Correntina Arte & Cultura
Casa da Cultura Iozinho Costa
Textos

Talvez você não tenha ouvido falar de Alberto Alves do Nascimento e certamente de outros de nossos artistas apresentados neste site da casa de cultura de Correntina. São histórias reais que nos trazem belas recordações de um período de nossas vidas, inesquecíveis.

Esta iniciativa visa não deixar que a ignorância cultural dos dias atuais, enterrem em um túmulo ou numa erosão esquecida, nomes memoráveis de nossa história. Certamente alguns desses, já enterrados no cemitério clandestino já foram esquecidos e nada deles se lembra mais!. Foi uma falha drástica dos que poderiam fazer chegar aos nossos dias, quem foi fulano ou sicrano, quais seus feitos e a sua importância em nossa história. Não existe povo ou pais sem história. Todos nós temos um passado por definição cultural que forma a memória coletiva de um povo, que, quando não são tomados os devidos cuidados de preserva-la, em livros ou vídeos, hoje com tantas facilidades para se guardar essas memórias. Um povo sem passado é um povo sem cultura e sem futuro.

- Quem ainda se lembra deles?:

As Dioras
Aldegundes Joaquim de Araújo

Álvaro de Castro

Amélia de Araújo Santos

Antônio Sousa Barbosa

Claudionor Rocha - Canô

Carlos Moreira

Lucio Alfredo Machado

Lourival Miranda (Lino do Boi)

Oswaldo Barbosa / Vadú

Rochinha Patury

Raimundo Martins da Costa

Vanderlina Alves

Zoroastro Magalhães
Zacarias Corsino…

e tantos outros que hoje dormem no esquecidos no túmulo anônimo da cultural de Correntina.!

O Legislativo era quem poderia estimular as novas gerações a conhecer sua própria história, através dos professores; incentiva-los a buscar no passado lições, validas de vidas, experiências que nos poderiam trazer conhecimento capaz de nos dá soluções práticas para questões no presente.

Promover esportes, concursos literários, motivar com premiações artigos literários de cunho histórico; poesias, contos, entrevistas com personalidades históricas; títulos envolvendo a cultura local sob a coordenação de professores, que nos parece, na atualidade, terem cruzado os braços, por sentirem-se desvalorizados e mal reconhecidos em suas nobres funções o que trás danos por vezes irreversíveis a cultura local que inevitavelmente passa peça sala de aula. O estímulo acaba e a história se torna um breve instante presente, que no momento seguinte se esquece.

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O pouco que sei, de quem sei, estou revelando neste espaço; avexado em revelar tudo que sei, antes que minhas memórias se apaguem, óbvio! Pode não ser algo ao pé da letra dos fatos ocorridos, mas que seja por começo do processo. “Ao pé da letra” seja uma força de expressão, pois tudo vai depender do ponto de vista do observador, pois um fato pode ter varias versões, quando descrito por diversos autores.

Cada um de nós temos entendimento próprio ao interpretar os fatos, pois dizem “quem conta um conto aumenta um ponto!” poder ser, pode ser um pontinho aqui… outro ali, o fato é que isso venha provocar uma situação de esclarecimentos, então o objetivo é alcançado ao provocar a discussão em torno dos fatos e com isso um nome por resultado sai do “breu”, para a realidade da luz em um debate.

Este é o propósito neste manifesto de gratidão a todos eles do passado e do presente em reconhecimento, ainda que tardio para alguns, (in memória) , mas há tempo para outros que assistem seguir na procissão carregando o andor e o santo do santo dia.

  E são tantos os "Albertos, Vavás e Canores" que com “Katigoria” e muito amor escreveram, alguns ainda escrevem suas histórias em nossas vidas! Seus nomes e suas artes perpetuam nas atividades culturais, sociais, religiosas ou mesmo políticas. Desde os pequenos detalhes aos pontos de luzes que brilham como fragmentos estrelar que cruzam os céus culturais de nossa cidade e explodem na consciência dos que consideram a cultura o maior tesouro de um povo, que conhece a sua própria história.

Todos esses artistas deixaram em nós "marcas do que se foi, dos sonhos que se perderam!" e o novo dia nasceu como se não tivéssemos sonhado, quando isso acontece as lembranças são amargas …

É tarde pra querer voltar atrás a bida e’ implacável para com is displicentes.
 

Alberto revelou-se um artista completo; ele canta, toca seu violão; ele compõe duas canções e faz o seu show.., e se fez acontecer em nossa história.

Correntina sempre foi uma terra fértil onde nasceram muitos talentosos artistas, que achavam guarida no coração do povo e por esta razão, deixaram saudade ao morrem, alguns no anonimato e os que sobrevivem tentam florir em seus canteiros solitários, mas sem palco e sem público o artista não existe… é preciso que ele seja valorizado, aplaudido para que a arte flua e mesmo assim alguns, hoje, ainda insistem em existir, cumprir seu papel de ator, cantor, músico, poeta, escritor, para aqueles que se fazem dignos de sua arte ao proporcionar momentos de alegria; outros criam asas e voaram pra longe, onde por certo serão reconhecido; contudo não se esqueceram de suas origens ao levarem o nome Correntina e sua essência artísticas neles enraizadas.
 

          Alberto Nascimento está presente na lista de destaque de nossa história e  se descrita sua vida em detalhes, certamente teremos um livro de memórias inéditas.

Filho de Antônio Nascimento Neiva, (Seo Neno) servidor público pela área da saúde, (falecido)  e Izabel Alves Nascimento (Dona Bezinha) mãe educadora com dedicação exclusiva a sua prole, (falecida). O garoto tem origens artísticas tradicionais, sendo ele sobrinho da pequena e notável Vanderlina Alves (Dona Vandinha), não era para ser menos.

 Antonio Nascimento

Seo Neno


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O menino cresceu e seus dons floresceram sem decepcionar aqueles que o assistiram em sua trajetória de menino/homem não fugindo as as tradições, nem se negando ser que É em toda sua autenticidade,  afinal, Ele é sobrinho de Vanderlina Alves, nossa a primeira dama das artes e cultura, não podia ter outro destino senão o sucesso.


  Conta Alberto que seu primeiro encontro com a música se deu em uma visita, com sua mãe, à casa do tio Hélio Alves, clarinetista e saxofonista; um talentoso músico; um homem que eu acostumei chamá-lo de mestre bombril, não apenas pelo brilho que dá a tudo que toca, mas também por ter mil e uma utilidades em sua capacidade  de "se virar nos 30!" para dar solução as questões que se punha diante dele, por sua prole e por seu próximo. Bem me contou o mestre José Patrício, o apoio recebido, de um verdadeiro amigo. Um pequeno homem com um gigante coração.
 

Ali, na casa do Tio Hélio, Alberto se viu atraído por um objeto redondo, com couro ao centro e nas bordas argolinhas barulhentas que vibravam em conformidade com o toque que se dava no couro esticado ao centro; era o tal pandeiro. Imediatamente Alberto tomou conta do instrumento e corria de um lado para o outro se achando o tal. Quando deu a hora de voltar para casa, quem disse que Ele devolveu o tal pandeiro! Como toda mãe diplomata, logo negociou a devolução do objeto musical, mas, mas com o Sr. Neno a coisa não tinha “mimimi”, era sem rodeios e a ordem foi imediata e taxativa: - Agora!  Vai devolver o pandeiro a seu dono  agora é sem choro e já!  

          Flamarion   &   Alberto

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E’ inegável que Alberto não sendo o icônico qual a "Alberto Roberto" seja também considerado como "símbolo" de uma era romântica na musica popular em Correntina. Alberto foi marcante desde a infância; passou  pela adolescência e destacou  em sua mocidade pela genialidade com  que se deu  em tudo que se propôs fazer e fez bem feito. 

  Desde a fabricação de seus próprios brinquedos a vida artística, não foi o profissional de show e rádios, por que Correntina não tinha estações nem AM ou FM e as difusoras de alto-falantes não tinham em suas programações, programas musicais ao vivo, mas teve ele seus momentos de aplausos.

Passou  por diversas experiências como aprendizado, exigências de Seo Neno, que cada filho se preparassem para o que havia por vir na lida da vida. Só não tenho a certeza quem deles foi ou não foi engraxate, como a maioria dos meninos da época começavam a vida, engraxando sapatos nas feiras de sábado,

 

Há porém dois momentos em nossa vida que não me esqueço:  A construção do Jeepão  e  a nossa participação no Grupo dos Paruaras,  criado por Ele, Alberto e o seu parceiro Roberto Araújo. Foram dois momentos inéditos em nossas vidas… Lembranças agradáveis que não se apagam e que hei de levar  comigo.    

Podemos até afirmar que  Correntina foi um pedaço do paraíso, por tudo que alí vivemos e aprendemos e lá se vão mais de cinquenta anos, meio século! Já era hora de recordar aqueles áureos tempos; registrar nossas memórias antes que o tempo as apague de vez e nada fiquei pra contar nossa história.

               …

Não havia na região indústria de brinquedos e os parques de diversão ou circos raramente por lá apareciam e quando isso acontecia, eram curtas temporadas de muita alegria e diversão;  palhaços com suas longas penas de pau, seguido por um batalhão de meninos que em coro entoavam um canto com os meninos fazendo o contra canto: “ - O raio e o sol brigou com a lua” e os meninos respondia: “ - olha o palhaço que está na rua!” Bem assim outros cantos que anunciavam o circo e o show.!

 

          As velhas peladas de futebol no gramado proibido da praça da matriz  era a diversão que irritava o velho jardineiro Seo Joel que se esmerava para manter belo o belo jardim e o gramado a sua volta. Figura Face Book
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      Não eram muitas as opções de brinquedos mas era tanta a criatividade que as opções se multiplicavam pela fertilidade da imaginação; um simples objeto inanimado de repente criava vida em nossas mãos, em um mundo exclusivo e inédito! A felicidade estava no riso que transbordava a cada emoção, fosse essa numa situação de alegria ou de medo, pois o medo fazia parte de nosso mundo real.

O medo era uma como fórmula infalível imposta pelos adultos, inclusive nossos pais, que usavam do medo para conter os meninos afoitos, levados ou mesmo teimosos. Isso deu tanto resultado que acabou formando em nós, a geração do medo: Medo do pé-de-garrafa; da alma penada; medo do escuro… medo do beijo que podia engravidar uma menina moça! Ahh ahh! medo de romper os limites imposta pelos paia, certos de que os céus ou o inferno daria a imediata punição.


Aquele nosso paraíso de inocência foi profanado pelas verdades ideológicas de hoje, quando nos damos por conta do quanto éramos felizes, mesmo com todos os medos e sentimentos de culpa. A vida era cândida como nós.! 

Os meninos daquela época eram verdadeiros artesãos na fabricação de seus brinquedos, carrinhos de madeira, pião de goiabeira, bola de meia, avião e pranchas de barriguda; rodas de ferro, pneus velhos e guiadores, as fazendas de boiadas de ossos, negociadas em moeda corrente feitas com carteiras de cigarros com valores padronizados pelas cores e marcas. 
 

A bicicleta sem dúvida era o sonho unânime de todo menino e a maior  frustrações desses. As famílias eram numerosas, rara família tinha menos de cinco filhos, logo, não seriam apenas cinco bicicletas, mas sim um bicicletário! 


As cavalhadas em cavalos de pau; o pinhão de goiabeira, as bolas de gude ou de meia e pano; o estilingue e as pranchas de barrigudas com as quais desafiávamos as corredeiras do rio, as maretas e meratões daquele que  foi o exuberante Rio das Éguas de inesquecíveis aventuras. O roubo perdoado de melancias e outras frutas  nos roçados  a beira do rio e no sítio do padre a coragem para enfrentar o cachorro rajado sob o comando de Dona Minervina!…  Tantas emoções que tecnologia alguma, hoje, nos convence ser melhor que aquela infância! 

Isso é que era vida de menino feliz!

            

             O Jeepão de Alberto foi o apso da criatividade de Alberto de Neno! O  Jeep era uma geringonça de tamanho avantajado, tudo muito rústico; uma mistura em  "flandres"  e madeira. Uma infernal geringonça barulhenta, comparada a periquitos numa mangueira. Quando os meninos se punham a empurra-lo ladeira abaixo ou quando desciam correndo ao lado do perigo... gritos para todos os lados, ao empurra-lo ladeira acima e ladeira abaixo, os anjos gritavam desesperados "misericórdia Pai!! uns corriam atrás, outros a frente ou ao lado, enquanto Alberto ao volante, espalhafatoso e não cabendo em si de tanta felicidade gritava: Sai da frenteee…!!  

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Figura do FaceBook

E a geringonça vinha ladeira abaixo  sacolejando, tendo por freio o mesmo grito: - sai da frenteee!. O cenário era a praça do Cine Teatro, toda em calçamento de pedra jacaré e tendo como ponto final a rua em  areiao frente a casa de Cinza; de quando em vez uma roda passava a frente, querendo chegar primeiro ao destino: – A roda saiu! Vai tombar!... Só mesmo Deus para proteger aqueles meninos levados que nada sofreram, senão alguns arranhões.

 

              Outro momento marcante era a guerra de pirraças entre os meninos barulhentos e o Velho “Militino”. Era Ele um velho aparentemente calmo; óculos fundo de garrafa, fortíssimo e ainda usava uma lanterna focando as páginas da bíblia, para conseguir lê-la; um homem convicto do evangelho, católico e apostólico, lia diariamente sua Bíblia, enquanto  atrás do balcão esperava pela clientela de seu pequeno armarinho. Diziam que Ele em sua juventude fora um homem valente, um homem preparado para enfrentar conflitos e guerras. Diante dessas qualidades fora recrutado pelo Major Félix Joaquim de Araújo, no inicio do século passado, mas especificamente na era do  coronelismo; período quando o poder político e social caracterizou-se pelo domínio a cargo dos lideres locais; esses coronéis eram grandes proprietários de terras e engenhos,  que durante  a Primeira República  se valeram do clientelismo e da coerção, como  fórmula infalível para se controlar os eleitores e seus votos, barganhado em troca de favores; quando não como prova de fidelidade ou mesmo medo da autoridade por esses exercida sobre eles!. (parece que nada mudou desde então!)

Seo Militino desempenhou seu papel e na velhice só queria um o silêncio e a paz,  mas a molecada não dava descanso.  A dúvida ficava em saber quem era a vítima de quem? Os meninos de "Melêta" ou esse dos meninos?

Seo Militino e os meninos viviam em pé de guerra constante; os meninos pela forma com que usavam a calçada e gritavam na porta do velho, que por sua vez ia ao revide. óbvio que os pais desses meninos não tinham conhecimento real desses pequenos incidentes.

Amigos de longas datas

1802246.jpgJosé Aires Alberto Carlos Araújo

 

               A “filarmônica de tabocas” quanta saudade … era uma imitação da real Filarmônica Heráclito muito admirada pelos meninos da época.

Cada um escolhia o músico e o seu instrumento oficial para assumir seu papel na filarmônica de mentirinha. Era um tocador imaginário ao se passava pelo músico e o seu instrumento, que na verdade, eram pedaços de tabocas, canos de pvc, pratos de alumínio ou  qualquer outra coisa que nas mãos ou na boca tornava-se um sax, um trompete, um prato de dois, uma tuba ou caixa de repetição, até bombardino, se ouvia emitindo "bocalmente" a marcação das notas de um dobrado, em dois ou três de sons que supunham ser as notas musicais desta filarmônica; Tum, Tá e Rá e assim ficava tum… tum… tum… Ratatata… “sussurrado ou esgoelado”.

 

          Era aí então que multiplicava-se as tubas, tocado por Geraldo Corujão; os pratos de dois tocado pelo velho ChiCHico e o recordista trompete de vara do Seo Pedro Ferreira; esse então era a preferência da garotada, pois o velho Pedro era destaque com o seu trompete, acima de tudo e de todos !

Os meninos buscavam não sei onde, graves e agudos no tum tum tum ratatata em conformidade com o dobrado que solfejavam; harmonia… era casualmente… pois a  perfeição estava em suas mentes inocentes que se divertiam acreditando tocar esse ou aquele instrumento.  

 

Ao saírem as ruas tinham endereço certo; a casa de Seo Pedro Guerra onde esse fazia um discurso dizendo estar diante do amanhã e dali  rumavam para casa de Seo João Diamantino e o Hotel de Vivi onde  Seo João, o “bichão de sorte” os recebiam com foguetório. Fazia um eloquente discurso na mesma linha do Seo Pedro Guerra e após o discurso então vinha a hora melhor da festa. Tia Sinhá e sua auxiliar do lar, Flora,  surgiam a porta com as bandejas de bolachas de doce recheadas, bolacha de sal e aquelas jarras de Qsuco de groselha ou abacaxi e no Hotel da vó Vivi, ela jogava balinhas pela janela do andar superior e ali si encerrava a brincadeira!.

 

Alberto se orgulhava de ter sido músico da filarmônica de verdade onde tocou bombardini, afinal poucos foram os que tiveram esses privilégio. Seo Neno era exigente e cobrava dos filhos conhecimento, preparo para encarar a dureza da vida e o que pudesse fazer fazia pelo aprendizado dos filhos para aprender alguma coisa, ele não vacilava, ainda mais o primogênito Alberto, pois esse tinha que ser exemplo para os demais irmãos. Foi matriculado no atelier de costura de Claudionor Rocha, o grande seresteiro Canô; onde iniciou o aprendizado de sua primeira  profissão: Alfaiate de roupas masculina, com especialidade em ternos completos e calças. Neste período uniu aí o útil e o agradável, pois Canô, o imortal seresteiro e violeiro das noites enluaradas, despertou o seus dons musicais, que já andava de namorico com o tal violão. 

 

O atelier do mestre Canô seu observatório musical, entre um alinhavar  e o  costurar de um terno Alberto o velho mestre cantando e por vezes tocando o seu violão, de uma forma inédita de fazer vibrar suas cordas. Observou tanto que tornou-se um imitador perfeito do “Velho Canas” com sua voz pausada, cheia de vibrato, porém foi um violonista clássico dos velhos boleros, samba canções, sambas e até valsas.

 

Concluído curso de Alfaiate seu pai lhe monta um atelier de costura, que ficava frente à casa de Pedro Guerra, ou seja a antiga Casa Pensão de Dona Melânia. Não sei precisar se este atelier foi aberto antes de sua partida para São Paulo ou após sua volta. O Certo é que passou uma temporada na Selva de Pedra paulistana, o que lhe servira por experiencia, principalmente musical; lá participou de bandas, no auge do movimento da Jovem Guarda, também participou das noites paulistas com sua voz e violão. Ele conta entre várias experiencias a convivência vivida com uma família japonesa; não aprendeu falar japonês ou mandarim, mas ficou uma memória uma canção em japonês que aprendera cantar com eles, da qual nunca esquecera!

 

Na volta de São Paulo é que se registra o grande momento musical na vida de Alberto em Correntina. Passa a cantar em reuniões entre amigos, festas em família. Logo logo tornou-se referência pelo talento e pelo repertório incluindo grandes celebridades por ele declarado fã como: Agnaldo Royal, Agnaldo Timóteo, Altemar Dutra, Anísio Silva, Carlos José, Miltinho, Moacyr Franco, Nelson Gonçalves, Orlando Dias, Waldik Soriano e é justamente neste período que seu nome torna-se popular entre  os artistas  da cidade; período em que manifesta sua gratidão a algumas de nossas personalidades, como João Diamantino, Dr. Lauro Joaquim, Dr. Raul Arantes  e outros, fazendo-lhes visitas ocasionais onde cantava com exclusividade. Alberto sempre foi reconhecido aos que o valorizaram; não era cantor de esquina,  nem botequim, mas dava sua colher de chá por algumas vezes em nome das velhas amizades.

 

A gratidão a seu pai ficou registrada no álbum CD gravado e dedicado ao paizão com uma canção autoral dedicada a Ele, Seo  Neno. 

 

A sua volta a Correntina é marcada, também, pela criação do Grupo Folclórico de Santo Reis Os Paruaras, junto com Roberto Joaquim de Araújo. O Terno se mantém ativo até a presente data; hoje sob a batuta de Louro de Manim. O grupo deu uma atualizada geral no estilo folclórico dos reisados; com um certo exagero, óbvio, coisa de jovem, mexeu no figurino estilo marmota e no repertório tradicional dos grupos de reisados. Introduziu no repertório canções da MPB, mais precisamente as canções Fumacê, Coronel Antonio Bento, Canário do rei, autorias de Tim Maia e Golden Boys entre 1970/1972  e outras canções do folclore regional com os tipicos instrumentos dos grupos de reis, ou seja  reco-recos,  tamborins, pandeiros violões violas e gaitas de  pífaros que se destacavam nos  duetos entre cantores e gaiteiros. 

 Os Paruaras ao comando

Louro de Manim 

Os foliões dos "Ternos de Reis" ainda hoje percorrem as ruas da cidade visitando residências e presépios, onde apresentam seus cantos e ritos; sendo a eles oferecido lanche acompanhado de licor de jenipapo é uma tal água ardente para aquecer o frio da noite..,

Esses eventos ocorrem entre 20 de dezembro a 6 janeiro, que é o dia consagrado ao Santo Reis, com um encontro de todos os grupos na praça da Matriz.

Entre os tantos grupos destacamos o grupo do povoado do Cerco, do povoado do Tatu, do povoado do Barreiro e da cidade os Grupo de Reis de Bentivi e João de Adão, herdado por Mundim de Adão; Os Paruaras e o mais recente grupo dos Arigó incorporado no contexto cultural do município, criado por Roberto Araújo e que atualmente é o coordenado por Louro de Manim o criador do museu antiquário A Casa do Louro.

              ...

      Nesta curta escala por Correntina Alberto enamora e une-se  a jovem Zizita Cavalcante, com quem passa a andar com fé, por bom período de suas vidas e o casal muda-se em definitivo para Goiânia, não tem filhos, porém a união não próspera e finda num clima amistoso com fortes vínculos de amizade e respeito. 

Ambos não ficam muito tempo a  sós, Ela recomeça de onde havia partido e Alberto descobre um novo amor, o amor que tanto buscava... enfim se acham em suas "caras metades"!. Alberto encontra em Rosane Neves, uma rara pérolas da tradicional família dos Neves, o que tanto sonhava, formar uma família com filhos e a tão sonhada família aconteceu com o nascimento dos filhos  Laura e  Alberto.

 

Alberto nunca foi dependente da música, como sustento pessoal, mas teve na música a fonte de inspiração que carrega pela vida afora! O bálsamo, o consolo em momentos difíceis; embora seja alma seja dim dependente dos cinco elementos que a constitui: Melodia, Harmonia, Ritmo, Tibre e Dinâmica.

Deixou dois CD gravados e alguns vídeos caseiros que de quando em vez publicava nas redes sociais como uma forma de nos acalentar a saudade... já esta passando da hora de uma nova publicação, pois nada encontrei, nenhum link, para oferecer aos leitores a prova cabal de nosso relato.

             
Alberto que já foi de Seo Neno e de Bezinha; foi também de Correntina e agora é exclusividade da  esposa Rosane Neves e dos filhos,

Ao mudar-se para Goiânia tornou-se servidor Público pela Universidade Federal do Goiás (1978) onde se manteve ativo por 32 anos dedicados a UFG e pela Universidade Pontifícia Católica de Goiás UPCG graduou-se e pós-graduação; não tenho confirmação de seu mestrado em Ciências Biológicas. Também fez faculdade em música, canto e violão e hoje, aposentado, certamente escreve suas memórias que hora revivo do ponto de vista de observador. Talvez seja meu ato apenas um ensaio do muito que elevar-me-ia a nos contar. Suas lembranças estão em nossas lembranças, pois somos produtos do mesmo meio cultural; reconhecido pelo que conquistamos da vida, que continua em nós o seu curso. 

Por um período em Goiânia a casa de Alberto foi referencial de encontro dos conterrâneos mais próximos que lá iam ouvir uma boa música. Entre esses estava Henrique de Iôzinho, que se valeu desses encontros para desenvolver suas aptidões vocais e o seu “violonez” limitado, que resultou em um grande e surpreendente “finale”!

O dom artístico dos filhos de Iôzinho só dependeu de um incentivo para acordar e Alberto foi este referência para Henrique. Agradecemos o resultado hoje visto na voz e no violão tocado por Henlacos, Uma voz romântica em um repertório que passa pelos boleros nacionais e latinos além das canções internacionais românticas que, canta em inglês e espanhol se firmando como uma presença agradável nas reuniões entre amigos e familiares.

O garoto da’ um verdadeiro show em canções românticas.

           

 Alberto pode não confessar, mas tem todos os argumentos para se dizer um homem realizado, feliz! talvez ainda falte o livro de suas memórias ou plantar uma árvore! Não sei! Mas já tem história de vida pra se declarar um homem realizado.

O grande orgulho hoje está na carreira artística do filho Alberto Junior, com formação musical plena: piano, sax e violão e canto; com apresentações já registrada como solista principal junto ao Coral Sinfônico do Goiás,  o que certamente estufa o peito do velho paizão ao vê no filho a extensão de seus sonhos se materializando.

. 

Lauro - Alberto - Alberto - Rosane 

 A família torna-se seu principal compromisso e o seu maior orgulho, pelo êxito na educação de Laura e Alberto, que crescidos e com  profissões definidas seguem cada um sua carreira, ficando o casal na expectativa da chegada dos netos!.

O que creio já ter chegado, por alguns vestígios visto nas redes sociais.

Dom Alberto e Lady Rosane vivem seus personagens reais no mundo encantado no castelo erguido no Caíçara, bairro da grande Goiânia, onde lá cultivam o amor de cada dia, escrevendo passo a passo, uma grande história de amor, na graça e na bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 Viva Alberto de Seo Neno e Bezinha

Viva Alberto de Correntina agora só Rosane!

FanacoS

………………………….

obrigado por deixar ao final o seu comentário

ALBUM de FAMILIA

 MULHER

Alberto Alves

Goiânia - 08.03.2018

 

No chão jogo uma semente

E dela nasce uma planta

Quem convive com a gente

É ela, que são tantas.

 

Ela é tudo em nossa vida

Mãe, irmã e companheira

Sempre a melhor amiga

Que temos para vida inteira.

Ela tem um dom que é nato

 

No trabalho se multiplica

Faz tudo àquilo que de fato

A nossa vida simplifica.

Louvo-a eternamente

Salve! Salve! A mulher!

Quero vê-la sempre contente

Conquistando tudo que quer.

 

Seu lugar é merecido

Entre nós tão dependentes

Por ela somos vencidos

Somos frágeis e carentes.

Se a força, porém nos falta...

 

Ela tem mais para nos dar

Carinho e amor nesta data

Para ela quero levar.

 

Mesquinho e muito grotesco

é aquele que a humilha

Pois ela se vira do avesso

E cuida de toda família.

Por isso é mesmo preciso

Reconhecer o seu valor.

 

Aos homens dou este aviso

Pois ela precisa de amor.

É ela quem nos orienta

E tem a compreensão.

 

Nosso fracasso aguenta

E ainda nos dá a mão.

Qualquer papel que ela faça

De mãe, companheira ou irmã,

Ou de colega, não disfarça...

Sua índole de ser cidadã.

Em casa ou no trabalho

Ela tem serenidade

Com coisas que me atrapalho

Ela lida com habilidade.

 

Por isso salve outra vez a mulher!

Mil vezes devo isso dizer

E em todos os dias do mês

Quero dela me depender.

 

 

 

QUE SAUDADE DO MEU JEEPÃO!

Alberto Alves

Goiânia abril/2018

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Que saudade do meu jeepão!

Descendo a calçada na carreira

Passando por João do Fino

Tiritando pela ladeira e parando em Militino.

 

Feito de pau e de lata

Projetado por mim e Raimundo Barata

Como se fosse magnatas

Montando num sonho sem fim.

 

Que saudade do meu jeepão!

Eu era o inventor e motorista

Auxiliar também tinha e Zinzim

E meninada atrás a perder de vista

uma algazarra delirante

 

Que saudade do meu jeepão!

A gente descambava ruas e calçadas

andava no empurrão

e descambava a ladeira.

 

A turma toda animada

Foi um sucesso aquela invenção.

Que saudade do meu jeepão!

Ficou tão longe, no passado

Tudo foi um sonho lindo!

A turma foi cada um para um lado

E eu me recordo de tudo sorrindo...

As cenas ficaram na memória

A saudade no coração

Isso é um pouco da minha história

Que culminou com a nossa dispersão...

 

 

A ÁGUA

Alberto Alves

 

A água desce os rios

Lavando seu leito predileto

Correndo dias e noites à fio

No seu caminho perpétuo.

 

Descendo lá das montanhas

Vem vindo de uma nascente

A água molha e banha

A Terra com suas correntes.

 

A água que cai lá do céu

É chuva que ainda vem

Eu tiro então meu chapéu

E louvo essa graça bem-vinda.

 

A chuva quando a Terra chega

A vida, das cinzas renasce

No mar, no campo, na serra !

A natureza ganha outra face.

 

A água é fonte de vida

Sem ela tudo fenece

Está nos seres contida

No embrião que germina e cresce.

É preciso, porém, todos nós,

Melhor da água cuidar

Ou então calaremos a voz

Assim que a água secar.

 

A água na Terra é escassa

Já sabemos seu percentual

Para uns ela ainda é de graça

Mas nem todos a têm no quintal.

 

Girando o mundo se vê

Que nem toda água é potável

Quem a desperdiça não crer

Que a água é um recurso esgotável.

É preciso porém consciência,

Para as fontes então preservar

Depois, nem mesmo a ciência,

Poderá nossa vida salvar.

 

Conscientizar todos homens e crianças

Que a água que todos consomem

É fonte de vida e esperança.

 

A água está se acabando!

É verdade, que alerta...

Mas ainda tem gente brincando

visão que não desperta.

 

Não desperta enfim para o futuro

Que vislumbra ser assustador

E se quisermos dias seguros

Tratemos a água com amor.

 

A água que brota do chão

Ou do céu cai de repente

Até posso lavar minhas mãos

Depois de alertar essa gente.

 

Água! Fonte de vida e prazer

Água! Lava meu corpo sedento

Eu preciso enfim te beber

E lavar-me também por dentro.

 

 

 

ERA UMA VEZ...

Flamarion Costa

À Alberto Alves do Nascimento

 

Acordado eu sonho

como se dormisse

nos braços da terra amada...

E no sonho vejo nossa infância

de folguedos e risos

que no tempo ficou tão distante

passado…!

 

Amigos, amigos

Para onde a Vida os levou?

Era uma infância compartilhada

Sem a minima idéias desta Era

tecnológica…

“com-puta-dor!”

Nossa vida era real e ao vivo

por isso nunca passou!

Infância de tantas artes e manhas,

Manhãs sem a maldade

com todas as artimanhas

uma fase unica … a vida!

...

Você hoje completa

mais uma Era

de felicidades sem talvez

Pois pesa na conta delas

os tantos meninos

que ainda vivem

dentro de nós.

 

Belas tardes de domingos

sol… lua… rios e jardins

todos os dias

belos dias de todas as horas

Onde toda história começava

com a força da expressão:

- “Era uma vez!...”

 

Se foi aquele nosso jeito

de vive e amar

até a vida tornar-se elementar

Meu caro!

ai como doeu, como doeu!!!

Banalizou o mundo, a vida!

O computador, o celular

A vida por um controle remoto!

 

Cabisbaixo

olhos vidrados na tela

Horizonte impercebível

outra fase

na tela que explode

em cores artificiais que ofuscam!

a vida mudando de fases

diante de uma tela…

Não se escala árvores

Não se faz trilhas

nem se descambam mais o rio

tanto assoreado que furam as boias

Nem abarrigudas existem mais

e o rio

Um leito pedras expostas…

Não se joga nem se brinca

Em pelada de pés no chão

bonecas de pano, bacondê!

O cavalo de pau, cavalhada!

A roda de ferro, o guiador...

E a emoção de furtar frutas

no sítio do Vigário acabou…!

O jogo de gudes o tope, a peteca!

O banho pelado no rio...

O curral da boiada de ossos

O gramado proibido da praça!

A filarmônica de taboca!...

O tum tum tum dos dobrados!

O coreto… a praça...!

 

A vida hoje se resume em aplicativo

que giram o mundo sem sair do lugar.

 

Os meninos de hoje

não sabem o que é infância

se tornam adultos antes da hora

e mal sabemos o que vivemos nós...

O que passamos

O que sorrimos

O que choramos...!

Bem sabe Bem-te-vi

A cantar no galho do flamboaiã

da praça.

 

As brincadeiras os namoricos...

O velho Educandário e o sítio do vigário!

Arrepios nas matinês dançantes...

as serestas com radiola portátil...

Lembranças!

 

A filarmônica de tabocas

O jeepão ... os banhos de rio...

Lembranças que não morrem

Risos que não se apagam...

E quando era carnaval

vestidos de caretas

brincava-se de “intrude”

correria!

o tubo de talco, o pote de cinzas

o balde de águas

a roupa molhada

e os cebelos embaraçados

nas tardes de cinzas...

As mentiras eram pura brincadeiras

com dia certo de acontecer…

 

O grito no buraco do bueiro

do Delegado Quincas

cuja máquina tinha um só RÊ!!!

 

O violão nas madrugadas

Serestas saudando a noite e as amadas

No afã de um aceno

Um beijo atirado pela janela

na ponta dos dedos

o coração disparado… ah! o amor...!

 

O tabu do sexo...

As fantasias saciadas em figuras nuas

Pinceladas a nanquim...

Ai de mim... ai de mim!

Aí de nós

e dos calos nos dedos...

Aí de tantos ais!!!

 

Onde estão hoje

aqueles meninos levados?

Aquelas meninas requintadas

e a nossa cândida mocidade...!

Ficamos velhos, não acabados!

pois foi o tempo que passou

enveleceu

enquanto ficamos experientes

Trilhado caminhos diferentes

Levando as lembranças sem fardo

das ruas de arreia,

do rio revolto

desafiado sobre as barrigudas.

 

O rei da Pedra... o rei do rio!

o sabor das melancias

Talhadas na pedra do remanso

o lavador dos homens

todo mundo pelado

até no banheirão das mulheres

todos dia um lugar no rio

para ficar a vontade, ao sol…!

Os ataques aos roçados

E o mergulho ileso

no marulho das águas

e meninos por todos os lado

feito foca ligeira fugindo do predador.

...

Para lhe dá os parabéns

amigo Alberto

Busquei lembranças distante

como se fosse lirios do brejo

que pefumavam nossos presépios.

No anseio

de mostrar aos nossos filhos e netos

Que feliz fomos nós

Longe das telas do computador.

 

Vida sem violência

escolas impecáveis

que nos ensinavam fato

ser cidadãos brasileiros

Do ABC ao OSPB

da Moral e Cívica a Religião

Se aprendia lê

interpretar e a escrever.

 

Cantava-se hinos à Pátria

a bandeira

Orgulhávamos dos homens públicos

Tinha-se referenciais a seguir.

Feliz aniversário amigão

Pois sei que na conta dessas eras

o peso da saudade

de outra vez ouvir

alguem a nos dizer:

 

- ERA UMA VEZ...

 

 

IÔZINHO COSTA

Alberto Nascimento

                 

  O Sr. Raimundo Martins da Costa, o popular Iôzinho Costa, foi um ser humano maravilhoso e criativo; um grande artista que eu desde menino aprendi admirar.   Para mim era um espetáculo à parte ver Sr. Iôzinho armar Lapinhas, ornamentar a Igreja Nossa Senhora da Glória, armar o calvário do dia de sexta-feira santa na porta de Igreja, preparar o palco do Cine teatro de Correntina para os seus espetáculos teatrais, dos quais tive eu a honra e o privilégio de assistir vários.

 

Falar sobre o artista Iôzinho é fácil e ao mesmo tempo complicado, pois não podemos nos esquecer das dificuldades que ele às vezes enfrentava para colocar em prática suas ideias teatrais. Encontrava sempre muitos obstáculos, porém sua vontade e determinação pelo que fazia e fazia muitíssimo bem, não deixa por menos.

                Ia atrás de tudo que ele queria para realizar seu sonho de apresentar uma peça teatral no saudoso palco do Cine teatro Correntina.  Eu tenho muita saudade de tudo, inclusive do próprio prédio do CINE TEATRO CORRENTINA, que de forma  lamentável foi derrubado pela cegueira cultural de um prefeito das trevas, cultural e do conhecimento. O Cine teatro  que tanto importava ao desenvolvimento de uma comunidade constituída de um povo inteligente e altamente criativo.


Saudade de Iôzinho...…

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Cenas da Cavalhada: Iôzinho e Canô

HOMENAGEM:

LAURENTINO NEVES VIEIRA

Louro de Manim


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Muito pelo “contral”  

Louro não é apenas um pássaro

talvez seja o Pavão misterioso
que um dia

pousou no flamboyan da praça  

e por lá fez seu ninho… 

 

Louro é um amigo autentico

um patriota nato.

Ele é a alma viva da cidade

um vendedor de ilusões!

Encantador de almas tristes

um presente de Deus...

uma pessoa de paz.

 

Não é de voar muito alto 

do oeste baiano ao Planalto

é comum vê-lo voando baixo

livre feito o vento…

Pois sabe a hora de ir

e a hora de voltar

não é de ficar muito tempo lá

quando tá lá que voltar pra cá

e quano aqui… é lá e cá seu lugar.

 

Esbanja alegria que mina

na faces tantos risos

É preciso nas palavras

que bicam certeira!

 

 No mercado, na feira

onde estiver

Louro não tolera gracejos

inúteis.

Transforma qualquer ambiente triste...

na expontaneidade de ser autentico

surpreendentemente criativo.

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Amigo acima de qualquer suspeita 

é amigo sincero pois com Ele!

o bico reto !

se tem que dizer

diz na lata

se não tem

se cala

 E segue sem caminho em silêncio...

Não é de indiretas

nem mexericos 

Figura extraordinária

na cultura de correntinense
“Impoluta, astronômico

ser retumbante  
Notável e singular 

estrambólica!

plácido e varonil!  

Uma pessoa inequívoca

e vulcânica!

 sólida feito a placa tectônica 

figura platônica

colossalmente  meteórica

brilhante  o ano inteiro…”

 

Ao lado de Reinaldo Bocão

arrancam risos de cegos e mudos! 

Eita menino feliz!.

 

Louro é

Laurentino Neves Vieirade

origem simples e fervorosa

é gente de tradição e fartura

origens na prole do Cerco!

lugar de cultura e tradição!

 

Louro continua

sendo tudo que era antes

mesmo os cabelos brancos

e mesmo que o peso dos anos

diminuam o ritmo…

os passos antes viril!

Louro tira de letra a dor da idade

pela força de ter sido criado

no leite cru de vaca

manteiga de garrafa

e abobora jerimum

Ele é simplesmente Louro de Maninho

Irmão de Catarina, Vera e de Zé 

filhos genuínos de Rita e Manim.

 

Louro é 

o pierrô da alegria 

Ele é o lírio  cheiroso do vale

É fruto cascudo do cerrado

Ele é autêntico

e tão sincero que doi! 

Entre os tantos Louros Ele é o único

Patrimônio Cultural do povo!.

Nem Louro de Lino

Nem Louro de Assis

Nem Louro da Caçamba

Nem Louro de Ursina

Nem Louro de Benigno

Nem Louro cabeludo

Nem Louro de Dona Sinhá

Nem Louro de Loura

é tão Louro 

qual Louro de Manim!

Com não se tem ponto de interrogação

Ele é cheio de "laboros".

Ele é Imenso em bondade

simplório e puro

“qui nem” as águas do rio.

De alegria transbordante

De é tristeza rasa! 

tem muita distinção e honra!

- Louro é um Super-herói.

Eita Correntina

que gosta tanto de Louro

falante  menino prosador!..

Desde os tempos do tabuleiro de pão!

Quando gritava pelas ruas:

- Olha o pão de sal e de doce!

… 

Alguém já o viu Louro “azuado”,

chorando mágoas?

de mãos  nos quartos

ou na espinhela,

na janela ocioso e leso

vendo o tempo passar?

 

Não! Não! 

Louro nunca negou labor

Herança do pai e do avô

mania de trabalho de Manim!

Vida que segue os passos de Louro

ou Louro

que segue os passos da vida!

 

A rua é seu palco

 a vida sua arte!

No vai e vem da cidade

na rotina do dia... 
Louro é 10 é 100 

Louro é "zeeem!"

Não passa um dia sequer,

 sem assistir

as psicodélicas criaturas da cidade 

Alguns insistem chamá-lo de louco!

mas de Louro e de louco,

todos temos um pouco.

 

Amável e quase adorada criatura 

letrado pela Universidade da vida

“Discute arquitetura com Júlio Doido

Química com Tõe Besta,

nutrição com Cebola 
Coreografia com Nezo,

Psiquiatria com Zaú

Assistência Social

com Raimunda Raposa

Pediatria com Maricota

Direito com Gregório doido

Oratória com Joana do Padre,

Ecológico com  Cornélio…"

Eita sabedoria tanta ! 

Eita vida tonta…

 É mais uma dessas criaturas

“estrobofóbica!”

que reluz como relâmpago que

relampeja sem trovão!

É figura resistente 

a banalidade da Era!

É  o embaixador da cavalhada

e na festa de momo Ele é o Rei!

Na festa do Divino, Ele é a pomba

Na festa do Rosário Ele é coroa  

Na procissão  ele é o andor

que carrega o santo!

Na festa de reis Ele é a bandeira

O Paruara mor.

Incomparável e doce criatura 

é Louro

Cremoso que nem tijolo de leite

com requeijão

Louro é freguesia certa

no Mercado Municipal

na bando de Dona Mariquinha

dome sarapatel e bucho de bode

costela e rabada

É Amigo de Seo Zé de Aurora,

Aldegundes e Dona Milú. 

Louro é um maroto feliz!

Se veste ao rigor do dia

Paletó e gravata

só na festa dos paruaras

gravata só borboleta!.

no estilo marmota.

 
Passa horas infindas

no Bar do Tóta

onde tudo acontece

sem nada mudar!

No bar do Tota tem patota

sem patroa!

Tem água ardente

cerveja gelada

Na cadência tem o  surdo 

de Neto de Cordeiro

o violão de Vává

o canto e as piadas de Canô

o cancioneiro Celestino

na voz do Kategoria

enchendo de melodia

as horas vazias

Tem muita conversa jogada fora...

Louro é o porta estandarte da arte!

É o espetáculo da rua

A atração do show que continua!...

No bar do Tota tem um chão de estrelas

Tem Henrique de Jacira,

 tem Váva e Tonho Poeta

tem poesia no bar do Tota

onde a vida graceja a morte

E a sorte se tira

quem será o morto da vez!

Quem foi? - Quem vai?

Lá se canta as lembranças

do morto morrido

Napú, Moca, Verissimo e  Pedrã

Valmir de Olegário…

Era lá que o poeta Antônio Barbosa

acalantava o cotovelo

e o calcanhar feridos por seus amores! Era lá que Canô assentado

bordeja a vida na cativa cadeira

comandava o show…

mas, a festa acabou!…

O Bar ainda esta de pe

ainda tem freguesia imponente

Edgar Brotim Javan de Iôzim

Vavá de Lourdinha

Louro de Manim

Neto de Cordeiro

Fenelon e Teoney

 Dr Marcelo

filho do velho Canas 

afortunada criatura simplória. 

No bar do Tota

silêncio só quando passa a procissão 

A reverência com o copo na mão!

E Louro  perambula a pé

cada rua da cidade

de porta em porta “qui nem”

a zabelê...

Grita numa porta chama outro delá... Fala pelos bicos e cotovelos

Chama um de xibungo

outro de besta sem que ningúem

com Ele se “azuê”!...

Louro poderia ser nosso Prefeito 

seria perfeito! 

- o que? grita Ele de lá

"Eu não sou ladão nem besta!"

Louro é avesso a político

o partido de Louro é Correntina

e se mexer com ela

Ele esparrama as ramas

é preciso muita calma nesta hora

só Deus pra junta os cacos

de quem sobrou os pedaços ...

O palanque de Louro é Casa de Louro

Onde todos têm direitos iguais

Sem ideologias absurdas

sem a militância da toga suja

suprema vergonha nacional.

A Casa de Louro é essência

E’ cultura

É bafo... é desabafo!

1816384.jpgNa porta de  sua casa ele solta foguetes

feito menino levado liga a difusora

toca orquestras e dobrados...

É Louro de todos os tempos

do Juda, dos paruaras e reizados

Louro das anedotas!
Louro dos carnavais e canaviais!

Louro dos Neves e Vieiras

Louro da TV Anhanguera

Louro de tudo e de todos

Louro que não é de ninguém!

Que dia você vai embora LOURO?pergunta um desavisado

e Ele grita do outro lado da rua

na bucha:

“- Vou no dia que'u quiser

seo xibungo!

você não manda ni mim."

Este é Louro, amargo qui nem jiló

O outro é Laurentino, doce rapa dura!

Melado de cana caiana!

Eu ficaria tão triste e Correntina tão só se um dia Louro voasse

pra tão longe...

Eterno sei que Louro não É 

e um deste munfo Ele “avua”

e enquanto não “vua”

Ele fica na casa de Louro 

na boca do povo!

no Coração da cidade

nas festas folclóricas

e na boca da difusora

no testamento do juda

na folia de reis... 

Neste auto retrato feito poesia 

e na história de nossa cidade...

Louro nunca será esquecido.

Louro ficará  no meu no seu coração amigo

Onde um dia descansará em paz

Louro vai virar estrela da manhã

presépio de natal

 arvoredo de são João

prenda no arvoredo de Otaviano

e João Binga

Vai subir como faísca de fogueiras.

No cortejo do Rosário no terno das pastorinhas

no canto das encomendadeiras  

no celeste porvir

onde eterno Ele pra sempre será

L A U R E N T I N A !

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Ao meu amigo contemporâneo Louro de Manim,

 este auto retrato pela importância

de sua ilustre prosopopeica

E hermenêutica pessoa.

 

 

Seo amgio:Toinho de Iozinho

Correntina BA 12/2020

 Nota: deixe seu comentário abaixo.

O aplicativo está com problemas na 1a linha dos parágrafos, sendo observado.

Flamarion Costa; Alberto Nascimeto
Enviado por Flamarion Costa em 08/06/2026
Alterado em 25/07/2026
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