Correntina Arte & Cultura
Casa da Cultura Iozinho Costa
Textos

GERALDO BEZERRA

e o Seo Pai ChiChico

 

               Geraldo Bezerra, ou Geraldo de ChiChico É o filho caçula de nove irmãos, e não poderia o jovem travesso, senão  navegar nas águas tranquilas do oceano musical desta harmônica família de cantores e músicos. Até parece que ao  nascer receberá cada um caderno pentagrama para em  algum momento desenvolver as habilidades musicais  comum família.  

 

               Enquanto isso não acontecia, Geraldo o caçula se dedicava a ser o menino comum como todo menino nascido na década de 50. Limitado ao sair longe de casa o que induzia os meninos da época fazerem amizades nos limites de rua ruas; geralmente pois ir alem dela sem autorização expressa,  era a certeza de um cinto ou uma palmatória a mostrar o preço da desobediência e da falta de respeito aos mais velhos, era regras invioláveis. 

 

               Todos se divertiam em sua zona de conforto.  Porém isso não durava  muito tempo para os meninos que se davam a ocupação laboral, alguns sem a obrigação ou o compromisso de ajudar nas despesas de casa; mas por aprendizado de que o trabalho era o caminho do futuro e a forma mais direta deles realizarem  pequenos desejos. Entre algumas atividades estavam a de engraxate de sapatos; vender pão, broas, biscoitos, bolos; carregando na cabeça os tabuleiros de madeira anunciando aos gritos o produto a venda:

 -  Ei o pão de sal e de doce! De Seu Petronio!
  - Eiii o pão de leite de Dona Rosa … olha a peta! olha a broa!


         Outros vendiam o pão de Seo Dioclécio; bolos e pêtas  das Irmãs Dontas; com exceção de Amália, irmã de Aurélio doido pois esta vendia Ela mesma o que produzia em seus forno e fogão.

               Geraldo foi ainda coroinha do Pa. André nas celebrações das santas missas e foi meu companheiro no coral  Lira de Ouro, regido pelo Mestre José Patrício, cantado em quatro vozes.

 

               Sua vida dera uma reviravolta a  partir dos 15/16 anos, quando  subiu em um  pau de arara; quem sabe na velha  jardineira dos Badecos tomou o rumo do cancelão e  ,ganhou  o cerrado, com destino a Capital Brasília que nascia no planalto central do Brasil.

               Geraldo de ChiChico certamente guarda na memória a travessia do inóspito cerrado; era uma doce aventura aquele  pedaço farto do paraíso;  cheio de encantos e frutos típicos da região. Era um  mar de areião; sol a pino e noites geladas... paisagens indescritíveis!

                 A noite um céu encantador, tomado de estrelas que não se via no céu da cidade e de dia, a baixa vegetação do cerrado a nos permitir vê do alto da carroceria do caminhão o vasto horizonte; árvores de pequeno porte,  retorcidas e muitas delas frutiferas; de quando em vez animais atravessavam a frente do caminhão: emas, seriemas, tatu, tamanduá bandeira,  raposas e guajatiricas em bandos, até a onça-pintada dava o ar da graça, rondando o caminhão parado por alguma razão no meio do ermo noturno, quando se ouvia o urro da onça o medo tomava conta dos passageiros que não se arredavam de cima da carroceria, do pai de arara, com todos os cuidados tomados.

               
 

 

 O cerrado era de fato um  pedaço do paraíso que Deus nos deu e não valorizamos sua riqueza insondável flora, fauna e muita água. Aqui e ali  mais distante, um morador solitário, nenhum povoado próximo e era nesses lugares o ponto de parada para um descanso rápido, quando os passageiros esticavam o "espinhaço aliviando a pressão na coluna e as dores no “coqui". Ali e faziam rápidas refeições, abrindo as latas de farofas e brevidades sem o sacolejo do caminhão.

 

               Geralmente dois passageiros viajavam na primeira classe do velho Pau de Arara; era a boleia ao lado do motorista, mas isso era privilégio de poucos; as  pessoas do relacionamento do dono do caminhão ou do motorista.

 

           Os motoristas eram profissionais tidos por bravos até  heróis, pois que desbravaram o cerrado, por trilhas que eram abertas conforme a necessidade de si desviar de um atoleiro ou qualquer outro obstáculo,! Lá íam eles fazendo a trilhas para quem vinha atrás.  Entre os tantos motoristas desbravadores conhecemos o Velho Cordeiro e Olegario os mais antigos e destemidos; o nego Emilio e Vavá de Samavi; Pedro e Valmir filhos de Olégario, Seo Vessinho, Ze Moreno e seu filho Reinaldo de Anápolis os lendários irmãos Badecos foram os grandes "show-fer” de caminhões.
 

            Lá pelo fim deste período,  uma ou quase duas décadas depois surge a nova geração que assume a travessia do Cerrado. Reinaldo Alcântara não foi motorista porém um comerciante de  visão empresarial; tinha faro apurado para ganhar dinheiro. Entrou para o clube dos caminhoneiros de Correntina ao adquirir um caminhão, contratando concunhado Pedro de Olegário para motorista com a missão  de capacitar seus filho Reizinho e Bila  que logo entraram para o seleto clube dos motoristas de caminhão.
 

               Reizinho, o primogênito passada a fase dos pais de arara entrou para a política onde ficou por alguns mandatos na função de vereador e Bila se manteve nos caminhões até que um acidente fatal o vitimou... 

                  Os pontos de paradas eram fixo, e entre eles estavam o preto Aurelino, gente boa! a velha da galinha e o café sem troco onde a regra era pagar com a nota ou moeda que tivesse no bolso; óbvio que havia por parte dos passageiros a consciência da situação e alguns já levavam dinheiro trocado, entretanto a maioria fazia sua matula de farofa, biscoitos e bolos consumidos durante a viagem.


           Água para beber não se comprava, era farta e pura na região. Direto do aquífero urucuuba e o passageiro só não podia ser fresco em querer exigir copos lavados a toda vez que se usava entre um e outro que  bebesse água dos velhos potes de barro, expostos na sala dobre um tripé, o próximo ajudar passava uma “aguazinha” rápida, jogava-a porta afora no terreiro e esborrava  o copo para o próximo da bandeira . 

 

           A velha da Galinha era um dos pontos tradicionais de  parada; casinhas de taipa  numa mistura melhorada e chão batido. Eram recebidos com muita satisfação e um riso largo pelo morador ao vê  um caminhão encostar com sua carga humana, a caminho da Capital.

 

           A depender da hora em que os caminhões partiam da praça do Hotel de Vivi, ponto de chegada e partida; levavam à noite e meio dia chegar  a divisa Ba/Go, hoje localidade do Rosário. As vezes 24 horas depois chegavam a Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante a 550km de Correntina seguindo mais 240km para findar a jornada em Goiânia, Vila Nova o Porto Seguro da baianada.  

           O horário de partida se dava no final da tarde, quando os caminhões com pouco mais de duas horas enfrentavam o areião pesado; o motor era posto a toda prova. Vencido o mar de areião e o frio do cerrado, vinham as campinas e as belas paisagens dos buritizais, das veredas alagadas.  

               Na volta à Correntina por vezes se dava uma paradinha para colher frutos a beira da estrada, como caju, araticum, pequi, cagaitas, araça e outros frutos típicos da região. 

            …

O PAU de ARARA

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               Ao chegar em Brasília Geraldo não se acanhou em nada; estava preparado para o batente e arregaçou as mangas indo   à luta como pequeno aprendiz. O filho de Seo ChiChico não negou a raça e a determinação do pai.


          Foi jornaleiro, vendedor de amendoim torrado na rodoviária do Plano Piloto, distribuiu panfletos comerciais pela W3 e paradas de ônibus, até conseguir o primeiro emprego de carteira assinada.


            E você aí achando que Geraldo sempre teve vida fácil m! Ralou desde menino, muito trabalho, muito suor… não viveu de herança, apesar de ser filho do grande Seo ChiChico! 

   

               Seu primeiro emprego de  carteira assinada foi em um supermercado, por certo a rede Cobal - Companhia Brasileira de alimentos, dominante do mercado na ocasião. Também trabalhou em dois restaurantes conceituados da capital: O Restaurante BEIRUTE e ARABESK considerados o “Food Point" da Capital  na avenida W3. Alí desenvolveu aptidões culinárias, especializando-se em comidas árabes até passar em concurso do BANEB, Banco do Estado da Bahia, agência Brasília, onde permaneceu por seis anos,  quando retorna à Correntina a convite do cunhado, então  Prefeito Almir Bispo dos Santos, nos seis meses finais de seu mandato, para assumir a Tesouraria e Ele topou. 

 

                 Um fato inesperado aconteceu naqueles meses finais de mandato o Supremo Tribunal Eleitoral - STF  alinhou as datas das eleições municipais e federais, por esta razão os prefeitos foram mantidos nos cargos por mais dois anos. O Prefeito Almir Bispo ao se manter no cargo, também manteve o cunhado Geraldo.  

Geraldo Bezerra - a filha Larissa Bezerra

               Uma vez em Correntina, Geraldo começa a se destacar em meio aos jovens, ao criar o grupo que chamou de Jovens Unidos por Correntina. O grupo era composto por sessenta (60) participantes, comprometidos com a assistência social, que também passou a contar com o apoio do comércio local e da própria Prefeitura. 

 

              Os jovens, sob liderança de Geraldo Bezerra, realizavam mutirões pela periferia da cidade e no interior do município, assistindo as famílias carentes em suas necessidades básicas, desde uma simples cesta de alimentos aos mutirões para pequenas reformas residenciais. Tais atividades lhe serviram de trampolim eleitoral para o seu ingresso na vida pública o que ocorrerá nas eleições seguintes. 

 

            Geraldo é eleito Vereador nas eleições de  1982 com reeleição em 1986. Seus mandatos foram dedicados a assistência sócias já iniciada quanto tesoureiro, passando a dedicar-se na área do entretenimento jovens, quando também inicia suas atividades na área da música. 
 

            Já 1981 consegue patrocínio com um empresário que naquele momento atuava no reflorestamento que substituía a vegetação nativa do cerrado por imensas plantações de eucalipto, exportados para outros estados para a fabricação de celulose (celulose, soja, algodão, milho, feijão… quantas fábricas de benefiamentos perdemos para Luiz Eduardo e Barreiras por falta de visão empresarial desses tacanhos gestores de Correntina!?)

 

           O empresário patrocinou os equipamentos e instrumentos para formação da  banda GERAS’SOM, tendo em sua primeira versão o baterista Raimundo Barata; tecladista Tézinho; na guitarra base Tazinho e , Luiz Bocais no contrabaixo. Geraldo foi buscar uma joia  rara na cidade de  Carinhanha,  o jovem talento chamado Magnovaldo Cunha, o popular Vavá; guitarra solo e vocalista que conquistou os correntinenses com seu timbre de voz raro. José Bezerra, seu irmão mais velho no sax alto, Geraldo vocalista principal e no back vocal  estavam  Eleuse Rubia e Sandra Rocha, que mais tarde se tornaria sua esposa, mãe dos seus dois filhos Arthur e Larissa.

Banda GERAS’SOM


 

               Geraldo gostou da experiência e se tornou um empresário na área musical, O grupo foi  passando por renovações  e novas revelações firam se incorporando ao grupo , surgindo inicialmente as bandas Gerad´Som e a Banda STYLOS com Romeu Ferreira e Greg e neste  mover de peças nasce surge a Expressão Baiana que também atuou como trio elétrico e nos parece ter sido a mais popular das bandas neste período. Todas as bandas atuaram no  oeste baiana e região fronteiriças Minas e Bahia.

 

        Em 2002 Geraldo encerra suas atividades de empresário na área musical, deixando grande herança que perdura até os dias de hoje como: Rodrigo Araújo, um baita contrabaixista; Marcelo, filho de Raimundo Barata, baterista; (hoje residente em Bruxelas-Bélgica) o percussionista Vagner, o vocalista Weber Guerra também guitarrista; tecladista Erionaldo, filho do grande sanfoneiro Tezinho e no “Back vocal” passaram José Neto, Marisa, Eleno Neves, Sandra, Ele Geraldo e outros.  Deste período ainda surgiu a banda ARCO IRIS MIRIM, fechando este ciclo de atuações sob a influências e o olhar atento de Geraldo Bezerra.

 

              Por fim aposenta-se dos palcos e da participação direta a cargos eletivos; passa a atuar nos bastidores do minado território política, onde um passo em falso pode armar uma bomba sobre sua cabeça!  Obvio que agora na condição de empresário e tendo por sócio o filho Artur Matos Bezerra, graduado em Engenharia Civil, que juntos criam a empresa MRB Engenharia Ltda, passando a desenvolver projetos públicos e privados. Como em toda cidade do interior, as prefeituras são os maiores clientes dos profissionais liberais, em Correntina não foi diferente, a MRB passa a desenvolver projetos para a Prefeitura Municipal e particulares.

 

              Como se vê, é notável o curriculum do garoto septuagenário que também se revela poeta; o que marca em definitivo sua passagem pela vida cultural de Correntina. Geraldo Bezerra é uma de nossas joias lapidadas com esmero, que se serviu e agora  serve a estrutura municipal, pelo que oferece de seus serviços. 

 

O PATRIARCA dos BEZERRAS 

O grande humorista de Correntina

(Francisco & Alice)

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      E’ impossível
 falar de um membro da família Bezerra sem envolver esta prole exemplar celeiro da celebridade culturais no município. O dom é uma dádiva natural  sem que ninguém precise carregar o outro. Cada um é um astro de tem brilho próprio na “Chichicultura” de nossa Correntina. certamente o dom emergem do fundo da alma artista que vem de berço.

 

        O patriarca Francisco de Oliveira Bezerra, popular Seo ChiChico é o astro maior desta constelação que abriu as portas do século XIX nascendo no ano de 1900 no povoado do Arrojado, Correntina – Ba e por lá se casou (1932), com Alice Fernandes Silva Bezerra. Tiveram nove (9) filhos: Terezinha, José, (saxofonista e maestro) Adelaide, Stela, Maria da Conceição, Ana, Maria Alice, Isabel e Geraldo o filho caçula.

 

       Mudou-se para a sede do município no início dos anos 30, logo que nascera a primeira filha, Terezinha sendo os demais nascidos em Correntina. Uma vez na cidade, procurou atividades laborais para  assegurar o pão de cada dia da tropa que crescia. Aos poucos ChiChico foi se moldando ‘a medida das necessidades. Montou uma sapataria; depois um atelier de artesanatos e pinturas; depois uma marcenaria onde talhava madeira para fabricação de moveis rústicos. Não precisamente nesta ordem. Fazia de tudo um pouco, se valendo do conhecimento prático, observando outros profissionais.

 

               Fabricava chapéus de couro, por ele chamados de “Discos voadores”, em razão do formato da aba avantajada, além de esculpir esculturas na madeira. Por muitos anos foi o pintor das gravuras nas bandeiras religiosas que decoravam as procissões e as festas tradicionais folclóricas; tendo também exercido a função de auxiliar de contabilidade da Prefeitura Municipal.

 

               Chichico era um homem muito inteligente, superando as limitações da época ao se valer do conhecimento prático para fazer de tudo um pouco e bem feito!   Neste ínterim foi músico percursionista da Filarmônica Heráclito correntinense, no período do seu grande apogeu, responsável pela percussão dos “pratos de dois”, também chamados de pratos de choque, mas que para a meninada da saudosa filarmônica  de tabocas era simplesmente dois pratos  que vinham calhar com os pratos de alumio que existiam em suas  casas; os pegavam escondidos para uso na filarmônica de tabocas e aí já viu... a barulheira infernal que depois de uma apresentação os pratos não tinham mais nenhuma serventia.  

 

              Seo Francisco, popular Chichico foi um homem simples, afeiçoado por todos; aprendera ler e escrever como a maioria dos homens e mulheres da época;  por conta própria ou com o apoio de uma alfabetizadora que usavam o ABC e a velha cartinha se valendo de sua capacidade autodidata já que poucos professores haviam no municipío,  se dedicou também por conta própria para superar a precariedade da época, além de suas atividades pessoais, chegou a ser auxiliar de contabilidade na prefeitura  Municipal.

 

                O grande destaque de Seo Chichico era o humor; foi o maior humorista na história de correntina, não se tem referência de outro. Sua criatividade era fantástica, explorava a pré história, dizendo ter em seu sítio baleias, mamutes  dinossauros.  Ser extraterrestre  até mesmo um casal de Nego D‘água. A sua volta muitos se acomodavam para ouvir as traquinagens de seus animais e seres. Divertia os ouvintes na esquina de Seo Anjo ou nas horas de folga na velha prefeitura, contando seus causos.

 

                        Correntina ainda não tinha televisão e o rádio era o veículos de comunicação revolucionário da época; ter um rádio era ter um objeto de luxo. Aqueles que tinham um rádio geralmente lideravam as conversas de grupos, quando se reuniam para discutir assuntos diversos ou ouvir programas de  rádio ao final da tarde ou a noite assentaria a porta, ouvindo modas e programas de humor. A  prosa rolava se estendia por altas horas. Seo Chichico provavelmente tinha um rádio em casa, a pilha para ficar assentado na porta da rua. Era muito bem informado; não se tinha em razão do seu rádio a pilhas.

 FAMÍLIA BEZERRA

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               Era Ele a grande referência quando se tratava de humor. Suas histórias impressionavam pela lucidez com que contava as peripécias ocorridas no seu sítio, próximo ao Morro do Estreito, lá pras bandas da Luzia. Um lugar místico por natureza, cheio de crendices e fascínio;  um lugar cheio de "livusias" ou assombrações. Segundo Ele até o extraterrestre ET andou bisbilhotando seu sítio com  seus discos voadores invisíveis! Seu sítio era mais que um parque arqueológico, ou uma arca de Noé, era uma nave do tempo fosse passado ou futuro, que  saía de um extremo para o outro com a rapidez do pensamento…

             

                Diziam que Seo ChiChico era poliglota, mas essa qualidade era fruto de sua fantasia, se havia dificuldades de se aprender a lê e escrever o português, imaginem outros idiomas?!. No mais  de quando em vez era que chegava uma revista ou um jornal na cidade, geralmente com dias ou semanas de sua publicação. Somente quando alguém influente ía até a capital, traziam consigo jornais e revisas que liam no trajeto e ao chegar passava aos amigos cultos da cidade para vê o que a impressa dizia em detalhes dos fatos ocorrido ou em ocorrência. Ao chegar em Correntina já não eram notícias velhas e mesmo assim os jornais e revistas eram repassados de mão em mão das autoridades e amigo e por fim, quando chegavam as mãos de Iôzinho e ChiChico eram guardadas com carinho para serem utilizadas em suas atividades artística, pois delas copiavam modelos de roupas para cortejos das festas folcloricas da cidade; modelos de roupas para jovens que se cansavam dos modelos tradicionais feitos pelo profissionais locais, uma vez que roupas não se achavam prontas, eram feitas sob medida. As revistas da época eram O Cruzeiro (1928/2000) Modernidade e Senhor (1952) e a Revista  Manchete (1952/2000).

 

               Não se conhecia outro idioma falado na cidade, senão quando estiveram em Correntina os americanos Dicks e Kennedy espiões que  mapeavam  nossas riquezas minerais,  há em busca de terras raras.

 

            Seo ChiChico na verdade traduzia o que lia nas revistas e jornais em português para muitas pessoas analfabetas, que recebiam carta e as levava para ele lê e responder para elas. Seu ChiChico foi um leitor de cartas, função que muito ajudou a comunidade, alguns até que liam, mas lia tão mal que acabavam por não entender o que lera  e Seo ChiChico os ajudavam a lê e responder suas cartas. Aí sim! Ele era um verdadeiro tradutor das velhas revistas e jornais que se chegavam a cidade, pois muitos eram os que não sabiam lê nem escrever, mas que se interessavam pelas figuras ou fotografias das revistas e jornais. 

           

                   Dizem que ele de quando em vez assentava a porta de casa e sintonizava o rádio numa estação estrangeiras, fosse chinesa, americana, .não importa o país ou idioma e ficava ouvindo o blá... blá... blá... fosse até em mandarim. As pessoas que passavam ficavam admiradas do conhecimento e inteligência do Velho ChiChico, entender tantas línguas estrangeiras! O velho era um talento as vistas de todos. 


Ana &  Francisco Bezerra 
ai e filha
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           O nordeste teve notáveis escritores:  Patativa do Assaré; Ariano Suassuna, inclusive o nosso  Hélverton Baiano; mas nenhum deles foi tão importante no contexto municipal da época como Seo ChiChico! para Ele certamente os colocaria debaixo de seu chinelo de couro cru, com sola de borracha de pneu! ChiChico foi o grande maior comediante que não precisou de palco, pois em qualquer lugar sua arte era pista em prática; foi o nosso Pantaleão. Aquele personagens do criado por Chico Anísio em seu programa Chico City; foi o nosso Coronel Pantoja, do fenomenal  Jô Soares, em seu programa Viva O Gordo. Suas estórias imaginárias, ocorridas em seu sítio imaginário extrapolavam a razão sem ninguém um dia revelar que conhecera tsl sítio arqueológico, senão em suas narrativas cômicas. Seu ChiChico não era homem de fugir da raia e não ficava de fora de nenhum  assunto; sabia a hora de dar asas a seus personagens diante do reduzido e atento público como também a hora de ser o cidadão sério, responsável em suas atividades laborais, diante da família e da sociedade. Foi digno da honra que lhe é atribuída, em memória,  tanto que o seu nome é  herança de um povo que guarda sua memória, sua história. e se viessem discutir com ele astronomia,

 

               Dizia Ele que do seu sítio viu o dia que o homem pisou no solo lunar, pois no sítio tinha ele lá um super binóculo, capaz de vê detalhes na lua, quando era lua cheia; tinha  visão nítida, quando subia o morto do estreito para apreciar o céu, chegou registrar objetos ufológico em solo lunar e descreveu para muitos os movimentos do homem na lua.

            
        Em suas horas de folga, perambulava por lugares habituais da cidade, como a lanchonete de Seo Anjoo; o Mercado Municipal e por horas, fosse dia ou noite,  gostava de ficar na esquina da delegacia, cadeia pública, vendo o movimento da praça, por vezes acompanhado por um ou mais admiradores de suas estórias, que puxava prosa, querendo saber como estava o humor de seus animais no seu zoo particular. O bom de seus causos é que alguns criam piamente, outros sabendo do seu perfil humorista não perdia a oportunidade na descontração  de  encontro casual com Ele.

 

               As terras ou o sítio de fato existiam e ele era o proprietário; ficava vizinho as grutas da Zumba e da Tabatinga, lugares que por sí já eram misteriosos com aqueles desenhos pré-histórico, tidas como artes “rupestes” que retratavam cenas do cotidiano dos homens das cavernas que certamente ainda estão por lá, aguardando que se desvendem os mistérios e segredos que Dr Altair Sales andou bisbilhotando por lá, no bom sentido.

 

               Na verdade Seo Chichico foi dono do único JurassiChico particular que existiu na região do oeste baiano.  Dizia ter lá aves, repetis,  mamíferos,  dinossauros pré-históricos! Ah! dá saudade de ouvir o grande humorista de Correntina, justo numa época em que o humor raro e privilégio disque tinham um aparelho de rádio. 
 

         A televisão veio bem na década de 70 mas não tirou a satisfação em ouvir o Velho ChiChico contar os  causos  no seu sítio. Nosso Pantaleão foi grande como os astros dos filmes preto e branco 16mm, como  Grande Otelo, Mazzaropi, Zé Trindade, Oscarito; porém com ChiChico se tinha humor ao vivo.

    

              Era  Ele uma pessoa tão seria, que ninguém sabia o que ocultava atrás daquela aparência concentrada; tinha o andar manso próprio de quem não tem pressa de chegar mas a certeza que de vagar é que se vai longe. ChiChico era repentista no raciocínio, imaginação rápida, capaz de criar um causo em fração de segundos... Aqueles que o conheciam se divertiam com sua criatividade repentina de criar e responder as indagações que lhe eram feitas, sem resposta o outro não ficava. Se o bom era sorrir! então que se risse muito! Aqueles que o ouvia pela primeira vez ficavam com cara de espanto, meio que boca aberta… a se indagar duvidoso, será verdade Terta?  Até se situar de que Seo ChiChico era um Humorista nato.

          Certa feita um comprador de gado chegou a cidade, queria informações de quem tinha um bom gado para vender e certamente esta indagação deve ter sido feita a Nem de Jair, um atiçador de fuxicos; era um fã das estórias do velho e não "tutubeou" em indicá-lo como o maior fazendeiro no  oeste baiano e se não bastasse, levou o tal fazendeiro a presença de Seo ChiChico quando este saía da Prefeitura Municipal, estava  trajando um esporte fino, com gravatinha borboleta, por certo motivado por alguma programação  social entre colegas de trabalho. Caminharam juntos até a esquina da Delegacia, onde  se deu um rápido e conclusivo dialogo de negociação. Nem de Jair ficou ali ao lado, esperando vê o final daquele fuzuê. Certamente seria mais uma das estórias do velho ChiChico e entrar para história. Como Ele se sairia diante do comprador de gado.

 

Apresentações feitas, ambos foram direto ao assunto:

- Sou comprador de gado Sr. Francisco e me disseram que o Senhor tem o melhor gado da região. A depender da qualidade do que tens, posso comprar até 50 cabeças… (Seo ChiChico o interrompeu…) 

- Pelo visto quem me indicou não falou muito de mim! Não disse-lhe que vendo gado por tempo de porteira aberta e não essa coisinha de cabeças…!

- Porteira aberta? Como é isso Sr. Francisco?

- Você diz o tempo que quer de porteira aberta; acima de ½ hora, eu mando abrir a porteira e os peões tocam o gado pra o pátio da vaquejada, você paga o tempo da porteira aberta, o gado que passou.

- mas eu nunca comprei gado assim! ?

- Tem uma porteira larga e a porteira estreita, ½ hora na porteira larga dá uma media de 310 a 350 rés e na porteira estreita o mesmo tempo dá  uma média de 90 a 120 rés… o relógio despertou a porteira é fechada!

- Como vejo a manada? É raças mista?…

- Que é isso!!  aqui separamos pela genética da raça pura, mas se você quiser misturamos no pátio Zebu, Angos, Simental, Nelore... tenho gado de corte e vacas leiteiras, ao gosto do comprador. Na fazendo GR2 – Nelore; GR4 Angus, as fazendas GR1 e GR3 estão fechadas para venda, acabei de vender 4hs para um fazendeiro do Mato Grosso, foram 20 carretas de boi gordo!!!…

- Eu ví eu ví (disse Nem) e nunca ví tanto gado saindo do município de uma só vez…

- Bem, estou esperando meu helicóptero pousar aqui na praça, estou indo para G5…

- Nossa Senhora!!! Deu vontade de ir lá conhecer, mas Obrigado Sr. Francisco, não
   chego a tanto !

             

                   Nem de Jair se esforçava para não cair na gargalhada e seu ChiChico num passo lento, elegante, se despediu dizendo ir tomar um cafezinho na lanchonete de Seu Anjo e saiu…

 

                      Alguns forasteiros na cidade ficavam ansiosos por conhecer o sitio do velho ChiChico, mas ele sempre fazia arrodeios que se não convencesse, acabava revelando sua identidade humoristica. Por horas era o nível de segurança fragilizado; noutras a falta de tempo com tantos afazeres até mesmo o  humor dos animais pré-históricos que por vezes não aconselhava visitas! Uma hora a ficha caía e tudo transformava em risos como se concluindo uma quadro de num programa de humor do Chico City ou Viva o  Gordo.

 

               De toda criação exótica do velho ChiChico real mesmo era o velho Jumento IENO. Um animal de tração que o auxiliava na lida da casa e no trabalho. O Jumento era cobiçado pela sua força de trabalho e capacidade reprodutora. Em suas horas de descanso pastava livre pela beira do rio. Alí pastava também a tal “Babinha” uma jumenta de dono desconhecido. O Ieno de ChiChico era um animal com muito apetite pelo sexo animal. Não é atoa que dizem ter sido Seo CHiCHico chamado a delegacia e lá foi levando pelo cabresto o seu asno, maniaco sexual. Era uma queixe por crime de importunação pública sexualizada; assédio moral seguido de atos obsceno libidinosos em via pública. A queixa certamente fora feita por alguma beata ou mães preocupadas com as cenas explicitas que o animal promovia na beira do rio diante de seus filhos e filhas.

O IENO de Seu CHICHICO

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               O tal Ieno não podia vê a Baby abanando o rabinho refrigerando a “prexeca” que partia urrando pra “tora” e o show começava as vistas de todos. Era um tremendo alarido da meninada e rapazes que corriam na paralela, para vê a transa animal!  Também pudera, naquele  tempo o sexo era o grande tabu; uma forte proibição social, cultural e até religiosa um assunto considerado "sagrado ou profano" somente concebido entre quatro pareces, por um marido e uma esposa… sua menção ou prática era evitada podendo ser considerado “pecado mortal” o que causava medo, além das superstições; também se imputava ao ato, vergonha! Imaginem este ato obsceno em praça pública entre dois animais… imaginem vê um animal quebrar esse tabu diante de todo mundo, todo aquele preconceito. Era algo surreal!  Bastava ouvir o urro do IENO pela beira do rio que a correria era geral, com uma tremenda algazarra!!!

 

                  Seo ChiChico foi aconselhado prender o animal numa corda, não deixá-lo a solta como ficava; limitar seu espaço e sua ação;  mas quando não era o asno que arrebentava a corda, os rapazes davam um jeitinho e levavam a bestinha pelo cabresto para o raio da corda; isso quando soltavam o garanhão para vê o espetáculo.

 

                 Gastaria pautas e mais pautas contando as histórias do Sítio arqueológico do velho Chichico e do seu jumento IENO... O grande homem Francisco Bezerra e as afáveis lembranças que ele nos deixou como herança para nosso povo. Seo ChiChico ou Francisco Bezerra, faleceu longe de casa, no Hospital de Base de Brasília em 1987 aos 87 anos de idade, tendo sido sepultado no Campo da Esperança onde nenhum dos habitantes do lugar saibam, quem foi o morador famoso que em noites de lua cheia passaia pelas quadras floridas daquela cidade morta, quem sabe, na esperança de ser lembrando e laguém o leve de volta pra casa...    

 

               Tem tantas coisas ainda por dizer que eu não disse, por não saber de tudo, mas o pouco que contei é o suficiente para que saibam quem é Geraldo Bezerra e quem foi seu Pai Francisco de Oliveira Bezerra, Seo ChiChico, o batedor de pratos duplo de nossa inesquecível filarmônica Heraclito Correntinense, o maior humorista de nossa história..

Com a colaboração: Geraldo Bezerra.

FanacoS

FAMÍLIA  BEZERRA 

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SONETO PARA ADELAIDE

Geraldo Bezerra


Quanta saudade sinto

Uma dor quem vem

De dentro do coração.

É uma dor muito forte não minto

Vem carregada de muita emoção.

 

Adelaide, irmã querida

O quanto ajudou seus irmãos

De alegria era sua vida

De todos tinha compaixão.

Certeza tenho que está no céu

Pedindo ao Divino Pai Eterno

Para não nos deixar ao léu.

 

Cheia de humildade e nobreza

Não media esforços

Para ajudar a pobreza.


 


 

POBRE NORDESTE

Ma. Alice Bispo Bezerra


Oh meu Nordeste

De terras tão lindas e pobres

Esplendor dos meus dias de infância

Sonhei, sonhei mais do que comi


Espero tanto por este dia...

Um dia com ventos vindo do norte

Lá estão as crianças

Com os olhos cheios de esperanças

À esperança por um pingo de chuva

Mas a chuva não vem.!


Oh meu Nordeste

Quando os ventos soprarem

À mente dos homens que mandam

E as águas por lá jorrar

Estarei onde estiver

Pro berço da minha terra hei de voltar


É uma tristeza danada que não dá pra explicar

Ao ver tanta terra seca sem poder plantar

E o povo se retirando pra viver me outro lugar.


 

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Série Reflexões

HUMILDADE

 

Deus nos exorta a agir com humildade,

sem ambição ou vaidade,

Deus nos exorta considerar o outro

pois perante Ele ninguém É mais que o outro.

Deus nos julgará por nosso conhecimento, logo

Não haverá como fugir da Lei.

 

Ele tem o controle de tudo abaixo e acima dos céus

Ele É Deus e por ser Deus efetua em vocês

o querer de Sua vontade.

                                        Filipeses; 2:13

 

 

MAESTRO JOSÉ BEZERRA 

filarmonica municipal de Correntina 

 

 

 

SONETOS RIO SÃO FRANCISCO

Geraldo Bezerra Correntina – BA

14/11/2016

 

I

Morto vivo corre sem parar

Areia e lama o teu leito invade

Seu sofrimento silencioso e com dificuldade

Procura em vão um ar para respirar.

Milhões de anos a nos dar vidas

Peixe em fartura e alimentos fartos

Seus ribeirinhos tristes em seus quartos

Choram tristezas de vidas banidas.

 

Quem dera Deus se vida oferecer-te

Seu leito erguido vidas florescerem

Alegria fico pois não vou perder-te.

 

Peço ao Pai que te dê vida eterna

Pois seus filhos de te sobrevivem

Das abundancias que seu leito externa.

 

II

Quase sem ida seco e sufocado

Morrendo a mingua e cheio de mágoa

Para repor a que lhe foi tirado.

Me lembro bem chegando em sua margem

Vapores e barcos lindos a desfilar

Lindas morenas louras e mulatas

Atravessando pra lá e para cá.

 

Difícil era ver o outro lado

Sua largura de admirar

O Velho Chico hoje acabado.

Tristonho fica ao ver tão desolado

Seus afluentes a sofrer também

Por falta d’água estão assoreados.

 

 

III

Alegres eram dias de viagens

Violas a bordo e muita alegria

Fitavam os olhos em suas paisagens

Vapor lotado muitos estudantes

Voltavam das férias acabadas

Alguns tristonhos,

pois por lá deixaram

as  namoradas ou amantes.

 

A noite chega a lua brilha

Relembram tudo que aconteceu

Durante as férias naquele lugar.

No fim do ano todos vão voltar

Para rever os amores deixados

Em suas casas, sempre a esperar.

 

IV

Seus pescadores procuram

em desespero

Alguma coisa para se alimentar

Já não existem peixes

em seus pesqueiros

Pacu, dourado nem curimatã!

 

Suas águas poucas lamacentas e lentas

Descem fraquinhas em direção ao mar.

Outrora forte e profundo,

de grande tormenta.

Hoje a pé dá para atravessar.

 

Barco e vapor já não existem mais

Navegar não é mais opção

Restaram lembranças de tempos atrás

Os barranqueiros tristes a lamentar

A falta d’água para irrigar a roça

Para delas se alimentar.

 

V

Quanta alegria já nos proporcionou

Muita fartura deixa onde passa

São águas lindas Deus abençoou

Irriga a terra e nos dá peixe de graça.

Veredas, campos cerrados e florestas.

Vilarejos e cidades deixam para traz

Segue seu destino livre e com modéstia

Só segue em frente não volta jamais.

 

Tão poderosas são as suas águas

As hidrelétricas anos e anos a fornecer

A energia que a escuridão apagou

Quando acendeu a luz.

 

Prosperidade é a palavra chave

Por onde passa deixa riquezas

E segue lento calmo e suave

seu rumo cansado, em direção ao mar.

 

VI

Nascido a milhões de anos

Descoberto após mil e quinhentos

O seu leito caudaloso e plano

Cortam planícies sobre o sol

e os ventos.

O seu nome era “opara”

Denominado pelo povo indígena.

Seu significado era rio mar

Por sua grandeza de águas serenas.

 

Invadido por colonizadores

Para gado ao seu redor criar

Dizimando os índios,

moradores nativos.

Muita intriga entre exploradores

Deixaram marcas em todo lugar

Em vez de todos semearem flores.

 

VII

Pankararu, Atikum Kimbiwa

São tribos remanescentes

Truka, Kiriri, Tuxa e Pankarare

São todos irmão da gente.

 

Muito ouro e pedras preciosas

Atraíram aventureiros para explorar

Em suas margens, várzeas e veredas

Pedras lindas raras e valiosas

Despertavam ganancia.

 

Pintor & Poeta  Jayro Rodrigues (Samavi - BA)

 

 

Série Reflexões

HUMILDADE

                                             FanacosS

 

Deus nos exorta a agir com humildade,

sem ambição ou vaidade;

Deus nos exorta considerar o outro igual a si mesmo

pois  ninguém é maior ou menor perante Ele.

Deus julgará o homem  pelo seu conhecimento

por ser justo com o inteligente e o limitado em sabe! 

 

 

 

O CERRADO

          FanacoS Dez /1977

 

Vislumbra-me tanta beleza ainda intacta!

Este cheiro de mato verde

terra molhada!

Quão generosa a mão do Criador que fez do Cerrado

um pedaço do paraíso!   

É aqui que as águas nascem

e correm livres além da curva,

onde o vento vai e volta levando e trazendo chuva,

espalhando boas novas!               

 É aqui onde os sonhos abrem asas

E voam pela imensidão das veredas. 

onde os animais livres andavam

solitários ou em bandos

rompendo as fronteiras dos Gerais.

 

Cerrado! Planalto brasileiro insondável

Admirável imensidão, que se perde de vista.

 

A flora, a fauna e muita paz!

uma aparente solidão mas em cada canto

vestígios de vida!

 

Nuvens que viajam livres

por todo extremo desta vastidão

Sem se quer um sinal

da mão humana

a escangalhar o cenário!

Apenas viajantes raros que passavam

Em tropas de mulas ou pau de arara.

Desafiam a natureza no mar de areão!

Nossos olhos contemplam o cenário verde...

árvores retorcidas, góticas

a esbanjar a fatura

no pomar Divino que

Deus no Cerrado plantou!..

Flora, fauna e um tesouro

em biodiversidade.. !

Pássaros cantam...

Animais  urram...

 

O Cerrado sem dúvida é um mundo primitivo

a encantar gerações de vidas!

 

O canto da seriema

da zabelê e o inhamuns

O ouvi do lobo guará,

o urro da onça-pintada

a misturar-se com o canto dos pássaros...

 

Cerrado... Cerrado!

Vertentes rubras no céu anunciavam a noite fria

transforma-se o céu 

num manto boreal de cores, no entardecer!

 

Terras virgens !

Céu tomado de estrelas que brincam

cruzando o vácuo num rastro de luz.

Quietude na paz flutuante que neblina ao amanhecer!

Na mata escura, pontos de luzes iluminam o vagueio

São candeeiros lumiando a estrada?

- Não! Não !

São vaga-lumes que vagam 

olhos selvagens que piscam 

atentos

espreitam os visitantes que passam.

 

E de repente gritos , estalos

O canto o desesperados

dos pássaros 
Berros e urros apavorantes rompem a quietude

a paz se perde no horizonte

Os animais buscam um lugar seguro

tentam fugir da morte…

 

O cerrado não mais se harmoniza...

A fumaça e o fogo vem

com fúria

Fazendo arder todo cenário!

Destruindo tudo que pela frente encontra,

vem!

 

As arvores retorcidas, resistem as chamas

Enquanto animais indefesos fogem sem rumo

Sem ter como escapar do fogo assassino...

 

O homem descobriu o Cerrado e sua riqueza liquida

guardada no seio da terra!

Ribeirões e veredas encharcadas!

aquífero imenso abundância de vidas

tudo corre risco de fim.

 

O homem invadiu o cenário

Foi-se o tempo das tropas e boiadas

Dos paus de arara e da inocência felina

correndo livre as campinas.

 

Cerrado... cerrado!

Não são mais os mesmos olhos que antes te viram

A mão do homem transformou a paisagem.

Não mais se vê os pequizeiros, araçás araticuns,

babaçu, barú, buriti, murici, puçá, pitomba...

mama-cadela, cagaita, cajus, Jabobá e juazeiros...

 

Tudo se acabou!

Foi-se as palmeiras e mangabeiras

Pela força da agro no interesse pelo grão!.

O caboclo mateiro sabe

que perdeu seu espaço... seu chão... seu pão!

E expulso seja lá de que forma for

Carrega a dor de saber

que nada mais será como ante fora.

Deixa tudo prá trás e vai

Morrer a míngua num canto da cidade

O sonho acabou!

 

Cerrado... Cerrado!

Veredas virgens, veredas tristes

Plantações...

                  plantações ...

                            plantações!

Isto era a vereda do Cerrado!.  

 

 

Das entranhas do Cerrado  vertia tantos aguados...
hoje  quase  todos minguados...
Ah meus santos da devoção
onde vamos parar com tanta devastação! 

O Príncipe poeta enclausurado em sua ansiedade
não  mais chora os ais que nos acalantavam a dor
e nos deixa por herança as estrofes magistrais

De sua eterna canção - Correntina...

Correntina meu amor

 

Estou parado no meio do cerrado

chorando as lagrimas que um dia

de alegria chorei…

Hoje as chora triste de vê o cenário…

Acima dos olhos o firmamento

Abaixo dos pés a areia quente

Abrasando os pése meus olhos

se perdem no horizonte! o que vejo?

               Plantações....

plantações...

          plantações!

Ah que saudade dos versos de Teófilo
pétalas de quimeras, sonhos utópicos pedidos, 
e dentro de nós só lembranças que valsam,
a suspirar nossos aís ...
A vida pelo grão!


O Rio Formoso perdeu seu porte  caudaloso
o Arrojado cansado se  esbarra de pedra em pedra

tenta transpor as barreiras num destino incerto!

 

O Rio das Éguas passa por Correntina

esbarrando nas pedras que antes encobriam

pede socorro... ninguém ouve! ninguém vê...

E segue moribundo empurrando esgoto rio abaixo

deixando atrás rastro de lembranças ternas

resto de esperança perdida, sem amanhã!

12 bacias hidrícas agonizam

Enquanto a flora já não existe mais... Jaz!
A próxima vitima É você !

- Somos nós.

Os remansos não mais fervilhas águas
Não são mais aqueles rios
inspirando beleza... poesias! 

O Cerrado hoje são lembranças
dos rios que ali nasciam e corriam... corriam...

O Rio das Éguas... Rio  do meio!
O Rio Carinhanha... Rio Itaguari!
O Rio Curaçã... Rio Grande!

O Rio de Ondas, Rio das Pedras!

O Rio Preto...  Rio do Ouro,

O Rio das Rãs!  O Rio Salite

 

Eram tantos os rios passando

por baixo de pontes  e pinguelas 
Até o Rio Corrente em SaMaVi

chora assoreado... o descaso... o esgoto...

Ah como me lembro o seu porto

fervilhado vida

mercadorias escambo...

assombro de alegria a navegação.
 

Águas habitadas por cardumes

e mais cardumes que subiam pra desova
e desciam  sorrateiros envolvidas no aguaceiro
que invadiam as cidades ribeirinhas...

 

Corredores de navegação extinto
e lá se foi o tempo dos mercados flutuantes...
sonhos mirabolantes, pescarias, piqueniques...


Saudade da corrente do corrente ...
do cais de SaMaVi...do tamarindo estaleiro
dos Jatobás na beira do rio! ...

 

 

Era como uma avenida de trânsito intenso

canoas... barcos... ajoujo e vapores...
O Nilo Peçanha, Venceslau Bras...
No velho mercado municipal

o comércio se abastecia de água de cheiro,

tecidos e bordados 
Coisas vindas da Capital
Armarinhos, máquina de costura
geladeiras, rádios, fogões...
de tudo se via, luxo e conforto se comprava

na  Casa União...  
 

No cais homens rudes e fortes em frenéticas filas
embarcavam sacarias  fardos de algodão.  
Sacas de açúcar mascavo, latas de banha de porcos 
peles de bois e carneiros...
Doces empalhados na folha da bananeira
conservas apimentadas... manteiga de engarrafa 
 fumo de rolo,  requeijão...  feijão!

Rapadura e farinha de mandioca

Pescados frescas e secos

  Ferramentas e arame farpados e tantas outras iguarias
navegavam nossos rios 

Era um leva e trás sem fim 
a vida! os sonhos a  fé no porvir.

 

Época de sonhos e devaneios
na alegria do apito do vapor.

De quando em vez o rio invadia a cidade
E arrastava  tudo que se punha no  caminho!
medo e encanto misturava-se as emoções!

Medo e encanto do alto da capelinha se via

a Veneza baiana !

Tudo ficou no passado, hoje só vestígios

Que se tornou saudade!


 

Pra onde foram os dourados,
pintados, piaus, pacus?
Até piabas hoje é difícil se vê...

Os rios perderam a vida
E choram a falta d´´´agua
enquanto os gafanhotos sulistas
 devastam o oeste baiano!

 

 

Rio Corrente – Samaví & São Felix do Coribe.

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Série Reflexão:

INSENSATEZ

 

É falar sem pensar, é tropeçar na língua

É ser inconsequente!

 

Muitos só têem consciência

do certo ou errado,

quando submetermos

seus pensamentos ou ações

a sua própria consciência.

 

Consumar tudo que se pensa

já é questão de caráter e insensatez!

 

                                                   FanacoS

 

 

 

Série Reflexão:

PERDÃO

 

O perdão é como um antibiótico

que cura qualquer infecção do corpo e da alma.

O PERDÃO devolve ao rosto o riso

e nos deixa sentir o Espirito da paz.

Um coração magoado faz o ser infeliz.

 

 

 

Série Reflexão:

A VOZ dO SILENCIO 

 

O silencio de alguém por vezes

é um pedido de socorro

 que só será ouvido

por aquele que sentir a sua ausência..

 

                                                FanacoS

 

 

 

Série Reflexão:

PERDÃO

 

O perdão é como um antibiótico que cura

qualquer infecção do corpo e da alma.

O PERDÃO devolve ao rosto o riso

e nos deixa sentir o Espirito da paz.

Um coração magoado faz o ser infeliz.

 

FanacoS

 

 

 

Série Reflexão:

O silêncio

 

O silêncio de alguém é por vezes

um pedido de socorro

que só será ouvido

por aquele que sentir sua ausência.

 

Ligue pra alguém que você não vê

nem fala há tanto tempo.

A distância não é mais obstáculo

para deixar perecer o amor por alguém.

 

 

 

Flamarion Costa
Enviado por Flamarion Costa em 17/04/2026
Alterado em 25/07/2026
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