O casal tem origem na Ponte Velha, um lugarejo divisa com o município de Santa Maria da Vitória, no oeste baiano. Lá existia uma ponte de madeira ligando os municípios, que de tão velha acabou sendo fonte de inspiração para dar nome ao lugarejo. A ponte deixou de existir, mas o nome ficou por herança: - Ponte Velha!
Espero que ainda seja um lugar de exuberante que conheci na década de 70, uma vez que as gerações atuais mostram a força da tradição das belas características das mulheres de lá; em destaque a família Souza Rocha, cujos varões deixaram a vida na lavoura, para se investirem no comercio da cidade: José destacou-se com uma loja de tecidos para fabricação de roupas, sendo fornecedor de materia prima para dezenas de costureiros na cidade e interior do municipio; Joaquim poderiam dizer que montou um mini-shopin, ao lado do Cine Teatro, com diversificado artigos de luxo; perfumaria, bijuterias, produtos de armarinhos; artigos pessoais para homens e mulheres e até instrumentos musicais; Waldemar explorou a área de saúde, montando uma competitiva farmacia que tinha como concorrente a Farmacia Sem Rival de Pedro Guerra, sendo as duas unicas farmacia da cidade e Rafael, o caçula dos irmão montou um armazem com produtos regionais mais tarde transfornando-o em um supermercado.
O casal José e Malvina já chegaram a cidade casados e tiveram nove filhos, os primeiros, creio, nascidos na Ponte Velha e os demais em Correntina, são eles: Auxiliadora (Dorinha) Evangelista (Zinzinho) Maria Helena (Helena) Raimundo Nonato (Chula) Claudemiro (Dinda de Zé de Malvina) Edson (Biscoitão) João Batista, (apostolo) Maria da Graça (Gracinha) e Dougival o caçula de quem não se tem registro de apelidos; porém ao mudar-se para Goiânia e abrir uma empresa para decoração e coordenação de eventos, passou a ser conhecido por Dodô Eventos, nome que se valeu para dar nome a sua empresa.
Como se vê, quase todos os filhos teem um apelido, pois os apelidos são habitos, fortes, nas cidades do interior, onde as pessoas quando apelidadas, acabam perdendo a identidade do nome, para serem reconhecidas pelos apelidos; éo que se predomina, em cidades do interior; onde alguém sempre é tem um dono. José de Aurora; Geraldo de Chichico; Lulu de Iôzim... Lá é invalidada a máxima da canção popular que diz "Ninguém é de ninguém e na vida tudo passa”; tudo realmente passa mas alguém é de alguém... nem que seja por apelido! E’ assim que os apelidos acabam por substituir o nome de batismo de uma pessoa. Lá apelido vem primeiro que o nome e o nome mesmo muitos nem sabem qual é. Os apelidos quando nascem em casa, são frutos de um mimo, de um dengo, mas quando nascidos das ruas a coisa pega! São nomes por vezes pejorativos que costumam acentuar do outro as manias, os defeitos físicos, ou se tiver origem de uma pirraça; se apelidado se mostra aborrecido pelo apelido que é chamado a coisa então vira provocação gratuita; o chmado bullying, jeito estrangeiro de dizer ou fazer uma atentação ou pirraça!
Em Correntina eu sempre serei "Toinho de Iôzinho" e Valmir será de Vescinho que foi de Zenilda. O bom de nossa geração é que os apelidos não nos causaram danos morais; processos de descriminação, racismo, injuria; aborrecimento ou constrangimento até que sim, em alguns casos. Lá Dinda será sempre Dinda o talentoso menino que abraçado a um violão fazia seu show a parte entre seus amigos. Dinda foi um menino tímido, um tanto calado, de poucas mais certeiras palavras. Hoje pelo que se vê, o menino continua vivo no homem maduro, não se distanciando muito um do outro; ambos com suas as mesmas características tímidas; reservados e de poucas palavras. Teem suas imperfeições, sim! incertezas sim, mas quem de nós não as teve ou ainda não as têm !
Ao vê seus irmãos mais velhos enveredarem pelo mundo da música, tomou o mesmo rumo, sem saber que se tornaria deles, o maior. A História de Dinda na música começa aos 12 anos de idade quando manifesta interesse pela percussão, ou seja, o menino queria ser "baterista", mas o destino lhe tinha reservado outro instrumento que lhe foi presenteado pelo Tio Joaquim Brotim, E qual a razão do apelido Brotim?
Como disse que os apelidos surgem por vezes de caracteristicas pessoais ou hábitos; Joaquim Rocha se enxaixa de luva nos pre-requisito dos apelidos. Não era ele um homem idoso, talvez um quarentão no auge de sua masculinidade, que se interessava por mulheres entre os 18 e 20 anos de idade, na ocasião chamadas de “brotinhos”. Joaquim era um homem solteiro, de boa e ilibada reputação, logo e afinal, gostar de mulheres nova é coisa natural na vida de todo homens; tinha bom gosto no vestir; um homem vistoso que se completava como dono de um automóvel rural willys depois um veraneio, que as pessoas chamavam de motel de Joaquim! uau gente! O homem tinha tudo para agradar as mulheres. Essa sua preferência marcou sua vida de tal forma que habitualmente passou a ser chamado por todos de Joaquim Brotim. Esta caracteristica tornou-se herança para o seu primogênito. Não foi chamado de Edgar Brotim, pois era o proprio brodo, aliás, na época um rapaz bonito era chamado de "pão", também já foi "gato"; o menino tornou-se um rabo de saia, com acentuado e justificado apetite pelo sexo oposto. Tomou fama de garanhão conquistador. - A conclusão e’ que Joaquim fez uma excelente escolha quando assumiu a responsabilidade de formar uma bela família, principalmente pela mulher escolhida para esposa: Elza Matos, uma elegante e fina jovem filha do fazendeiro Seo Lormino Matos e Joaquim, após o casamento nunca deu lugar a falatório, porém o o apelido já era uma patente registrada, que não se apagou de sua vida. Dona Elza ficou viuva, mantendo seu porte altivo, sua elegancia admirável e mulher virtuosa. Assumiu os negócios, reformulou a linha de atuação, tornou-se empresaria e concluíra a criação dos quatro filhos: Edgar Dora, Sandra e Elson.
...
Joaquim era fã de carteirinha dos músicos sobrinhos e foi quem presenteou a Dinda com um violão. Não foi o instrumento desejado pelo garoto, mas foi a certeza de tê-lo colocado no mesmo caminho dos irmãos mais belhos Evangelista e Nonato. Quem suspirou aliviada com o presente foi Dona Malvina. Não seria fácil lidar com dois violões, dois cantores e uma bateria... Era pra tirar o sossego da casa com toda aquela parafernália ao pé-do-ouvido. Óbvio que toda mãe quer saber por onde andam seus filhos. Dona Malvinha tinha a certeza de que os seus varões mais velhos estavam em casa; ao voltarem da escola sabia ela que estavam ao alcance dos olhos e ouvidos, pelo barulho que vinha do quarto, studio prático do aprendizado dos filhos. Ali eles se debruçavam sobre os instruentos, manuais e cifras se preparando para o passo seguinte; formar um conjunto musical.
FAMILIA DE ZÉ & MALVINA

Sentindo-se já capacitados os filhos de Seo Zé e Dona Malvina partiram para a 2a. parte do projeto. As atenções se voltaram para as guitarras elétricas, afinal era a Era dos conjuntos jovens que dominavam as décadas de 60/70, com o movimento da Jovem Guarda; o IE IE IE ou Rock and Roll surgido nos EUA no final dos anos 50, que chega forte no Brasil na década seguinte, era uma versão abrasileirada a que se deu o nome de movimento da Jovem Guarda.
Com excessão do irmão mais velho Evangelista que aquela altura já havia voado do ninho rumo a São Paulo. Dinda e Nonato levaram adiante o propósito de criar o conjunto musical. Seo Ze Rocha toma gosto vendo a determinação dos filhos em seguir uma careira musical e resolve financiar a compra da aparelhagem para formação do conjunto e adquiriu tudo que foi preciso para os garotos formarem o tão sonhado grupo musical, ao qual deram o nome de Conjunto Jovem Os Tabajaras.
OS TABAJARAS foi formado com os seguintes membros: os irmãos Raimundo Nonato, (Chula) na Guitarra base e vocalista; Claudemiro Rocha (Dinda) nas guitarras solo americana e havaiana; o mestre professor de música José Patricio no contra-baixo. Raimundo Amaral, popular Raimundo Barata, o baterista. O velho mestre ficou pouco tempo no grupo e foi substituído por um de seus pupilos; o jovem padeiro Luiz Bocais e por fim. Nonato o vocalista tinha apoio do back vocal formado pelos demais componentes, que deu início à sua trajetória com o apoio de um grande músico, o saxofonista Hélio Alves, que não era membro do grupo, mas era a quem os garotos recorriam quando precisavam de uma orientação técnica.
Porém, foi em um carnaval que Dinda se destacou no cenário musical de Correntina. Dinda, Os Tabajaras ainda não era tão conhecidos quando em um determinado carnaval (?) Dinda deixa todos de queixo caído ao apresentar em um improvisado Jeep Elétrico destroçando uma mini guitarra que foi apresentada como sendo a guitarra havaiana, sobre aquelas engenhoca do jeep, adaptado por Marcos Arantes, Raimundo Amaral (Barata) e outra vez a mãozinha de Seo Hélio… E aquela coisa funcionou mesmo, para a alegria e folha da galera.
O JEEP TRIO-ELÉTRICO DE CORRENTINA

O Jeep foi o palco onde Dinda brilhou no cenário artístico de cidade. Um minúsculo espaço para duas de autofalantes no parachoque dianteiro e trazeiro, eles se apertavam sem direito a mexer, dividindo o espaço com os modulos eletrônicos para potencializar o som. O motorista do Jeep era Tonho de Pequenita., mais uns três músicos ou quatro e nao sei como conseguiram multiplicar o mini espaço em um palco show. Aquele carnaval entrou para a memorias dos foliões como primeiro trio jeep elétrico onde os correntinenses viveram pela primeira vez, o som vibrante de uma guitarra havaiana. Foi uma loucura!!! Foi um delirio vê e ouvir o pequeno jovem músico, tocando os frevos pernambucanos e baianos e os foliões como se estivessemos diante de Dodô e Osmar. Correntina saia atrás do Trio que não se pode Jeep elétrico como se este fosse um trio baiano da capital.
A história musical de Correntina estaria incompleta se fosse omitida a passagem dos meninos de Seo Zé e Dona Malvina a frente do Conjunto Jovem Os Tabajaras. Dinda era considerado o menino prodígio. O Conjunto Os Tabajaras marcou um época, em toda região do oeste baiano, sendo contratada para animar bailes. Naquele época não era comum os shows em praças públicas, como hoje hoje; porém não se comparam os bailes de outrora aos show de hoje... Era bem melhor os bailes em salões fechados, a quase intimidade dos casais no salão lotado e o rostinho colado, corpo colado; cada um com seu par ao som e voz de Nonato Rocha... e assim aconteceram muitas e discretas paqueras; chamegos que tornou-se namoro e acabou em casamentos.
Os cabeludos Tabajaras
Luis Bocais (Baixo) Raimundo (Bateria) Dinda (solo) Nonato (Base)

Findo aquele período febril da Jovem Guarda, Claudemiro parte para São Paulo, onde passou a ser funcionário de um Banco privado, sem se distanciar de suas tendências musicais. Ingressa em uma Faculdade de Música, torna-se bacharel em violão, mais tarde se especializa em cavaquinho; também acordeom, bateria e violino, o menino se “maestrou’ de verdade, tendo a honra de acompanhar diversos artistas da música popular brasileira como Wanderleia, Luiz Arão, Benito de Paula e outros, passando também pela experiência musical das casas noturnas paulista.
Tudo que é bom dura pouco!
Não penso assim! pois creio que "Tudo que é bom" dura o tempo certo para se perpetuar em nossa história de vida, que por sua vez, nos ensina que a vida é um momento passageiro. Sempre que os homens tentam repetir grandes movimentos artisticos ou mesmo da vida pessoal, fracassam. Como diz Lulu Santos, a vida é como uma onda do mar... Foi assim a era dos grandes boleros e sambam canções; a dor de cutuvelo de Lupcinio, os bregas de Waldrich e Odair Jose; foi assim com Novos Baianos, The Feveres, os Rolling Stone, Bee Gess, Os Beatlhe e a Jovem Guarda... O passado não tem volta! senão em nossas lembranças, pelo que guardamos; momento infindos, eterno enquanto dura nossa temporada de vida, cujos momentos só se vive uma vez... A onda que arrebanta na areia nunca é igual a que vira depois dela... Nada é igual as lembranças do que foi um dia e que por certo, só a saudade é o que fica!
Tudo que é bom dura o tempo certo para se perpetuar em nós as boas lembranças; como foi o Conjunto Jovem Os Tabajaras. Foi “tudo de bom” para época, pois se encaixou no contexto das necessidades dos correntinenses, deixando em nossa história o rastro afável das lembranças de um tempo que passou! Felizes aqueles ainda vivem as boas lembranças; se sofremos ou se choramos. o importante é que emoções também vivemos nós, emoções únicas .
OS TABAJARAS NA PINGUELA
DO RANCHAO
Claudemiro - Raimundo Amaral - Tonho de Pequinita
Luiz Bocais e Raimundo Nonato

Claudemiro - Dinda reside hoje em São Paulo onde se casou e descasou, viuvou? Não sei! Detalhes da vida famíliar que não sabemos nem ouvimos falar. Sei que tem duas lindas filhas, Camile & Carine e que é um super-pai, amoroso e dedicado, agora também um vovô babão. A música foi a mais fiel companheira e lá se vão décadas de dedicação exclusiva. Poeta compositor letrista, que hoje, certamente, goza de uma merecida aposentadoria; segue a vida assistindo a família crescer, enquanto futuca as redes sociais.
DINDA - GUITARRISTA SOLO

A música continua fervilhando em duas veias artísticas, graças ao dom e a dedicação. Deus deu o dom, a vida foi o palco e nós ganhamos o presente e a honra da convivencia com este grande talento, desde menino. Nas peladas foi bem diferente, achava-se o tal; não era tanto assim! Era um Dinda zangado, fominha, predominando seu jeitinho manhoso até nas várzeas.
Parabéns amigo, você foi um presente Divino inesquecível, que eu, nesta instante, com certas dificuldades oculares, busco registar como história de vida, pelo que vence representou na história musical de sua família e da nossa terrinha, Correntina.
Raimundo Amaral ou Barata, continua em Correntina envolvido com a comunicação em carros de som fazendo anuncio de comerciais pela cidade. Foi um artista atrás dos bastidores no período em que o teatro era ativo; sua atuação era trabalhas nos cenários, efeitos especiais, homem de confiança do diretor teatral Iozinho Costa. Continua uma figura presente sempre nos movimento culturais folclóricos, como os reinados e onde quer que sua presença seja solicitado; é um voluntário presente. Onde estiver a música, está a sua alma artística. É músico da filarmônica municipal e das charangas dos carnavais e tem escrito o seu nome nos anais de nossa história.
Luiz Bocais o contra-baixista era padeiro por profissão e trabalhava na padaria de Ezequiel e por prazer tinha a música como fiel companheira. Luiz substituíu o Professor José Patricio no contra-baixo . Não temos conhecimento do seu paradeiro, sabemos que não vive mais em Correntina, pois não temos noticias de seu paradeiro...
José Patrício além de professor de música que deu formação musical a dezena s de nossos jovens, Honorato Ribeiro, vulgo José Patricio era mestre em marcenaria, sendo gerente da marcenaria da paróquia; a primeira Ba região com maquinário elétric, que atendia o velho Educsndario São José, a matriz onde era regente do coral jovem Lira de Ouro, em quatro vozes, (fui uma de seus pupilos); catequista; escritor com várias obras publicadas; Foi o primeiro contra-baixisa na formação inicial dos Tabajaras, depois de bem cumprida sua missão, em Correntina retornou a Carinhanha já próximo de seu centenário de vida.
Raimundo Nonato, (Chula) guitarrista base e vocalista da banda; viveu o drama da depressão após o término do movimento jovem. Muitos músicos e cantores profissionais ou amadores passaram por este doloroso momento depressivo, só vê o fim de um ciclo onde eram protagonistas; os holofotes os focavam e os aplausos lhes alimentavam.
Mas um dia os holofotes foram apagados e os aplausos se voltaram para outros astros… de repente acordaram sem palco e se sentiram inúteis! Alguns reagiram e se atualizaram a novas situações; se readaptaram a nova realidade adquirindo outros profissões; outros se sentiram paralisados, sem reação, buscando o álcool como um refúgio temporário e não conseguiram retornar à normalidade da vida. Tornaram dependentes do álcool ,,, É lamentável!
Meu amigo Nonato teve o apoio incondicional da família, que deu a Ele toda assistência e tratamento possível para trazê-lo de volta à realidade da vida. Todos nós sofreram com a situação do Chula. Não lhe faltou apoio da família e dos amigos próximos. Não foi fácil para Seo Zé e Dona Malvina, nem para os irmãos, vêem um ente-querido se apagando sem forças para se levantar. Foi bem cuidado pela família e quando se mudaram de Correntina para Goiânia o levaram junto acreditando que a mudança renovaria os ares, os ânimos… cuidaram dele até o seu último instante e em Goiânia veio a falecer.
Vivi no momento uma situação bem igual, com meu cunhado, também músico com passagem por várias bandas em Curitiba entre os anos 2000 e a história se repete... idem… idem…!
Vavá Cunha e Claudemiro - Dinda
Museu Cerrado. GO

Goiânia tornou-se o refúgio de nossos grandes talentos. Entre outros lá estão Henrique Soares, Hélverton Baiano, Laercio Correntina, Welson Moreira. Alguns desses costumam se encontrar de quando em vez no Museu do Cerrado. Dinda vem de São Paulo e de Correntina vem Vavá Cunha; juntos com artistas Hélverton Baiano, Henrique Soares transformando O Museu do Cerrado num pedaço do céu correntinense iluminado por nossas estrelas,m; o que acalanta os ais da terrinha, com músicas, poesias, abraços e recordações de montão, afinal Goiânia tem um pedaço significativo de nossa correntina.
E assim concluo esse breve relato de nosso eterno Dinda de Zé de Malvina o o baita músico o amigo de infância, de madrigais. Um contemporâneo. baiano de Corrrntina Ba.
FanacoS
As Dindocas do Dinda
Camila & Carine

OS ASES DO NOSSO BARALHO ARTISTICO
Magnovaldo Vavá - Claudemiro Dinda - Hélverton Baiano
E Henrique Soares
Museu do Cerrado Goiânia -Go

NOTA FLAMARION:
Este conteudo faz parte da coletânea de poesias Vestígios DE Saudade, composta por 25 poetas correntinenses. A Obra completa em PDF pode ser solicitada sem custos peçp email flamarionaacosta@gmail.com

Dinda ao lado da Wanderlea
IMPACTO
Claudemiro Rocha
SP., 01/12/17
O meu impacto foi maior que o seu
Danos lesivos você não sofreu
Eu tive grande perda de memória
E a minha história você esqueceu.
Você saiu ilesa, numa boa
Minha cabeça se fez uma coroa.
Talvez de padre ou de um sábio rei
E príncipe nessa vida nunca serei.
Mesmo com a cabeça meio tonta
Fiquei mais sóbrio do que você
Saí correndo, não sei porque
Talvez, quem sabe para agradecer.
Agradecer porque saí intacto.
Apenas com alguns ferimentos.
Minha cabeça é meio que cimento
Não ter morrido foi meu merecimento.
FUNDO DO POÇO
Claudemiro Rocha
São Paulo 12/01/2017
Tem muito sal nessa água
Tem muito açúcar nesse vinho
Tem muita vela nesse barco
Tem muito pássaro nesse ninho.
Não só de coisas boas que se vive.
O mundo está contaminado
Tem muito lixo nesse rio
O ar precisa ser filtrado
O mundo é quase uma virose
Contaminando uns aos outros
Político dando mal exemplo.
Estamos no fundo de um poço
Tem como virar esse jogo
Tem como fechar a janela
Tem como abrir uma porta
Tem como passar a flanela
AMOR QUE NÃO SE EXPLICA
Claudemiro Rocha
O tempo passa
e a saudade só aumenta
E faz doer o meu peito sofredor
Só quando eu lembro
da minha linda Correntina.
É que a saudade aumenta
e cresce o meu amor
Esse rio que corre
em águas cristalinas
Já fala tudo o que é essa cidade
As sete ilhas
com suas águas todas límpidas
Encantam homem, mulher,
menino e menina
Lembro-me da bola de gude e de meia
Das tardes quentes nesse rio a banhar
Do buracão e das peladas todo dia
Correm-me lágrimas
quando paro pra pensar
Depois da janta ia pra praça da matriz
Brincar de esconder, correr até cansar
Eu era criança, era menino e bem feliz
Ai que saudade
eu não posso nem lembrar
Quero esquecer o meu passado,
não consigo
Mas se eu esquecer
não tenho história pra contar
Acho melhor sofrer
lembrando o que passou
Sofrer assim o que me faz só chorar
O que é que tem
essa cidade que me encanta
É um amor
que eu não sei muito explicar
Já se passaram muitos anos,
não esqueço
E Correntina na minha mente vai ficar.

TEMÍSTOCLES, O CURANDEIRO
Claudemiro Rocha
São Paulo - SP 12/09/17
Em Correntina existia um senhor
Não era médico, mas era um doutor
E o nome dele era Temístocles
Curava o povo com suas raízes.
Tinha sua venda como passatempo
A sua roça que era o seu sustento
Tinha cavalo, égua e até jumento
Homem de fibra, só vocês vendo.
Criou seus filhos na pura dignidade
Era severo dentro da sua realidade
O povo chora porque tem saudade
E chora gente de todas as idades
Casar cedo era uma obrigação.
Naquela época e naquele mundão
Fazer família era de todo cristão
E ele fez com muita boa intenção
De curandeiro a vereador.
Assim se foi o nosso contador
Ele foi um grande agricultor
Histórias e prosas que o povo admirou
Católico, não perdia uma missa.
Tinha seus dogmas e suas premissas
E uma sociedade que lhe exigia
Responsabilidade, caráter e magia
Ele preencheu todos os requisitos
Tinha que ser assim e era bem visto
Pôs no mundo mais de dez filhos.
E o seu papel de pai foi cumprido
Tenho certeza que ele agora está
Lá no céu à direita do seu pop star
E foi o Senhor quem mandou buscar
Para no céu, suas histórias contar.
- Não importa fazendo o quê.
---------
PAREI DE ZANZAR
Claudemiro Rocha
SP., 18/03/20
Parei de zanzar
Com esse vírus na rua não dá
Pra ficar indo pra lá e pra cá
Não acredita?
- Ele pode te matar
Parei de zanzar
Minhas “brejas” em casa vou tomar
Assistindo as minhas notícias
Que toda hora a televisão dá
Parei de zanzar
Já tô recluso no quinto andar
De quarentena mas com um olhar
Atento aos fatos que devem chegar
Parei de zanzar
Não vou dar mole pro azar
Pois quem é novo está partindo
E não é hora pra eu viajar
Parei de zanzar
Não é hora para brincar
Cada um fazendo a sua parte
Esse vírus não vai mais propagar

Residência onde viveu a familia de Zé e Malvina
SUA INFÂNCIA JÁ PASSOU
Claudemiro Rocha
(Sua boneca foi pro lixo)
SP., 17/03/25
Menina distraída
Sua boneca já quebrou
Se esqueceu de namorar
Sua infância já passou
Seu príncipe encantado
Já quer desistir de você
Perdeu até seu endereço
Não sabe mais o que fazer
Menina abre o seu coração
Sua boneca já foi pro lixo
Nem rede social você tem
Assim, você parece um bicho
Seu príncipe vai dar uma chance
Só não quer ver você distante
Atire de vez nos braços dele
E fique agora mais vigilante
O amor é uma oportunidade
Não vai deixar passar essa
Outras poderão não aparecer
E todas da sua vida desaparecer
Menina tome uma decisão
Sua hora mais que já chegou
Esquece sua boneca do lixo
E atire nos braços do seu amor
Vista aérea Rio das Éguas:
Correntina BA Fonte: Redes Sociais

FUNDO DO POÇO
Letra e música de:
Claudemiro Rocha
São Paulo 12/01/2017
Tem muito sal nessa água
Tem muito açúcar nesse vinho
Tem muita vela nesse barco
como virar esse jogo?
Tem como fechar a janela
Tem muito pássaro nesse ninho.
Não só de coisas boas que se vive
O mundo está contaminado
Tem muito lixo nesse rio.
O ar precisa ser filtrado
O mundo é quase uma virose
Contaminando uns aos outros
Político dando mal exemplo
Estamos no fundo de um poço
Tem como abrir uma porta
Tem como passar a flanela
QUE VIDA É ESSA?
Claudemiro Rocha
SP, 13/03/18
Que vida é essa
Que leva nossos amigos
E deixa os inimigos
A nos perturbar.!?
Que vida é essa
Que planeja nossa vida
E não deixa que a própria vida
Nos dê uma longa vida!?
Que vida é essa
Que parece ser legal
Que parece ser alegre
Que parece ser vital
Que parece uma mazela
Que parece um paraíso
Que parece uma querela!?
Que vida é essa
Que eu pergunto pra você
Mas não tenho uma resposta
Nem quando ligo a TV!?.
Que vida é essa
Tanta gente sem abrigo
Tanta morte por violência
Pouco sorriso e muita sofrência!?
Que vida é essa
Que não tem mais respeito
Que impera o preconceito
E o que tá certo é o mal feito!?
Que vida é essa
Que o aposentado não tem vez
O bandido é mais remunerado
E cada vez mais cheio o xadrez!?
Que vida é essa
Analfabeto presidente
Parlamentares corruptos
Rindo da cara da gente!?
Que vida é essa
Quem não estudou ocupa cargos
Quem estudou tá sem emprego
E o pouco que ganha é taxado!?
Que vida é essa
Se tem graça viver
Nesse país desigual
Onde a fome mata você!?
Que vida é essa
A educação aos pedaços
A saúde morrendo à míngua
E o governo de braços cruzados!?
FanacoS
