Correntina Arte & Cultura
Casa da Cultura Iozinho Costa
Textos

 OS FILHOS DE JOSÉ & MALVINA

 

               O casal tem origem na Ponte Velha, um lugarejo divisa com o município de Santa Maria da Vitória,  no oeste baiano. Lá  existia uma ponte de madeira ligando  os municípios, que de tão velha acabou sendo fonte de inspiração para dar nome ao lugarejo. A ponte deixou de existir, mas o nome ficou por herança: - Ponte Velha!

 

               Espero que ainda seja um lugar de exuberante que conheci na década de 70, uma vez que as gerações atuais mostram a força da tradição das belas características das mulheres de lá; em destaque a família Souza Rocha, cujos varões deixaram a vida na lavoura, para se investirem no comercio da cidade: José destacou-se com uma loja de tecidos para fabricação de roupas, sendo fornecedor de materia prima para dezenas de costureiros na cidade e interior do municipio; Joaquim poderiam dizer que montou um mini-shopin, ao lado do Cine Teatro, com diversificado artigos de luxo; perfumaria, bijuterias, produtos de armarinhos; artigos pessoais para homens e mulheres e até instrumentos musicais; Waldemar explorou a área de saúde, montando uma competitiva farmacia que tinha como concorrente a Farmacia Sem Rival de Pedro Guerra, sendo as duas unicas farmacia da cidade e Rafael, o caçula dos irmão montou um armazem com produtos regionais mais tarde transfornando-o em um supermercado.

 

              O casal José e Malvina já chegaram a cidade casados e tiveram nove filhos, os primeiros, creio, nascidos na Ponte Velha e os demais em Correntina,  são eles: Auxiliadora (Dorinha) Evangelista (Zinzinho) Maria Helena (Helena) Raimundo Nonato (Chula) Claudemiro (Dinda de Zé de Malvina)  Edson (Biscoitão) João Batista, (apostolo) Maria da Graça (Gracinha) e Dougival o caçula de quem não se tem registro de apelidos; porém ao mudar-se para Goiânia e abrir  uma empresa para decoração e coordenação de eventos, passou a ser conhecido por  Dodô Eventos, nome que se valeu para dar nome a sua empresa.

 

           Como se vê, quase todos os filhos teem um apelido, pois os apelidos são habitos, fortes, nas cidades do interior, onde as pessoas quando apelidadas, acabam perdendo a identidade do nome, para serem reconhecidas pelos apelidos; éo que se predomina, em  cidades do interior; onde alguém  sempre é tem um dono. José de Aurora; Geraldo de Chichico; Lulu de Iôzim... Lá é invalidada a máxima da canção  popular que diz "Ninguém é de ninguém e  na vida tudo passa”; tudo realmente passa mas alguém é de alguém... nem que seja por apelido!  E’ assim que os apelidos acabam por substituir o nome de batismo de uma pessoa.  Lá  apelido vem primeiro que o nome e o nome mesmo muitos nem sabem qual é. Os apelidos quando nascem em casa, são frutos de um mimo, de um dengo, mas quando nascidos das ruas a coisa pega! São nomes por vezes pejorativos que costumam acentuar do outro as manias, os defeitos físicos, ou se tiver origem de uma pirraça; se apelidado se mostra aborrecido pelo apelido que é chamado a coisa então vira provocação gratuita; o chmado bullying, jeito estrangeiro de dizer ou fazer uma atentação ou pirraça! 


              Em Correntina eu sempre serei "Toinho de Iôzinho" e Valmir será de Vescinho que foi de Zenilda. O bom de nossa  geração é que os apelidos não nos causaram danos morais; processos de descriminação, racismo, injuria;  aborrecimento  ou constrangimento até que sim, em alguns casos. Lá  Dinda será sempre Dinda o talentoso menino que abraçado a um violão  fazia seu show a parte entre seus amigos.  Dinda foi um menino tímido, um tanto calado,  de poucas mais certeiras palavras. Hoje pelo que se vê, o menino continua vivo no homem maduro, não se distanciando muito um do outro; ambos com suas as mesmas características  tímidas; reservados e de poucas palavras. Teem suas imperfeições, sim! incertezas sim,  mas quem de nós não as teve ou ainda não as têm !

 

               Ao  vê seus irmãos mais velhos enveredarem pelo  mundo da música, tomou o mesmo rumo, sem saber que se tornaria deles, o maior.  A História de Dinda na música começa aos 12 anos de idade quando manifesta interesse pela percussão, ou seja, o menino queria ser "baterista", mas o destino lhe tinha reservado outro instrumento que lhe foi presenteado pelo Tio Joaquim Brotim,  E qual a razão do apelido Brotim?

                Como disse que os apelidos surgem por vezes de caracteristicas pessoais ou hábitos; Joaquim Rocha se enxaixa de luva nos pre-requisito dos apelidos. Não era ele um homem idoso, talvez um quarentão no auge de sua masculinidade, que se interessava  por mulheres entre os  18 e 20 anos de idade, na ocasião chamadas de “brotinhos”. Joaquim era um homem solteiro, de boa e ilibada reputação, logo e afinal, gostar de mulheres nova é coisa natural na vida de todo homens; tinha  bom gosto no vestir; um homem vistoso que se completava como dono de  um automóvel rural willys depois um veraneio, que as pessoas chamavam de motel de Joaquim!  uau gente! O homem tinha  tudo para agradar as mulheres.  Essa  sua preferência marcou sua vida de tal forma que habitualmente passou a ser chamado por todos de  Joaquim Brotim. Esta caracteristica tornou-se herança para o seu  primogênito. Não foi chamado de Edgar Brotim, pois era o proprio brodo, aliás, na época um rapaz bonito era chamado de "pão", também já foi "gato"; o menino tornou-se um rabo de saia, com acentuado e justificado apetite pelo sexo oposto. Tomou fama de garanhão conquistador. - A conclusão  e’ que Joaquim fez uma excelente escolha quando assumiu a responsabilidade de formar uma bela família, principalmente pela mulher escolhida para esposa:  Elza Matos, uma elegante e fina jovem filha do fazendeiro Seo Lormino Matos e Joaquim, após o casamento nunca deu lugar a falatório, porém  o o apelido já era uma patente registrada, que não se apagou de sua vida. Dona Elza ficou viuva, mantendo seu porte altivo, sua elegancia admirável e mulher virtuosa. Assumiu os negócios, reformulou a linha de atuação, tornou-se empresaria e concluíra a criação dos quatro filhos: Edgar Dora, Sandra e Elson. 

...

               Joaquim era fã de carteirinha dos músicos   sobrinhos e foi quem presenteou a Dinda com um violão. Não foi o instrumento desejado pelo garoto, mas foi a certeza de tê-lo colocado no mesmo caminho dos irmãos mais belhos  Evangelista e Nonato. Quem suspirou aliviada com o presente foi Dona Malvina. Não seria fácil lidar com  dois  violões, dois cantores e uma bateria... Era  pra tirar o sossego da casa com toda aquela parafernália ao pé-do-ouvido. Óbvio que toda mãe quer saber por onde andam seus filhos. Dona Malvinha tinha a certeza  de que os seus varões mais velhos estavam em casa; ao voltarem da escola sabia ela que estavam ao alcance dos olhos e ouvidos, pelo barulho que vinha do quarto, studio prático do aprendizado dos filhos. Ali eles se debruçavam sobre os instruentos, manuais e cifras se preparando para o passo seguinte;  formar um conjunto musical.

 

FAMILIA DE  ZÉ & MALVINA          

             

                Sentindo-se já capacitados os filhos de Seo Zé e Dona Malvina partiram para a 2a. parte do projeto. As atenções se voltaram para as guitarras elétricas,  afinal era a Era  dos conjuntos jovens  que dominavam as décadas de 60/70, com o movimento da Jovem Guarda; o IE IE IE ou Rock and Roll surgido nos EUA no final dos anos 50, que chega forte no Brasil na década seguinte, era  uma versão abrasileirada a que se deu o nome de movimento da Jovem Guarda.
 

              Com excessão do irmão mais velho Evangelista que aquela  altura já havia voado do ninho rumo a São Paulo. Dinda e Nonato levaram adiante o propósito de criar o conjunto musical. Seo Ze Rocha toma gosto vendo a determinação  dos filhos em seguir uma careira musical e resolve financiar a compra da aparelhagem para formação do conjunto  e adquiriu tudo que foi preciso para os garotos formarem o tão sonhado grupo musical, ao qual deram o nome de Conjunto Jovem Os Tabajaras.
 

            OS TABAJARAS foi formado com os seguintes membros: os irmãos Raimundo Nonato, (Chula) na Guitarra base e vocalista; Claudemiro Rocha (Dinda) nas guitarras  solo americana e havaiana; o mestre professor de música José Patricio no contra-baixo. Raimundo Amaral, popular Raimundo Barata, o baterista. O velho mestre ficou pouco tempo no grupo e foi substituído por um de seus pupilos;  o jovem padeiro Luiz Bocais e por fim. Nonato o vocalista tinha apoio do back vocal formado pelos demais componentes, que deu início à sua trajetória com o apoio de um grande músico, o saxofonista Hélio Alves, que não era membro do grupo, mas era a quem os garotos recorriam quando precisavam  de uma orientação técnica.  

 

               Porém, foi  em um carnaval que Dinda  se destacou  no cenário musical de  Correntina. Dinda, Os Tabajaras  ainda não era tão conhecidos quando em um determinado  carnaval (?) Dinda deixa todos de queixo  caído ao  apresentar em um improvisado Jeep  Elétrico destroçando uma mini guitarra que foi apresentada como sendo a guitarra  havaiana,  sobre aquelas engenhoca do jeep, adaptado por Marcos Arantes, Raimundo Amaral (Barata) e outra vez  a mãozinha de Seo Hélio… E aquela coisa funcionou mesmo, para a alegria e folha da galera. 

 

O JEEP TRIO-ELÉTRICO DE CORRENTINA

                O Jeep foi o palco  onde Dinda brilhou no cenário artístico de cidade. Um minúsculo espaço para duas de autofalantes no parachoque dianteiro e trazeiro, eles se apertavam sem direito a mexer, dividindo o espaço com os modulos eletrônicos para potencializar o som. O  motorista do Jeep era Tonho de Pequenita., mais uns três músicos ou quatro e nao sei como conseguiram multiplicar o mini espaço em um palco show. Aquele carnaval entrou para a memorias dos foliões como primeiro trio jeep elétrico onde os correntinenses viveram pela primeira vez,  o som vibrante de uma guitarra havaiana. Foi uma loucura!!! Foi um delirio vê e ouvir o pequeno jovem músico, tocando os frevos pernambucanos e baianos e os foliões como se estivessemos diante de Dodô e Osmar. Correntina saia atrás do Trio que não se pode Jeep elétrico como se este fosse um trio baiano da capital. 

                                                               

                 A história musical de Correntina estaria incompleta se fosse omitida a passagem dos meninos de Seo Zé e Dona Malvina a frente do Conjunto Jovem Os Tabajaras. Dinda era considerado o menino prodígio. O Conjunto Os Tabajaras marcou um época, em toda região do oeste baiano, sendo contratada para animar bailes. Naquele época não era comum os shows em praças públicas, como hoje hoje; porém não se comparam os bailes de outrora aos show de hoje... Era bem melhor os bailes em salões fechados, a quase intimidade dos casais no salão lotado e o rostinho colado, corpo colado; cada um com seu par ao som e voz de Nonato Rocha... e assim aconteceram muitas e discretas paqueras;  chamegos que tornou-se namoro e acabou em casamentos.

 

Os cabeludos Tabajaras

Luis Bocais (Baixo) Raimundo (Bateria) Dinda (solo) Nonato (Base)

 

                  Findo aquele período febril da Jovem Guarda, Claudemiro parte para São Paulo, onde passou a ser funcionário de um Banco privado, sem se distanciar de suas tendências musicais. Ingressa em uma  Faculdade de Música,  torna-se bacharel em violão, mais tarde se especializa em cavaquinho;  também  acordeom, bateria e violino, o menino se “maestrou’ de verdade, tendo a honra de acompanhar diversos artistas da música  popular brasileira como Wanderleia, Luiz Arão, Benito de Paula e outros, passando também pela experiência musical das casas noturnas paulista.

         

 Tudo que é bom dura pouco!

  

                Não penso assim! pois creio que "Tudo que é bom" dura o tempo  certo para se perpetuar em nossa história de vida, que por sua vez, nos ensina que a vida é um momento passageiro. Sempre que os homens tentam repetir grandes movimentos artisticos ou mesmo da vida pessoal, fracassam. Como diz Lulu Santos, a vida é como uma onda do mar... Foi assim a era dos grandes boleros e sambam canções; a dor de cutuvelo de Lupcinio, os bregas de Waldrich e Odair Jose; foi assim com Novos Baianos, The Feveres, os Rolling Stone, Bee Gess, Os  Beatlhe e a Jovem Guarda... O passado não tem volta! senão em nossas lembranças, pelo que guardamos;  momento infindos, eterno enquanto dura nossa temporada de vida, cujos momentos só se vive uma vez... A onda que arrebanta na areia nunca é igual a que vira  depois dela... Nada é igual as lembranças do que foi um dia e que por certo, só a saudade é o que fica!

 

              Tudo que é bom dura o tempo certo para se perpetuar em nós as boas lembranças;  como foi  o Conjunto Jovem Os  Tabajaras. Foi “tudo de bom” para época, pois se encaixou no contexto das necessidades dos correntinenses, deixando em nossa história o rastro afável das lembranças de um tempo que passou! Felizes aqueles ainda vivem as boas lembranças; se sofremos ou se choramos. o importante é que emoções também vivemos    nós, emoções únicas .   

 

OS TABAJARAS  NA PINGUELA  

DO RANCHAO

Claudemiro  - Raimundo Amaral  - Tonho  de Pequinita  

Luiz Bocais e Raimundo Nonato

Claudemiro - Dinda  reside hoje em São Paulo onde se casou e descasou, viuvou? Não sei! Detalhes da vida famíliar que não sabemos nem ouvimos falar. Sei que tem duas lindas filhas, Camile & Carine e que é um super-pai, amoroso e dedicado, agora também um vovô babão.   A música foi a mais fiel companheira e lá se vão décadas de dedicação exclusiva. Poeta compositor letrista, que hoje, certamente,  goza de uma merecida aposentadoria; segue a vida assistindo a família crescer, enquanto futuca as redes sociais.   

 

                                                             DINDA - GUITARRISTA SOLO 

            A música continua fervilhando em duas veias artísticas, graças ao dom e a dedicação. Deus deu o dom, a vida foi o palco e nós ganhamos o presente e a honra da convivencia com este grande talento, desde menino. Nas peladas  foi bem diferente, achava-se o tal; não era  tanto assim! Era um Dinda zangado, fominha, predominando  seu jeitinho manhoso até nas várzeas.

 

          Parabéns amigo, você foi um presente Divino inesquecível, que eu, nesta instante,  com certas dificuldades oculares, busco registar como história de vida, pelo que vence representou na história musical de sua família e da nossa terrinha, Correntina. 

 

Raimundo Amaral ou Barata, continua em Correntina envolvido com a comunicação em carros de som fazendo anuncio de comerciais pela cidade. Foi um  artista atrás dos bastidores no período em que o teatro era ativo; sua atuação era trabalhas nos cenários, efeitos especiais, homem de confiança do diretor teatral Iozinho Costa. Continua uma figura presente sempre nos movimento culturais folclóricos, como os reinados  e onde quer que sua presença seja solicitado; é um voluntário presente. Onde estiver a música, está a sua alma artística. É músico da filarmônica municipal e das charangas dos carnavais e tem escrito o seu nome nos anais de nossa história.

 

Luiz Bocais o contra-baixista era padeiro por profissão e trabalhava na padaria de Ezequiel e por prazer tinha a música como fiel companheira. Luiz substituíu o Professor José Patricio no contra-baixo . Não temos conhecimento do seu paradeiro, sabemos que não vive mais em Correntina, pois não temos noticias de seu paradeiro...

 

José Patrício além de professor de música que deu formação musical a dezena s de nossos jovens, Honorato Ribeiro, vulgo José Patricio era  mestre em marcenaria, sendo gerente da marcenaria da paróquia; a primeira Ba região com maquinário elétric, que atendia o velho Educsndario São José, a matriz onde era regente do coral jovem Lira de Ouro, em  quatro vozes, (fui uma de seus pupilos); catequista;  escritor  com várias obras publicadas;  Foi o primeiro contra-baixisa na  formação inicial dos Tabajaras, depois de bem cumprida sua missão, em Correntina retornou  a Carinhanha já próximo de seu centenário de vida. 

 

 Raimundo  Nonato, (Chula) guitarrista base e vocalista da banda; viveu o drama da depressão após o término do movimento jovem. Muitos músicos e cantores profissionais ou amadores passaram por este doloroso momento depressivo, só vê o fim de um ciclo onde eram protagonistas; os holofotes os focavam e os aplausos lhes alimentavam.

 
              Mas um dia os holofotes foram apagados e os aplausos se voltaram para outros astros… de repente  acordaram sem palco e se sentiram inúteis! Alguns reagiram e se atualizaram a novas situações; se readaptaram a nova realidade adquirindo outros profissões; outros se sentiram paralisados, sem reação, buscando o álcool como um refúgio temporário e não conseguiram retornar à normalidade da vida. Tornaram  dependentes do álcool ,,, É lamentável!

       

          Meu amigo Nonato teve o apoio incondicional da família, que deu a Ele toda assistência e tratamento possível para trazê-lo de volta à realidade da vida. Todos  nós  sofreram com a situação do Chula. Não  lhe faltou apoio da família e dos amigos próximos. Não foi fácil para Seo Zé e  Dona Malvina, nem para os irmãos, vêem um ente-querido se apagando sem forças para se levantar.  Foi bem cuidado pela família e quando se mudaram de Correntina  para Goiânia o levaram junto acreditando que a mudança renovaria os ares, os ânimos… cuidaram dele até o seu último instante e em Goiânia veio a falecer. 
 

                 Vivi no momento uma situação bem igual, com meu cunhado, também músico com passagem por várias bandas em Curitiba entre os anos 2000 e a história se repete... idem… idem…!

Vavá Cunha  e Claudemiro - Dinda

Museu Cerrado. GO

 

                Goiânia tornou-se o refúgio de nossos grandes talentos. Entre  outros lá estão Henrique Soares, Hélverton Baiano, Laercio Correntina, Welson Moreira. Alguns desses costumam se encontrar de quando em vez  no Museu do Cerrado. Dinda vem de São Paulo  e de Correntina vem Vavá Cunha; juntos com artistas Hélverton Baiano, Henrique Soares transformando O Museu do Cerrado num pedaço do céu  correntinense iluminado por nossas estrelas,m; o  que  acalanta os ais da terrinha,  com músicas, poesias, abraços e recordações de montão, afinal Goiânia tem um pedaço significativo de nossa correntina.

 

            E assim concluo esse breve relato de nosso eterno Dinda de Zé de Malvina o  o baita músico o amigo de infância, de madrigais. Um contemporâneo. baiano de Corrrntina Ba.

 

FanacoS


As Dindocas do Dinda

Camila & Carine

 

OS ASES DO NOSSO BARALHO ARTISTICO

Magnovaldo  Vavá  - Claudemiro  Dinda  - Hélverton Baiano

E Henrique Soares

Museu do Cerrado Goiânia -Go

NOTA FLAMARION:     
Este conteudo faz parte da coletânea de poesias Vestígios DE Saudade, composta por 25 poetas correntinenses.  A Obra completa em PDF pode ser solicitada sem custos peçp  email flamarionaacosta@gmail.com

 

 

Dinda ao lado da Wanderlea 

 

IMPACTO

Claudemiro Rocha

SP., 01/12/17

 

O meu impacto foi maior que o seu

Danos lesivos você não sofreu

Eu tive grande perda de memória

E a minha história você esqueceu.

Você saiu ilesa, numa boa

Minha cabeça se fez uma coroa.

 

Talvez de padre ou de um sábio rei

E príncipe nessa vida nunca serei.

Mesmo com a cabeça meio tonta

Fiquei mais sóbrio do que você

 

Saí correndo, não sei porque

Talvez, quem sabe para agradecer.

 

Agradecer porque saí intacto.

Apenas com alguns ferimentos.

Minha cabeça é meio que cimento

Não ter morrido foi meu merecimento.

 

 

FUNDO DO POÇO

Claudemiro Rocha

São Paulo 12/01/2017

 

Tem muito sal nessa água

Tem muito açúcar nesse vinho

Tem muita vela nesse barco

Tem muito pássaro nesse ninho.

Não só de coisas boas que se vive.

 

O mundo está contaminado

Tem muito lixo nesse rio

O ar precisa ser filtrado

O mundo é quase uma virose

Contaminando uns aos outros

Político dando mal exemplo.

 

Estamos no fundo de um poço

Tem como virar esse jogo

Tem como fechar a janela

Tem como abrir uma porta

Tem como passar a flanela

 

 

AMOR QUE NÃO SE EXPLICA

Claudemiro Rocha

 

O tempo passa

e a saudade só aumenta

E faz doer o meu peito sofredor

Só quando eu lembro

da minha linda Correntina.

 

É que a saudade aumenta

e cresce o meu amor

Esse rio que corre

em águas cristalinas

Já fala tudo o que é essa cidade

As sete ilhas

com suas águas todas límpidas

Encantam homem, mulher,

menino e menina

 

Lembro-me da bola de gude e de meia

Das tardes quentes nesse rio a banhar

Do buracão e das peladas todo dia

Correm-me lágrimas

quando paro pra pensar

 

Depois da janta ia pra praça da matriz

Brincar de esconder, correr até cansar

Eu era criança, era menino e bem feliz

 

Ai que saudade

eu não posso nem lembrar

Quero esquecer o meu passado,

não consigo

Mas se eu esquecer

não tenho história pra contar

 

Acho melhor sofrer

lembrando o que passou

Sofrer assim o que me faz só chorar

O que é que tem

essa cidade que me encanta

É um amor

que eu não sei muito explicar

Já se passaram muitos anos,

não esqueço

E Correntina na minha mente vai ficar.

 

 

TEMÍSTOCLES, O CURANDEIRO

Claudemiro Rocha

São Paulo - SP 12/09/17

 

Em Correntina existia um senhor

Não era médico, mas era um doutor

E o nome dele era Temístocles

Curava o povo com suas raízes.

Tinha sua venda como passatempo

A sua roça que era o seu sustento

Tinha cavalo, égua e até jumento

Homem de fibra, só vocês vendo.

 

Criou seus filhos na pura dignidade

Era severo dentro da sua realidade

O povo chora porque tem saudade

E chora gente de todas as idades

Casar cedo era uma obrigação.

Naquela época e naquele mundão

Fazer família era de todo cristão

E ele fez com muita boa intenção

De curandeiro a vereador.

Assim se foi o nosso contador

Ele foi um grande agricultor

 

Histórias e prosas que o povo admirou

Católico, não perdia uma missa.

Tinha seus dogmas e suas premissas

E uma sociedade que lhe exigia

Responsabilidade, caráter e magia

Ele preencheu todos os requisitos

Tinha que ser assim e era bem visto

Pôs no mundo mais de dez filhos.

 

E o seu papel de pai foi cumprido

Tenho certeza que ele agora está

Lá no céu à direita do seu pop star

E foi o Senhor quem mandou buscar

Para no céu, suas histórias contar.

- Não importa fazendo o quê.

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PAREI DE ZANZAR

Claudemiro Rocha

SP., 18/03/20

 

Parei de zanzar

Com esse vírus na rua não dá

Pra ficar indo pra lá e pra cá

Não acredita?

- Ele pode te matar

Parei de zanzar

 

Minhas “brejas” em casa vou tomar

Assistindo as minhas notícias

Que toda hora a televisão dá

Parei de zanzar

 

Já tô recluso no quinto andar

De quarentena mas com um olhar

Atento aos fatos que devem chegar

Parei de zanzar

 

Não vou dar mole pro azar

Pois quem é novo está partindo

E não é hora pra eu viajar

Parei de zanzar

 

Não é hora para brincar

Cada um fazendo a sua parte

Esse vírus não vai mais propagar

 

Residência onde viveu a familia de Zé e Malvina 

 

 

SUA INFÂNCIA JÁ PASSOU

Claudemiro Rocha

(Sua boneca foi pro lixo)

SP., 17/03/25

 

Menina distraída

Sua boneca já quebrou

Se esqueceu de namorar

Sua infância já passou

 

Seu príncipe encantado

Já quer desistir de você

Perdeu até seu endereço

Não sabe mais o que fazer

 

Menina abre o seu coração

Sua boneca já foi pro lixo

Nem rede social você tem

Assim, você parece um bicho

 

Seu príncipe vai dar uma chance

Só não quer ver você distante

Atire de vez nos braços dele

E fique agora mais vigilante

 

O amor é uma oportunidade

Não vai deixar passar essa

Outras poderão não aparecer

E todas da sua vida desaparecer

 

Menina tome uma decisão

Sua hora mais que já chegou

Esquece sua boneca do lixo

E atire nos braços do seu amor

 

Vista aérea Rio das Éguas:

Correntina BA Fonte: Redes Sociais

 

FUNDO DO POÇO

Letra e música de:

Claudemiro Rocha

São Paulo 12/01/2017

 

Tem muito sal nessa água

Tem muito açúcar nesse vinho

Tem muita vela nesse barco

como virar esse jogo?

 

Tem como fechar a janela

Tem muito pássaro nesse ninho.

Não só de coisas boas que se vive

O mundo está contaminado

Tem muito lixo nesse rio.

 

O ar precisa ser filtrado

O mundo é quase uma virose

Contaminando uns aos outros

Político dando mal exemplo

Estamos no fundo de um poço

 

Tem como abrir uma porta

Tem como passar a flanela

 

 

QUE VIDA É ESSA?

Claudemiro Rocha

SP, 13/03/18

 

Que vida é essa

Que leva nossos amigos

E deixa os inimigos

A nos perturbar.!?

 

Que vida é essa

Que planeja nossa vida

E não deixa que a própria vida

Nos dê uma longa vida!?

 

Que vida é essa

Que parece ser legal

Que parece ser alegre

Que parece ser vital

Que parece uma mazela

Que parece um paraíso

Que parece uma querela!?

Que vida é essa

Que eu pergunto pra você

Mas não tenho uma resposta

Nem quando ligo a TV!?.

Que vida é essa

Tanta gente sem abrigo

Tanta morte por violência

Pouco sorriso e muita sofrência!?

 

Que vida é essa

Que não tem mais respeito

Que impera o preconceito

E o que tá certo é o mal feito!?

 

Que vida é essa

Que o aposentado não tem vez

O bandido é mais remunerado

E cada vez mais cheio o xadrez!?

 

Que vida é essa

Analfabeto presidente

Parlamentares corruptos

Rindo da cara da gente!?

 

Que vida é essa

Quem não estudou ocupa cargos

Quem estudou tá sem emprego

E o pouco que ganha é taxado!?

 

Que vida é essa

Se tem graça viver

Nesse país desigual

Onde a fome mata você!?

 

Que vida é essa

A educação aos pedaços

A saúde morrendo à míngua

E o governo de braços cruzados!?

 

FanacoS

 

 

 

 

 

 

 

 

Flamarion Costa
Enviado por Flamarion Costa em 14/03/2026
Alterado em 30/04/2026
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