Correntina Arte & Cultura
Casa da Cultura Iozinho Costa
Textos

HENRIQUE SOARES

(Henrique de Jacyra)

 

       Há vozes que não apenas cantam — contam histórias.
A voz de Henrique Soares é assim: nasce mansa, aveludada, carregando em si o peso delicado da memória, da saudade e do amor por nossas  origens.

 

            Filho de Edvaldi Rodrigues da Silva (Valdo de Limirio - como era conhecido) e Jacyra Soares da Silva, Henrique teve a infância marcada, desde cedo, pela perda do pai, mas nunca pela ausência de amor. Criado sob o cuidado atento da mãe e da avó, Dona Maria, aprendeu que a vida se constrói com dignidade, trabalho e afeto. É  nesse ambiente simples e firme que germinam homens sensíveis que resulta em um artista atento ao mundo.

 

            Casado com a correntinense Creusnice Magalhães da Trindade Soares, o casal tem dois filhos — Fernando Henrique Magalhães Soares e Ana Paula Magalhães Soares, ambos advogados inscritos na OAB-GO, além de um neto de oito anos, Miguel Araújo Soares, que é o xodó da família.

À primeira vista, Henrique Soares parece tímido. Doce engano! Em sua música habita uma ternura madura, feita na observação, silêncio e escuta — qualidades raras, que o tempo não apaga. Sua trajetória profissional o conduziu de Correntina a Coribe, na Bahia, no início da década de 1990, onde o rigor do ofício cartorial caminhou em harmonia com a fidelidade à arte. Contudo, entre a estabilidade do serviço público e os caminhos da carreira artística, optou pela primeira, sem jamais abandonar a sensibilidade que o definia. Mesmo longe da terra natal, nunca se afastou de suas raízes: Correntina sempre pulsou em suas canções.

 

            Foi nesse exílio voluntário, motivado por questões profissionais, que o poeta despertou por inteiro. A saudade e a expectativa dos reencontros, o amor e as paisagens do Rio Corrente transformaram-se em melodias e versos que ganharam forma no álbum Onde Tudo Começou, editado em 1999, com arranjos musicais do maestro Cássio Murilo e prefácio do jornalista e escritor Hélverton Baiano.

          Ao lado de parceiros como Magnovaldo Cunha (Vavá), Henrique traduziu sentimentos coletivos em canções que pertencem não apenas a eles, mas a toda uma gente. Esse álbum não é meramente um registro artístico. É um lugar de retorno. Um convite para revisitar a infância, o rio, as ruas, as dores e a esperança. 
 

             A mudança para Goiânia (GO) trouxe desafios inéditos e encontros decisivos. Entre amigos, poetas, músicos e conterrâneos, Henrique reafirmou que a arte não precisa de pressa nem de holofotes: ela floresce quando a arte e a competência caminham ao lado do reconhecimento e da naturalidade do artista.

 

             Seu retorno aos estúdios ocorre em 2005, especialmente na regravação da Valsa Correntina — hoje hino oficial de nossa cidade, autoria de Teófilo Guerra — foi um gesto de amor à memória: um despertar musical que ecoa fundo no coração de quem a escuta.

 

               Este CD conta com duas faixas em dois maravilhosos arranjos para a eterna valsa: A primeira, em estilo clássico, destaca-se pela busca di equilíbrio, beleza e harmonia. A segunda traz um notável arranjo que nos remete à saída e à chegada das bandeiras do Divino e do Rosário, bem como às Folias de Reis em nossa terra natal. Trata-se de uma escolha proposital, que busca evocar essa lembranças de nossas tradições folclóricas e culturais.

 

              Henrique Soares canta para lembrar, para reunir, para não deixar que o tempo leve o que o amor construiu. Porque, enquanto houver memória, haverá canto — e, enquanto houver canto, Correntina continuará viva. Henrique Soares e Magnovaldo Cunha (Vavá) formaram uma grande dupla de compositores cuja musicalidade e letras que fazem parte do seu primeiro CD é um arquivo vivo de memórias que insiste em não deixar que o passado seja passado, mas que pulse cheio de saudade quando ouvimos essas canções. Que ainda registra como Que parceiros Zeca Bahia e Clôdo.

Viva a Correntina vida, adormecida em você!!

 

OS ASES DO BARALHO ARTÍSTICO DE CORRENTINA

FanacoS .

 

ONDE TUDO COMEÇOU

Henrique  Soares

 

Desce o rio de águas cristalinas

E o sol reflete a areia branca da ilha

Ficar contente é com essa gente

Correntina

Está na canção de Sá e Guarabyra

Correntina tem calor!

 

Gira, gira roda d´água

E traz de volta

Meus tempos de menino

Quando eu jogava pião, bola de gude

E traquinava pelas ruas da cidade...

 

Me lembro agora do meu primeiro amor,

Da roupa nova dos dias de domingo

E dos colegas da minha escola

Foi aqui, onde tudo começou.

Foi aqui, onde tudo começou.

 

Estou, estou de volta Correntina.

Estou, estou de volta Correntina.

 

 

    

DESÉRTICA

Henrique Soares CD: Onde tudo começou

 

Morcegos metálicos  Bombas de sucção

Pousaram, invadiram

O oeste da Bahia

 

Terra queimada

Vampiros mecânicos

Cegos, sedentos

Vão sugando o sangue dos rios

 

E o que será da natureza

Sem os pingos da chuva

Sem a fauna e a flora

E do orvalho sem flores?

 

E o que será da nossa terra

Sem essa linda paisagem

Sem fonte, sem nada, desértica?

E o que será da nossa terra

Sem essa linda paisagem

Sem fonte, sem nada, Desértica?

 

 

LAMENTO

Henrique Soares

CD: Onde tudo começou

 

Izildinha não se importe Com esse meu chorar

Essa música que o vento sopra

Vem dos arcanos do mar.

 

Não é falta de amor

Pois amor igual ao seu não há

Tô chorando é pela fome

E pelo caos desse lugar

 

Que adiante ter amor

E não ter nada mais pra dar

Ver os filhos todos chorando

Sem um teto pra morar.

 

Às vezes fico pensando  Como alimentar

a chama do saber

Sem livros e sem escolar

Criança na rua, cheirando cola

Não há razão assim pra viver.

 

Tomara que esse lamento

Um dia venha se acabar

Que a gente tenha saúde,

Trabalho, escola e casa pra morar

Museu do Cerrado - Goiania GO

 

 

PRA QUE TANTA GUERRA?

Henrique Soares

CD: Onde tudo começou

 

Não entendo porque o homem faz a guerra

Esse mal avassalador

Há tanta violência nos grandes centros

Esta faltando paz interior.

 

Poxa!

Já são tantos os problemas

Fome, doenças letais

Quantos por aí sofrem demais

No dia a dia dessa vida.

 

Pare um instante pra pensar

É bom dormir em paz e acordar

 

Pra que tanta guerra

Tanta falta de esperança

Que só vêm conturbar nossos sonhos, nossa dança

 

Pare e pense no melhor da vida

Esqueça essa dor, essa ferida

E diga não à gana, não à opressão

Yes para o amor

E um mega sim pra vida.

 

 

 Nesta foto está  a maior das composições do poeta e a sua mais perfeita tradução do amor.

A FAMILIA  SOARES   

 

 

 

 


 


 

 

 

 

 

 

Links para canções :

SAUDADE do VAPOR: https://www.youtube.com/watch?v=dIcG4DLQTic&list=PLL2TlAVuM0868CACM4TnAcPC-2XBUdWBG&index=3

 

VALSA CORRENTINA 1 https://www.youtube.com/watch?v=w8cVK4YhLGI&list=TLPQMjIwMzIwMjZ8XOsP5O6R-w&index=3

 

SE TENS EU TENHO: https://www.youtube.com/watch?v=wIvQkrHPdng&list=PLL2TlAVuM0868CACM4TnAcPC-2XBUdWBG&index=5

 

XOTE DE MINHA TERRA: https://www.youtube.com/watch?v=H3bLEa9MVmw&list=PLL2TlAVuM0868CACM4TnAcPC-2XBUdWBG&index=14

Flamarion Costa e Flamarion Costa; Henrique Soares
Enviado por Flamarion Costa em 21/03/2026
Alterado em 25/07/2026
Comentários