estavam congeladas, queijos caídos,
LAURO: - olá senhorita Enoe! boa tarde! por favor leia esta carta e responda o mais breve possível e Peço que pense bem antes de responder!
ÉNOE: - Gelei do pé a cabeça. Eles sabia meu nome! se despediu e saiu rápido como chegou! Disse que passaria depois, certamente para saber da tal resposta.

Quando Ele saiu as colegas correram em minha direção e por sorte Seo Adalberto não estava na loja. Corremos para o canto onde ficava o caixa e as amigas exclamavam: - sentiu o perfume dele? Outra chamava atenção para sua elegância dizendo estar irreconhecível, - Abra! Abra o envelope!. - Eu temia abri-lo medo do estava por vir, - Leia o que ele tá dizendo... Poderia ser um convite para uma saídinha; ir ao teatro, cinema, um musical. Talvez quem sabe saber!
FLA: - trancou-se no banheiro pra lê a carta, TIA?
ÉNOE: - Foi difícil conter a curiosidade, mas Dona Elizabeth esposa de seu Adalberto chegou e percebeu o clima de euforia.e perguntou... - O quê acontece aqui? Quê euforia é essa?
AMIGAS: -: Énoe recebeu uma carta das mãos daquele cliente, o Doutor!... Estamos curiosas, mas ela não quer abrir! - Isso é particularidade dela meninas. Voltou-se para mim e disse-me com um sorriso entre os lábios... - Tire o seu descanso agora, fique a vontade.
Dona Elizabeth sabia de tudo sobre o cliente doutor; então fui para o refeitório... tremendo... lí a carta e fiquei pasma!!!... Assustada com o que lí!!! Saí sem falar com ninguém; precisava falar primeiro com a mana Ada, sobre aquela carta... Não fazia sentido! Aquilo parecia as tais histórias de contos de fadas: O Príncipe e a operária, sei lá o que era! Ou então uma brincadeira de mau gosto!!!..
Os homens de hoje perderam o romantismo viraram “brucutus”, o sexo ficou muito fácil para eles. Quando queriam conquistar uma mulher, meus Deus! Haja romantismo. Mandavam flores, presentes, bilhetinhos apaixonados... Hoje são raros que são adeptos a essa moda antiga. Muitos eram tímidos diante da mulher desejada e se valiam de uma amiga no papel de cupido, para levar um recado... um bilhete... Ofereciam uma musica pelo rádio ou pelos serviços de auto-falantes, em cidades pequenas e quando o coração dispara e as pernas tremiam não havia homem ou mulher que resistisse a emoção e a força do amor. O sentimento é algo que transcede a razão e não achamos explicação para coisas como o que acabava de acontecer comigo!... Toda mulher sonhava casar e as vezes não tinha tempo pra escolher; as vezes eram casadas sem ter o direito de sentir o coração. Casavam apartir dos 15 anos de idade. Ninguém queria ficar solteirona, mas queriamos ter o direito de escolha que muitas não tinham, o casamento era um negocio de acordo entre os pais e nesses casos era melhor mesmo ficar coroa. Ate hoje as mulher de verdade não dispensa um homem romântico a moda antiga.
Lauro tinha lá suas encrencas, seus balaios de gatas, aprontam com todas que se fazem fáceis e na hora de casar investem naquela que tem a postura da mulher desejada para ser mãe de seus filhos. Ate então eu não acreditava em suas intenções e não esperava chegar onde chegou; mas enfim Eu era aquela mulher que Lauro procurava e achou ali na loja Dedal de Ouro. Embora confesse que meu pensamento fora maldoso para com aquele elegante cavaleiro, aparente fidalgo; se via no seu porte elegante, fino, que era de uma nobre família da capital e que por certo escolhera a mim para fazer um joguinho amoroso. Era atingir seu alvo, fazer com que eu me apaixonasse e depois se escafedia, suverteria num bairro de luxo da grande cidade de Salvador e Eu nunca mais ouviria falar dele, Todo mundo sabe o fim triste daquelas que se apaixonavam e se davam ao amado como prova de amor. Amor is escambau! Se a família não a resgatasse da sociedade hipocrita; era melhor mesmo ser apedrejado o corpo e salvar a alma, pois Ela virava “quenga” e a família exigia que saisse da cidade, pois não queria conviver com a vergonha. Tudo isso era preocupação para uma mulher que se aventurava deixar a família e ir viver em grandes centros, como uma ovelha avise defender dos lobos. Sem vovozinha, sem papai ou mamãe por perto, era preciso ter muita personalidade e determinação para ser uma mulher independente.
ÉNOE: - Antes de lê aquela carta pensei que poderia ser um inicial convite para irmos a um "happy hour" no "Palacete Tira o Chapéu", um dos lugares badalados na capial, considerado chique, também localizado na rua Chile; afinal a Rua Chile era um lugar de destaque. Eu tinha muita curiosidade em conhecer.
FLA: - Agora a curiosidade é minha... enfim, o que dizia a tal carta?
ÉNOE: - Na carta Ele dizia abrir o seu coração! Não era um pedido de namoro, mas sim um pedido de casamento.
FLA: - Assim! direto ao ponto?
ÉNOE: -: Assim! Não isso foi isso amor a primeira vista!? Ele pediu que pensasse com carinho antes de responder qualquer coisa. Foi a observação que ele fez ao entregar o envelope. Fiquei cheia de duvidas... não disse nada a Ada naquele dia e no outro saí para o trabalho sem saber o que diria aquele granfino se ele aparecesse no armarinho: - Tu tá brincando com minha cara seu almofadinha? Juro que pensei ser curta e grossa! Ao chegar a loja as amigas vieram sobre mim como se eu tivesse atirado uma pedra em marimbondos...
AMIGAS: Você saiu escondido... que aconteceu? e a carta... o que diz?
ÉNOE - Ele me pediu em casamento. Não tinha como dizer outra coisa!
AMIGAS - Gritos, vivas, expressão de espanto pediu você em casamento…! exclamação... Não acreditamos... você já respondeu? aceitou? claro?
ÉNOE: Ainda estou assustada! não falei nada nem com minha irma...
AMIGAS: Tá louca ÉNOE!:?! vai perder um partidão daquele?
ÉNOE: - Não sei nada desse homem, nem vocês!
AMIGAS: - Ele é medico! É de família rica e se vê que é um homem respeitador!
ÉNOE: - Aparência não diz tudo amigas, por tras dela tem um coração que ninguém vê. Fiquei sacudida!...
A noite ao voltar para casa sentei-me ao lado da mana Ada e sem dizer-lhe nada, nem uma palavra, entreguei-lhe a carta. Eu dependia muito de sua opinião para tomar uma decisão. Não era só coração. Ela não tinha conhecimento sobre as investidas de Lauro e o silêncio tomou o seu quarto onde estávamos…
ADA: - Huumm perfume francês! Quem é esse Lauro Joaquim?
ÉNOE: - Um estudante de medicina da Federal, quase todos os dias Ele passa no armarinho e me corteja. (e lhe narrei os detalhes de tudo) .
ADA: - hum !!! Pelo visto você ainda não respondeu?
ÉNOE: - Não ! Precisava ouvir você !
ADA: - O que diz ou sente seu coração?
ÉNOE: - Ahh, ele me parece um bom homem, procedencia... vontade e medo… não sei nada dele senão que terminou o curso de medicina e mora em um hotel perto da loja... Certamente deve passar pela loja amanhã ou depois, tem dois dias que não aparece..
ADA: - é o tempo que deu pra você pensar. Responda a carta hoje ou melhor, convide-o a vir tomar um chá no final da tarde de amanhã, pois quero conhece-lo.
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Aquele seria o ultimo ano de Lauro na capital; o estágio prático do seu curso de medicina se concluíra e ele tinha por objetivo retornar à Correntina como doutor Lauro Joaquim de Araújo. Como pensei, Ele compareceu ao armarinho no dia seguinte e dirigiu-se a mim, sob o olhar curioso das amiga. Dona Elizabeth aproximou-se e gentilmente nos disse que se quisessem conversar em particular fôssemos para sua sala, (poucas vezes fui aquela sala, geralmente não era boa notícia pois nossas reuniões eram no amplo refeitório e naquela sala seu Adalberto o homem do RH ali contratava e demitia. Agradeci a disponibilidade da sala e na presença da patroa o convidei ir a minha casa, pois minha irmã queria conhece-lo e lá então conversaríamos sobre o assunto. Lauro também agradeceu e dei uma virada pra pegar papel e caneta para anotar o endereço, quando ele num sorriso simpático me disse.
LAURO: - Não preciso do endereço, sei onde é sua casa!
ÉNOE: - Como?
LAURO: - Fiz muito sua segurança quando você saia do trabalho!...
ÉNOE: - Pode uma coisa dessa Dona Elizabeth?
Dona Elizabeth devolveu a Lauro aquele mesmo sorriso simpático e saiu, em seguida , Dona Elizabeth me dispensara do expediente vespertino no dia seguinte, dizendo para que eu ficasse bem bonita ao apresentar-me diante do meu futuro esposo. E la chegou Lauro ao encontro marcado; chegou bem vestido, terno, gravata e um buque de rosas, bate a porta e Ada foi atender,.. Antes havia dado-me algumas instruções ou ordem para que não atendesse a porta, Ela o faria e que não aparecesse a sala antes que Ela por mim chamasse; que vestisse minha melhor roupa e ajudou-me na maquiagem. Ela queria surpreender o meu pretendente que nunca havia visto devidamente arrumada para um evento e sim para o trabalho. A campainha tocou ADA se dirigiu à porte e a abriu...
ADA: - Boa tarde, vamos entrar... presumo que você seja Lauro?
LAURO: - Sim, sim, muito prazer em conhece-la.
ADA: - Entre, entre, vou chamarei Énoe!.
LAURO Essas rosas são para vocês.
ADA: - Pra mim? não são para ÉNOE? Énoe, Lauro está aqui!.
Adentrei a sala como se camihasse numa passarela... cheia de emoção! Ví no seu olhar a exclamação! era como se disse: - Como Ela está bonita! Ele também estava "elegatissimo", (termo dela) Não se sabe qual passarela. se de uma igreja ou de um desfile de modas... mas lá estavamos os dois, prontos para o desfile... ou o próprio casório!!
LAURO: Creio que já sabem de minhas razões para estar aqui e alegro-me pelo convitei, pois significa que minha carta não fora ignorada e para deixar mais claro, estou aqui para pedir a mão de sua irmã Énoe, em casamento
ADA: - : Vejo que você tem boas intensões para com minha irmã Énoe e como irmã mais velha, embora não tendo a autoridade de nosso Pai, sou a responsavel neste momento para ouvi-lo. Entretando (Lauro não consegui esconder o receio do que estaria por trás daquele entretanto...) queremos saber mais sobre você, sua familia; onde você mora? ..
LAURO: - Eu sou de uma cidade do interior da Bahia, lá no oeste baiano, Correntina...
ADA / ÉNOE: - : CORRENTINA!? (exclamaram juntas as irmãs) Somos conterraneos e vizinhos; somos de Barreiras.
LAURO : - Olha que boa coincidências, nossa parentela está próxima.
ADA: - Como estava dizendo, entretanto o Sr. Lauro terá que fazer este pedido da mão de Énoe em casamento ao osso Pai, em Barreiras .
Lauro pediu desculpas por ter ido assim tão direto ao assunto, via-se que estava nervoso. Então se apresenou, falou de sua familia, a posição social e política no municipio e dos seus planos futuro. com o retorno à Correntina já previsto nos próximos 15 dias. Pediu papel e sacou de sua caneta parkson e alí escreveu a carta endereçada ao futuro sogro, entregando-a a Ada, pedindo que a resposta fosse enviada a seu Pai, Major Felix Joaquim, em Correntina.
Apartir daquele dia, Lauro não mais precisou estar indo ao Armarinho mas ainda andou passando por lá, quando então foi apresentado as amigas Maria Alice; Olga, Vera Eleonora e a Dona Elizabeth. Se estabeleceu também dia e horário para ele nos visitasse; o que aconteceu por duas vezes antes dele retornar a Correntina. Foi os dois encontros que tivemos, não sei definir se namorados; noivos... não sei! mas sim duas pessoas comprometidas num interesse comum.
ADA: - Pois bem doutor, (com a carta endereçada a seus pais) o que requeremos dizer é que Eu e Enoé recebemos o seu pedido de pedido; (risadinhas) com muito prazer e o encaminharemos imediatamente ao nosso Pai. Agora vou deixa-los a vontade para que se conheçam... .
FLA: - e aí Tia, rolou um beijinho para selar o pedido?
ÉNOE: - Beiinho que nada... ! Ele chamou de volta ADA e lhe entregou um anel de compromisso, (esse aqui, mostrou-me o anel ainda no dedo) mas no fundo eu já me sentia uma Senhora Joaquina ou Araújo. A confirmação de de tudo, estava sob a autoridade de nosso pai.
Três meses depois eu estava de viagem pronta para Correntina, a convite do sogro e do noivo para oficializar o compromisso e marcar a data do casamento, não tinhamos tempo a perder. Parto de Salvador para Juazeiro, onde embarquei em um vapor com destino a Santa Maria da Vitória, navegando pelo Rio São Francisco, depois Rio Corrente e por fim Rio das Éguas, já no município de Correntina, desembarcando em um pequeno povoado de nome Barra do São José, onde ficava um porto de embarcações, que servia o municipio como via maritima de transportes.
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Uma comitiva a cavalo e mulas já nos esperava. O lugarejo fora sacudido por uma salva de fogos de artifício no momento de nosso desembarque. Pensei no que não diria minhas amigas de trabalho... - Que partidão amiga! Em seguida a comitiva marchou rumo a Correntina onde outra grande recepção nos aguardava, com a filarmonica da cidade, familiares e convidados, na expectativa em conhecer a noiva do Dr. Lauro. eu me sentir uma princesa... era um sonho acordade. O sinal para iniciar os festejos começlj quando a comitiva chegou no Barroção, e três morteiros foram soltos como o sinal. Nunca ví coisa igual, e nunca pensei que seria recebida com tanta pompa, em algum lugar ou na vida. Não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo comigo. Eu a plebeia vivia um conto de fadas real: - O príncipe e a plebeia.!
Os olhos de Tia Énoe brilhava empossados nas lágrimas que há qualquer instante iriam transbordar. No alpendre daquele casarão tínhamos a visão do bairro; o frescor do vento que soprava com um leve ruído por sobre os galhos das arvores frutíferas que tive a honra de ser o cuidador jardineiro, quando da construção da casa. Ela descrevia aqueles dias como se fosse algo acontecido no dia de ontem. Também fui tomado pela emoção de estar alí ouvindo uma grande história de amor ser narrada por uma de suas personagens. Ela embargava a voz... puvava um trago... pediu água pela 2a. vez e a servi com a jarra que a prima Noelia colocara sobre a mesinha ao lado... - Ei Toinho, em que vai dar tudo isso? nunca ví mainha tão empolgada e emocionada com sua história!. disse Noelia.. A saudade era pulsante e ela parava por instantes, puxava o trago do cigarro preso aos dedos enquanto eu ativa o play de minha memória, rabiscando rapidamente palavras e frases importantes para desenvolver este texto.
O CASAMENTO
Enfim chega o grande dia do casamento e na cidade parecia estar acontecendo as tradicionais festas do Divino ou do Rosário. As ruas movimentadas, gente vinda do interior do municipio para assistir o casamento do Dr. Lauro; a filarmonica na rua desde a alvorada e na casa do major o entra e saí em um mutirão de gente pra comer e beber a vontade, do que se havia de melhor, fatura na coinha e pelo salão circulava a famosa cachaça bananiha fabricada e exportado pela chacara Belo Horizonte, do Major Felix. Os convidados principais no ambiente interno do casaão, enquanto o vasto quintal os portões abertos era um convite para que entrasse quem quisesse entrar. grandes mesas foram montadas e os taxos de comida, um após o outro, eram abastecido, enquanto nas mesas o povão ia a forra. Estampavam risos, euforia, que se faziam presente na festa; da alvorada a cerimonia religiosa, enquanto na porta do Major Felix o fuguetório dva um tempo, mas em seguinda tomava o céu em exploroes festivas... a filarmonica presente em cada ato, naquele momento estava no interior da igreja, mas tocou desde a alvorada até que o movimento foi se discipando e na chacara Belo Horionte se iniciava um forró daqueles, que varou a noite.
Vários convidados vieram de Barreiras, inclusive os pais da noiva .. Seo João Alberto e o seo Juvenal pai de seu genro Ceres Crisostoma que se fizeram presente no casório com a familia do seminatista Ceres Crisostomo, casado com Zila, irmã de Dona Énoe. Esses vieram para festa e nunca mais voltaram para Barreiras. Seu Céres Crisostomo, um missionário evengélico, vendo o que seara precisava de obreiros, não pensou duas vêzes e providenciou sua mudança para Correntina, onde fundaram a 1a. Igreja Batista de Correntina.
Outro capitulo imporante a se contar, da luta desta familia cristã em pregar a palavra de Deus em uma tempo em que a Igreja Católica predominava no mundo. Em alguns lugares combateu chamados protestantes, como se esses protestassem a Igreja católica em seus costumes em adorar imagens e santos. A questão tornava-se uma guerra quando os protestantes não aceitavam a forma como os católicos viam Maria a Mae de Jesus, também no papel de interssesora diante de Deus Pai. Em muitas cidades brasileiras os Protestates foram expulsos e impedidos de pregar a palavra de Deus, na interpretaçao conclusiva da palavra, porém em Correntina o jovem Revdo .. tentaram expulsa-los da cidade e foi preciso a ação prudente do Reverendo Pa. Andre Bérenos ao chegar em Correntina foi quem deu uma passificação a essa rivalidade religiosa.
O casal missionário, Ceres e Zila Crisostomo foram os pioneiros em trazer a palavra de Deusa cidade; seus vieis portavam a biblia e a liam, diferente dos irmãos católicos que em suas celebrações ouvia fases em latim; folhetos com o tema da pregação, mas sem o habito de ter eles mesmo, a biblica, com uma escola biblica dominacas, como os evangelicos faziam, pra melhor ensinar seus cristaos a lê e interpretar a palavra; hoje uma sitação comum em ambas igrejas. Pr. Ceres e Dona Zila foram corajosos e determinados em sua missão evangeliadora em Correntina..

Aos 90 anos de idade eu provocava as lembranças da Tia e ví que todos seus momentos estavam ali, diante de nós, à flor da memória e na ponta da língua; no brilho dos olhos; na expressão das mãos e na emoção das palavras. O coração batia sem pressa reconhecido do que o destino lhe traçara. Com nítido ar de felicidade, ela narrava em detalhes que me pareciam indescritíveis; fatos como se não tivesse passados 61 anos, desde aquele dia em que na sala de sua casa, fora pedida em casamento por um jovem que ela mal conhecia de vistas, sem que nunca tivessem um período de namoro.
Casados, fixaram residência em Correntina onde Dr. Lauro Joaquim já tinha o seu consultório médico montado e aos poucos ela foi interagindo ao contexto social da cidade, não só secretariando o jovem médico, porém se envolveu mesmo nas atividades sociais; tornou-se uma espécie de figurinista de moda para as moças da cidade, que viam em Énoe, o fino bom gosto de quem morou na capital e teve acesso a atualização do que seria moda. Acostumada com o fino gosto dos clientes da capital, vendedora de artigos de luxo, roupas, perfumes e barangandãs, pois não só de produtos de armarinhos era a Dedal de Ouro; logo logo suas opiniões começam a surtir efeito e Énoe passou a ser consultora de moda das moças da cidade. Os comerciantes não gostaram muito de suas ideias, pois estavam acostumados a comprar peças inteiras de 50m metros de tecidos, o que resultavas em dezenas de soupas iguais pela cidade; motivo de revolta das moças finas, que não gostavam de vê a outro usando so mesmo padrão, com modelitos diferentes, mas a mesma peça de fazenda multiplicavam-se os vestidos e peças vestiarias... Enoé passou a pedir que compasse retalhos, finos, para quem tivesses recursos e bom gosto e exclusividade em suas roupas e assim se revolucionou o comercio local.
Foram 50 anos de vida conjugal, que lhes geraram dois filhos, Verissimo Matos de Araújo e Noélia Matos de Araújo. cinco netos, até então quatros bisnetos. Verissimo: casamento mesmo ele parece nunca ter se casado . Era mais um sedutor libertino, rico não, arrogante, talvez, mas um Dom Juan que vivu para conquistar mulheres e dar-lhe o prazer de se sentirem mulheres. Certamente ouvira a mãe dizer - Casar prá quê!? Verissimo teve varias companheiras e com elas cinco ou seis filhos, não sei ao ao todo, mas conheci Rebeca nos anos 70, Olívia e ... nos anos 80, pelo que fico devendo a complementçaão da prole, de preferencia com as devidas fotos.
Noelia ficou apenas no filho Gregório, talvez Gregório Neto, que dera aos avós Énoe e Lauro o prazer de embalar seu decendente neto nos braços; Gregorio casou-se com (?) e juntos têem um casal de filhos.(?) e (?) moram em Correnitina. Praticamente todos os descendentes de Dr. Lauro e Énoe ,oram em Correnitna, exceto Rebeca, candanga, primogenita do primogenito Verissimo que residente no Distrito Federal
Tia Énoe relatou as dificuldades que enfrentou depois do falecimento do Tio Lauro, o primeiro e único amor de sua vida. Ainda nela se via os traços altivos e elegante; sentia-se a sinceridade que a caracterizou ao longo dos 90 anos de vida. Não negou a magoada de sentir-se esquecida, ainda mais ela que durante a gestão de Prefeito do esposo, o incentivou a atender as pessoas carente, em dois dias específicos no mês; numa sexta feira e no sábado; quando a porta de sua casa, ao lado da pensão de Nenem Guará se fazia uma enorme fila, a frente da casa e outra aos fundos, onde Mariinha a fiel secretaria com o filho adotivo Pelé, recebiam os agrados vindos da roça, como uma forma de gratidão pela atençao recebida do Dr Lauro e Dona Énoe. As consultas, medicação possivel, vinda das amostras grátis recebedas dos laboratórios e durante o seu governo, sempre achava um jeito dentro da lei, para destinar uns poucos recursos para compra de medicamentos, muito pouco, mas era o que se podia fazer.
Tia ÉNOE não era mulher de mandar recados, nem de perder a elegancia, quando tinha que responder a altura do insulto, respondia Ela mesma! Depois da morte do tio, Dr. Lauro Joaquim, confessou ter sentido o distanciamento de alguns familiares e isso lhe magoou muito. Justificou a questão das excessões na regra, citando Tio Vando e Tia Carmem os que lhes deram total atenção, mal pensava e eles estavam a porta, prontos para servir, sendo que a maior insatisfação veio mesmo da sociedde... da política... e desses não é de se esperar grandes reconhecimentos. Não deixava passar em branco a oportunidade de uma puxão de orelha nesses esquecidos e Eu mesmo levei um desses puxões em plena feira de sábado, quando fui lhe abraçar dizendo: - Tia Énoe! Que saudade! (a abordei e lhe quis abraçar).
ÉNOE: - Sai, sai seu ingrato! Você nunca mais foi lá em casa, chega aqui cai na gandaia e esquece dagente. Agora que me viu na feira, vem com essa de saudade!
Tentei justificar, teve jejto não1 Ela tinha razão, pois sempre que visitava Correntinaa, até hoje nunca deixei de visitar parentes e amigos, ainda mais agora, com o meu sax tenor fiz habito a mania de adentrar as casas tocando uma canção, quando não faço minhas solitárias serenatas.
Visita ao local onde ele iniciou a primeira Usinana hidroeletrica de Correntina - Usina Piloto.

Tio Lauro era um homem muito sábio, uma visao futurista, (veja no livro A História de Correntina de Heoverton Baiano capitulo A Política em Correntina de 1945 a 2006) paginas 209 a 255. Ele foi apelidado como Pai dos Pobres, por influência da Era Vargas, por sua dedicação as classes meos favorecida, como profissional médico e como gestor do municipio. Tia Énoe dizia que Ele não colocava o dinheiro como condição obrigatória para atender a um doente. Se não tivesse como pagar na hora, deixava pra depois, se não tivesse depois ficava pela gratidão reconhecida e muitos, principalmente da roça lhe tinham essa gratidão, abastecendo sua casa com suas colheitas.
Dr. Lauro investia sua renda na compra de terrenos em torno da cidade. Tinha uma visão progressista e sabia que em pouco a cidade alcançaria suas terras e foi o que aconteceu, onde hoje estáo diversos bairros da cidade, como a região onde hoje fica o estádio de futebol, o novo mercado municipal e toda extenção a Rua da Chacara Major Felix. Foi prefeitode 1948 a 1950, quando teve que renunciar para tentar a reeleição( veja Hisória de Correntina pag 211 a 215), quando empreendeu na construção da primeira usina hidroelétrica da região e parte das obras do canal que transportava água para movimentar a primeira turbina da usina Piloto. O Governo Federal ao tomar conhecimento da obra, envolveu-se na tarefa, assumindo-a e ampliando o projeto na construção de uma usina de maior porte, para servir a região do oeste baiano e não somente a cidade, como seria a Usina Pilo que deveria ter sido chamada Usina Piloto Dr Lauro Joaquim de Araujo.
A casa era movimentada durante todos os dias, semana pôs semana, óbvio que com sua morte, este movimento mudaria daí Tia Énoe ter se queixado do esquecimento sofrido por parte de dos amigos e de alguns parentes, mas seguia sua vida sem mostrar-se abatida. Ela conclui nossa encontro lamentando, ao revelar as duras penas passadas para vencer as dificuldades, inclusive financeira, depois da ausência de Dr Lauro. - Ser esquecida por aqueles que um dia socorremos, doi e doi muito, Tonho! Isso se chama ingratidão! (suspira) mas existem aqueles que são eternamente reconhecidos, afinal, a parábola dos leprosos nos mostra que de 10, apenas um retornou para agradecer pelo milagre. Não posso generalizar em relação aos meus cunhados, seus tios.

Por tudo isso e pelos laços familiares que ainda hoje une e em nome dos meus pais, meus irmãos, todos assistidos e cuidados pelo por Tio Lauro, lhes faço esta homenagem familiar. Énoe Matos de Araújo é mais uma certeza de que sempre, ao lado de um grande homem, existe uma mulher maior em virtudes, prodencia e amor, na medida certa, do tamanho preciso de ser.
Dr. Lauro Joaquim de Araújo Faleceu (?)... aos (?)... ainda hoje é um simbolo em nossa cultura, seja na politica ou na vida social Foi vereador e prefieto, e de seu diário Noelia, sua filha, extraiu a seguinte frase e nos passou, para encerrar esta história:
- Será se as futuras gerações se debrocarão sobre nossa historia
pra saber que fomos nós?
Sim meu Tio, sim! está aí o nosso grande poeta e escritor Hélverton Baiano, ou Valmir de Vessinho com uma memoravel obra que conta a sua e a nossa história do dia a dia . Estou eu, com meus modestos escritos que sempre reviro a poeira do passado e deixo amostra, o pouco do pouco que sei.
Obrigado Dr. Lauro Joaquim
Obrigado Dona Enoe Matos
por voces terem existindo em nossas vidas.
A C A R T A
ESCRITA POR DR. LAURO
EM 02 DE ABRIL DE 1938
Cedida por Noélia MaTTos de Araújo
NA INTEGRA
Tomei hoje a deliberdade de expressar-lhe nesta carta, os meus sentimentos para com você, e espero que sobre ela medite e se manifeste, com inteira liberdade e sem constrangimento.
Poderá parecer-lhe estranha tanto quanto surpreendente, esta minha atitude, quando mal nos conhecemos. Evidentemente, o curto espaço de tempo durante o qual tive a fortuna de conhece-la, não nos permitiu um intercambio, por meio do qual nos fosse informadas as inclinações, temperamentos e ambições de um e do outro.
Desta aproximação e deste entendimento, talvez, resultasse um acordo de sentimentos e aspirações, como base numa futura felicidade com um propósito duradouro. Da minha parte não oculto a simpatia que lhe tenho. Na verdade, venho sentido que gosto de você.
Eu mesmo não sei explicar isso!. Apenas reconheci em você uma força que me atrai; você talvez sorria. Esta certo que seja talvez uma canção que certamente você esteja habituada a ouvir, entoada por quantos, talvez tenha engraçado com tua beleza! desta vez lhe asseguro que é particularmente diferente.
Sentir-me-ia infinitamente feliz, e satisfeito, se você considerasse-me capaz de promover seu bem estar e sua felicidade. Sou sincero ao dizer-lhe estas coisas. Não há nelas paixão; expressão de um sentimento passageiro. Tenho bastante experiência de vida e das mulheres, talvez! para não cometer o ridículo das atitudes apaixonadas. O que faço é natural e humano não é só humano e natural, mas expondo o sentimento de um coração deveras apaixonado, restaurado das agitações por que tenho passado, dos erros das minhas aventuras e nas venturas das minhas extravagâncias. Para isso me é indispensável que uma companheira fiel marche ao meu lado nas lutas da minha vida profissional e pública e sobre ela exersa sua influência de mulher virtuosa, a estimular-me nos momentos difíceis, na participação de momentos compartilhados nas horas de alegrias e tristezasdas.
Não preciso entretanto, adentrar mais nesta carta, mesmo porque, não sei como você a receberá na emoção de sua surpresa; se com desdém, se com prazer ou pesar. Ignoro se você esteja ou não comprometida, bem como considero a possibilidade de não ser correspondido; ainda se a opinião de sua família é contraria ou outros fatores de ordem pessoal. Cada um desses motivos bastando por si para impedir que eu continue o culto de um amor tão espontâneo, puro e sincero que lhe tenho. Neste caso, lamentarei o insucesso, mas não insistirei do meu proposito; de qualquer modo, porém, ficar-lhe-ia imensamente grato se desse a esta carta a atenção de uma resposta sincera.
Lauro Joaquim de Araújo
02 de abril de 1938

Dr. Lauro - ? João Diamantino - Missionário Ceres Crisostomo - e Idalina Sinha irma de Dr. Lauro

Celebriddes politica de Pé: Pedro Ferreira - Pedro Guerra - Dr. Lauro - Manoel Vieira

Dr. Lauro e o seu primeiro neto: Gregório

Verissimo com filho olhado o trio passar

Flamarion - Maricio e Verissimo - Bar do Tota

Noelia Matos Araújo
O B S E R V A Ç Â O: Esta carta tem por data o mesmo dia da carta de sua renúncia ao cargo de prefeito, anos depois.
N O T A ao L E I T O R : Desculpem, mas esta sendo providenciada ilustração do texto com mais fotos familiares e as informações destacadas com parenteses e interrogaçao.