A história da família CASTRO é a mesma história de centenas de família que no século passado partiram de Correntina na Bahia para a cidade de Goiânia ou Brasília no afã de encontrarem um futuro próspero, para si e para seus filhos.
Trocando os nomes dos personagem desta bela historia aqui narrada veremos que, o enredo se repete para todas famílias que neste período partiram da cidade via cerrado, rumo ao centro oeste brasileiro. Esta é a descrição de uma aventura inesquecível e a memória de uma paisagem destruída. O cerrado hoje ainda persiste na memória daqueles que ao cruzar seus 200km de vida, hoje sentem saudade do que foi o cerrado no centro oeste brasileiro.
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SELMA CASTRO é uma correntinense poetisa, que ainda menina deixou Correntina para com a família ir morar no Goiás, (Goiânia). Não foi uma decisão nem um começo fácil para seus pais, porém não havia perspectivas de futuro no municipio, tomado por efeitos tardio de uma crise de seca assolou a região, desde a década de 30, o que colapsou a economia por décadas, trazendo como consequências o desemprego e a fome.
Naquela época as família eram numerosas e quando não se tinha em casa o que comer, um passeio pela natureza se colhia de tudo pra uma boa refeição. Isso encorajava as famílias e as tornavam numerosas; os pais não faziam economia de filhos, pipos além da fatura na natureza, todos os novos casais tinham no sogro e sogra o apoio no compartilhar do pão. Muitos eram os que se davam em casamentos sem ter uma fonte de renda estável que lhes asseguravas cobrir os custos de um lar.
Os Pais de família se valiam de uma profissão prática; pedreiro, carpinteiro, alfaiate, balconistas de lojas, pequenas lavouras em terras da família ou arrendadas. Pra tudo tinha-se um jeito só não tinha jeito pra morte!
Muitas das profissões eram aprendidas no dia a dia, com profissionais que já tinham cometidos seus gafes e adquirido experientes capaz de ajudar novos profissionais a não passarem pelos mesmos martírios. Quando não eram repassada de pai pra filho.
Com as mulheres a situação era mais amena ou aprazível, pois elas pegavam um atalho sem sair de casa; elas se aperfeiçoavam nos dons com que nasciam; recebendo de suas mães as orientações básicas para que esses dons fossem desenvolvidos e postos em pratica em casa, ou seja, experiências colunarias, costuras, bordados que eram repassados também de mãe pra filha.
Muitos desses casais quando se viam ‘‘arrochados”, passando por momentos difíceis, mesmo com apoio dos sogros, levava as esposas a por em prática os tais dons do aprendizado para ajudar seus maridos no sustento da casa. A esta altura da vida já tinha dois ou mais filhos, enquanto os maridos se virava a procura de emprego ou mesmo de tarefas temporárias que lhes rendesse alguns trocados, o popular ‘bico”.
Geralmente os filhos, cunhados ou mesmo um particular, saía as ruas vendendo o que se produzia em casa; uma variedade de brevidades, bolos, biscoitos, pastéis até mesmo doces de fácil manejo e baixo custo, como a tal “puxa”; um tipo de doce feito de rapadura que levada a fervura, depois batida era transada e vendida por seus filhos que saíam as ruas vendendo o que se fazia em casa.
Onde houvesse um aglomerado de pessoas, principalmente no campo de futebol, lá estavam os pequenos e grandes meninos, com suas bandejas, ajudando a conquistar o pão de cada dia.
Selma Castro, nosso o personagem central desta narrativa, é neta da magnífica professora Idalina Castro e seu Raimundo. Dona Idalina foi uma professora pioneira; uma das grandes baluarte na educação no município de Correntina, no mesmo período, foi a professora Maria da Cruz Rocha, que assumiu por muitos anos o posto de Delegada Escolar do município, (Professora Zinha). Seus nomes hoje figuram não apenas em nosss história, mas são rótulos de honra autenticada, a identificar algumas escolas públicas na sede ou no município.
Professora Idalina e Seo Raimundo tiveram por filhas: Júlia, Lulu, Rita, Nicinha, Angélica e Maria Avelino, conhecida por Dona Mariquinha, esta sendo esposa de Seo Olísio e as não casaram ficaram por tias da geração dos filhos gerados por Olísio e Ma. Avelino.
As tias também com o passar dos anos, acabaram se mudando para Goiânia, com exceção da Tia Nicinha e Tia Angélica que ficaram em Correntina. Tia Nicinha após a morte do sobrinho, filho adotivo Alvaro de Castro, (nosso grande ator); entrou em depressão que grave. O mesmo ocorreu com a Tia Angélica, uma alegre catequista regente de louvores, membra assídua da Congregação Filhas de Maria; muito conhecida por sua dedicação as atividades da Igreja Católica. Elas faleceram em decorrência da enfermidade.
A família morou na praça da Matriz, cuja a residência ainda pertence a família e lá, hoje, reside a sobrinha Nazaré que anos mais tarde, retorna a Correntina onde atualmente vive.
- FAMÍLIA CASTRO -
João - José - Claudia - Nazaré - Rosangela Selma e Regina

Seo Olísio trabalhava como vendedor na loja de tecidos de Louro de Seo Leônidas Costa, que expandiu seus comercio para a cidade de São Luís do Monte Belo - Go e para lá levou José, o filho primogênito de Seo Olísio, como empregado de sua confiança, para ser o responsabilidade pela loja de Tecidos.
Naquele período o salário mínimo instituído pelo Presidente Getúlio Vargas (1936) efetivado em todo pais somente a partir de 1940, com valores diferenciados por região. Não era possível no interior do país pagar o mesmo salário pago nos grandes centro, por diversas razões.
O comerciante do interior do país dependiam muito do movimento e da estrutura logística de vendas para se pagar um salário mais justo e em dia. O colapso na economia ocorrido nos anos 30 se estendeu além do previsto, principalmente no interior do País.
Somente nos anos 60, no governo Juscelino Kubitschek, com a construção e transferência da Capital do Rio de Janeiro para Brasília, no Centro Oeste e o slogan “Brasília capital da esperança”, veio uma frenesi em todo pais, principalmente nas cidades do interior, do centro oeste, onde persistia a crise pela falta de emprego. Está transferência da capital do país promove um êxodo não só nas regioes vizinhas mas todo país, oeste rumo ao Centro Oeste, a Capital Bradilia.
Os baianos de Correntina deram preferência migrar para Goiânia pois Salvador a Capital do Estado ficava distante 1000km e com um difícil meio de transporte. Brasília vivia um período alucinado pelo ritmo da construção que JK prometia concluir em cinco anos e cumpre entregando ao Pais uma nova capital, e atingindo com êxito seu propósito!
José ficou em São Luis de Monte Belo por uns três anos, sem desistir do seu foco, que era ir para Capital, Goiânia, onde pretendia dar continuidade aos estudos e foi o que aconteceu. Três ou quatro anos depois deixou Monte Belo e chegou enfim em Goiânia com o pé direito… Lá chegando conquista uma bom emprego com ótimo salário! Tornou-se funcionário da VASP - Viação Aérea São Paulo. Tratou de alugar um bom barraco Setor Universitário e o novo objetivo era trazer seus pais e irmãos. Sempre que mandava notícias a família incentiva a mãe Dona Maria Avelino, ou Dona Mariquinha a convencer seu pai a mudar para Goiânia.

O coração de Dona Mariquinha já vivia inquieto em estar longe do seu primogênito e as notícias não eram frequentes, mas, sabendo que contava com apoio do filho já estabelecido e quem não começariam do nada, inicia seu trabalho de convencer o esposo, Seo Olísio, se valendo das dificuldades pelas quais passavam para criar os oito filhos já existentes. Ela insistia dizendo que não tinham nada a perder, ao contrário, só tinham a ganhar com a mudança para a Goiânia; primeiro porque já tinham um lugar para morar; segundo que não lhes faltariam emprego; terceiro que os filhos poderiam ser matriculados em escolas públicas de boa qualidade e por fim que eles logo se acostumariam ao ritmo 
da vida na capital, teriam oportunidade de cursar uma faculdade é ter bons empregos; quem sabe, ser profissionais doutores, autônomos!
Certamente situações como essas aqueciam o diálogo do casal quando se recolhiam para o descanso do dia. Tais argumentos somados a virtude e prudência na argumentação deram resultado; enfim Dona Maria convence Seo Olísio quanto a realidade do presente em Correntina e as perspectivas futuras no Goiás.
Selma Castro estava entre os oito filhos do casal que dependiam do pão e do feijão de cada dia, difíceis de si conquistar com regularidade daquele momento em que viviam. então Seo Olísio se convence e autoriza os preparativos para a mudança.
Revestiram-se de coragem e muita fé, além do entusiasmo da turma, com os preparativos organizando a “matula”, definindo data, o que vai, o que fica, Seo Olísio começa fazer as contas do custo da viagem… se incumbe de vender o que não seria levado, pede as contas da loja de tecidos, junta mais uns trocados daqui, dali e no período planejado estava com os recursos para garantir as despesas de viagem.
O irmão Álvaro ficou de fora desta lista de viagem pois esse a Tia Nicinha colocou debaixo da asa e disse: - esse fica! é meu!. Eles eram muitos ligados um ao outro e ela assumiu a maternidade do sobrinho que foi criado como seu filho. Os demais filhos João - Antônio - Rosangela - Nazaré - Selma - Regina, Seo Olísio e Dona Mariquinha se prepararam para a o viagem num clima de festa, como se fossem a uma excursão! Era o que se passava na cabeça da turma; eles tinham em mente que iriam fazer uma viagem para Goiânia e se não desse certo, voltariam! Simples assim!
Não se tirava passagem para viajar nos pau de arara, mas se faziam reservas antecipada, para não correr o risco de não encontrar vaga no competitivo meio de transporte da época. O embarque ocorria sempre a boca da noite, por volta das 18hs na praça do Hotel de Vivi; não havia rodoviária em Correntina e o Hotel era o ponto de referência para chegada e saída dos velhos Paus de arara e sempre que isso corria, lá se reunia uma pequena multidão para se despedir dos ente queridos que partiam, enquanto outros lá iam pela curiosidade em querer vê qual família desta vez subia o cancelão, rumo ao centro oeste.
Ilustração domínio público

As décadas de 50/60 “ERA” dos paus de araras, foi marcada por dezenas ou centenas de famílias que trocaram o oeste da Bahia por Brasília e Goiânia. Famílias como os Coimbra de Seo Miguel e Pedro Aleixo; Elias e Odílio França; Zeferino Barbosa; os Paturys, Seo Hélio Alves, Oséas Cardoso os Sales; os Neves netos do Velho Pedro Cícero e Manim Vieira e mitas outras. Pois na década de 70 os paus de arara foram substituído pelos ônibus da Viação Badeco e Viação Brandão e o êxodo se manteve, no vai e vem sem fim! Mesmo sem asfalto seguindo a mesma trilha dos caminhões no cerradão; porém agora no conforto das poltronas, protegidos do frio e do calor; sem dividir espaço com cargas de produtos que eram exportados do município para o Goiás, como banha de porco, grãos, açúcar mascavo, peles e couro de animais.

A mesma curiosidade que ocorria na partida dos caminhões também acontecia na chegada do Pau de arara ou buzú. Sempre a frente do Hotel de Dona Vivi. Os caminhões quando estavam próximos da cidade iniciava um buzinaço potente e insistente, acionada a altura da caixa d’água ou quando esses surgiam no alto do cancelão, ao lado do velho cemitério.
Era o anuncio o esperado de sua chegada. Fosse no romper do dia ou mesmo altas horas noite, os curiosos corriam para a praça do hotel e vê no tosto dos que chegavam a expressão de felicidade ou de tristeza. Felicidade em chegar e rever amigos e parentes e tristeza, por parte daqueles que foram e logo voltaram, decepcionados por não conseguirem vencer os obstáculos na capital!. Não me lembro de alguma família que tenha voltado, mas sim algumas moças ou rapazes solteiros.
Não foi fácil para Seo Olísio, nem para nenhum outro chefe de família, a decisão de ir embora de Correntina, sua terra natal de belezas tantas, povo aconchegante e hospitaleiro… mas esse momento chegou para muitas família.
Enfim, chega o dia da partida… Agora era acomodar-se nos duros bancos de madeira do velho pau de arara, se agasalhar, fazer a reserva de água e comida com a tradicional galinhada e as latas de farofas acomodadas em locais de fácil acesso e assim encarar os imprevistos de um cerrado inóspito a frente!.
Aos gritos do grande chofer Cordeiro, por vezes de Seo Seo Vessinho da porta de sua casa; os caminhões partiam. O tradicional local de partida era mesmo a praça do Hotel de Vivi. A praça do hotel parecia uma movimentada estação rodoviária, onde o boteco de Seo Anjo fazia o papel de lanchonete, oferecendo um pouco de tudo, mas o bom mesmo era o tal todyy quente, vendido como se fosse chocolate quente… leite era puro, do dia e isso certamente fazia a diferença.
Ilustração domínio público

O motorista do velho Pau de Arara dava a partida e sai buzinando tomando o rumo a estrada… Lágrimas de emoção tomavam o rosto dos que partiam e dos que assistiam à partida…
O motorista Cordeiro foi um dos mais competentes ou experientes motoristas daquele período que marcou nossa história, quiçá o mais famoso desses heróis do volante, cujo cerrado os referenciava quando reconhecia o turro do mercedão rasgando o areião… fosse FORD F-600 motor V8 ou o MERCEDES 1113, cara chata ou bicudo. Cordeiro não engolia desaforo da natureza; era o motorista de confiança do velho Badeco, dono de uma frota de paus de araras, também conduzidos por seus fihos, Zezim, Carlito e Miro.
- Uma foto histórica -
Ao centro agachado Geraldo Badeco e a direita cabelosnlongos sua irmã Marisa (?) Todos ilhados pela família Arantes Amélia e Clarice Santos - Dulce de Cordeiro - Marta De Flozinha
Valdemar e Esposa (esq)

Certamente no momento em que o caminhão pau de arara saia pela esquerda do Hotel, buzinando, certamente Seo Olísio e Dona Mariquinha ergueram as mãos para os céus, na fé, certos de que não seria fácil, mas a decisão não tinha volta! Ela sim, tinha a certeza de que o futuro não seria tão incerto como o passado que ficava pra trás. E o caminhão escafedeu no escuro da noite, levantando a poeira vermelha do sertão; após passarem pelo velho cancelão, em pouco tempo, já estavam encarando o areião do cerrado, as veredas alagadas e a noite fria de um céu tomado de estrela, como nunca se via no céu da cidade!
Pau de arara - anos 60

Os filhos certamente viajavam empolgadas pela expectativa curiosa, entre o fascínio da viagem e o medo do desconhecido que estava adiante!. A preocupação era para seus pais, pois esses eram os responsáveis pelo sucesso ou o fracasso daquela aventura. O futuro para os habitantes do oeste baiano estava em Brasília e Goiânia e ninguém queria de lá voltar frustrados!
O ânimos da turma alimentava a esperança dos velhos pais, que por vezes não conseguiam esconder a sensação de ansiedade… Era chegar e vê em que daria toda aquela aventura! A viagem atravessava a noite para percorrer 200km de cerrado até a divisa Ba/Go; em seguida viajavam o dia inteiro de sol a pino, para se chegar a Brasília e depois já passando das 24 horas de saída de Correntina. Isso quando um imprevisto não os deixava por horas infindas no meio do nada a espera do socorro vindo de longe.
A viagem hoje dura pouco mais de 5/6 horas, naquela época durava de 24 a 30 horas de estrada, com paradas precárias no famoso Café sem Troco, pois ali tinha-se dificuldades com moeda corrente e a cédula ou a moeda sacada era o pagamento exato para o que fosse consumido. Sabia-se que não tinha troco para nada!.

Nesses pontos de paradas ocorria um breve descanso para os ossos do “coqui e coluna” que no sacode e pula, nos rudes bancos de madeira dura, davam canseira!. Também era a a hora de um breve lanche, hora de pegar a lata do “frito ou paçoca” não a paçoca doce de hoje em dia, mas aquela mistura deliciosa de farinha e carne de sol batidos no pilão! Ahuuumm! e a galinhada com arroz ou galinhada com pequi! outra vez Ahuummm! e o café quentinho da hora era vendido na casa.
Outra parada que ficou na história dessas viagens foi a Casa do Preto Aurélino e a Velha da Galinha, onde também se tirava a lata do que tinha pra se comer e se comia! Os motoristas, donos de caminhão e seus convidados eram quem tinha tratamento diferenciado, lá no terreiro nos fundos da casa ou mesmo na cozinha.
Os pontos das paradas eram definidos pela evolução da viagem; o último ponto desta jornada era a chamada “Agua Quente” na divisa do município de Posse - Go. Não sei explicar o nome água quente, se a nascente cheia de buritizais era friaaa!. Vai saber a razão do nome! mas é hoje uma das poucas nascentes vereda que ainda se vê pela estrada.
A VEREDA ALAGADA DO CERRADO

A expectativa de um futuro melhor para os filhos dissipavam o cansaço e o medo que por vezes estava transparente no olhar de Seo Olísio, consolado em silêncio por Dona Maria Avelino que ao afagar-lhe os cabelos, era como se o dissesse: - Força meu velho! Ânimo! Vai dar tudo certo!
A família de Seo Olívio e Dona Maria foi uma das exceção, porém grande maioria das famílias que chegavam a capital Goiana contaram com o apoio de seus familiares e principalmente dos irmãos Ubaldino e Edmundo Rocha que sempre se dispuseram a receber os “chegantes” e dá-lhes boas vindas, com orientações precisas até apoio temporário com moradia e cestas básicas de alimentos.
E a família de Seo Olísio chega enfim a Goiânia onde já os aguardava o filho José com o barroco pronto, alugado no Setor Universitário, onde a família morou por longos anos, talvez tenham sido os primeiros baianos a não se instalar na Vila Nova, que costumo dizer que a Vila Nova deveria chamar-se Vila Correntina ou Vila Bahia, por ali morar uma grande comunidade correntinense, sob o olhar dos irmãos Rocha que acabaram sendo eleitos Deputado Estadual e Vereador.
Vencida as etapas iniciais, não houve descanso no dia seguinte para ninguém. Seo Olísio saiu cedo com o filho José para arrumar emprego, pois esse já tinha conhecimento onde encontrar emprego rápido, na área de atuação do pai; enquanto em casa D. Mariquinha e seu time de mulheres tomavam providências com o que se tinha em casa, listavam as necessidades mais urgentes do dia a dia, para em seguida, com apoio dos parentes já residentes na capital, procurar a escola pública mais próxima e efetuar matrículas da turma.
Seo Olísio e Dona Maria mais tarde passaram a residir no Jardim Palmeiras, onde compraram o lote e construíram sua casa definitiva; os filhos foram se acomodando, tanto no Setor Universitário, como em outras localidades.
O BOLO DE ARROZ INSUBISTITUIVEL

Se por propósito ou opção de captar recursos de forma mais rápida, Dona Mariquinha lembrou-se do Bolo de Arroz, mais tradicional que o pão de sal de Seo Petrônio ou qualquer outra “boleira ou biscoiteira” de Correntina. Essa iguaria até hoje é a referencia que atravessou o século passado e avança no século atual, como uma raridade muito desejada. Esse bolo tem uma tradição familiar, foi conhecido com Dona Ninha do Major Félix e popularizou-se através das mãos de Dona Nicinha, Dona Marcelina e Nely, nora do Major. A introdução do Bolo de Arroz em Goiânia foi uma bênção; sucesso absoluto! não só pela iguaria e o seu sabor mas, pelas lembranças intrínseca nele. Os baianos de Correntina atravessavam a capital, quando a saudade apertava, para ir atrás do Bolo de Arroz de Dona Mariquinha e os mais próximo recebiam o bolo em casa, pois esta era a responsabilidade do filho João, o entregador do bolo de arroz. O bolo tornou-se uma importante fonte de renda que garantiu os custos dos estudos até a faculdade dos filhos que se habilitaram.
E a vida na capital foi tomando seu curso normal; cada um se virando como podiam, os que tinham idade para trabalho, foram em busca de vagas em supermercado, lojas, farmácias; opções rápidas de trabalho. A vida deu uma guinada de 360o. dando margem para o nascimento de mais dois filhos, genuinamente goianos: Cláudia e Cayo 𝐃𝐢𝐦𝐚𝐬.
Selma, a nossa poetisa, então ingressou na Universidade Federal do Goiás onde graduou-se em Enfermagem, indo depois trabalhar no Hospital Universitário da Universidade Federal do Goiás - UFG e ali conquistou sua aposentadoria. Selma tirou a sorte grande entre as irmãs, foi a primeira a se casar; o amor chegou rápido, assim repentinamente, como se por encanto; nessa que costumar dizer “Amor a primeira vista!”
João Batista & Selma
JOÃO BATISTA, o maridão surgiu assim de repente e sem recado; foi mesmo ao acaso, coisas do destino. Bateu a porta do seu coração e Ela não teve dúvidas de que era a pessoa certa para uma longa vida a dois. O destino cuidou para que um atravessasse o caminho do outro e sem dúvida, foi sim “amor a primeira vista!” Com certeza que sim! Digo por experiência própria. Passei pelo mesmo processo que é muito raro acontecer e indolor. É um fenômeno tão raro que até parece rota de cometa; certamente o cometa do amor. Esse quando passa não se pode ter duvidas e nem falta de percepção para discerni-lo. Não se pode dar uma de noiva imprudente e deixar faltar azeita na lamparina do coração. Se se perde a sua passagem, bau! bau! nenhum amor será igual aquele que passou, sem ser amado!

O amor a primeira vista é um fenômeno que só se conhece e vive, quem não deixou o coração vacilar… Ele é eterno enquanto durar a vida e por vezes transcende a própria existência. Um do outro passa ser o ponto de equilíbrio e só pensa assim, quem realmente viveu ou vive a experiencia do amor verdadeiro.
Com o casamento Selma tornou-se SELMA CASTRO COQUEIRO, sobrenome com o qual se identificou com tal simpatia, que o adotou para se identificar na rotina do dia a dia e até mesmo como poetisa, SELMA COQUEIRO.
Selma E João Batista se viram e seus corações se incumbiram de concluir o processo indolor de um amor que veio pra se eternizar em vida. Ambos não queriam mais andar sozinhos; acharam um no outro o ponto de equilíbrio e se deram de presente já completando Bodas de Diamante como prova de uma união duradoura, rara e inquebrável, como a gema da preciosa pedra, brilhantes. Vieram os filhos, Allan pai de Luisa que é mãe do bisneto Ziggy; veio Luciano pai do Thiago, hoje engenheiro civil e engenheiro da computação.
Tudo isso aconteceu porque um dia, bem lá distante de hoje, um pai e uma mãe, preocupados como futuro de seus filhos, tomaram a sábia decisão de deixar sua terra natal e se aventurar em uma capital. Nada pela ação do extinto de sobrevivência, mas pelo amor que faz o coração de uma mãe vê pela fé, o que está depois da curva, fora do alcance da razão, mas visível pela fé que consiste no “firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem." (Hebreus 11:1). Não há como semear e colher no instante seguinte é certo que há um momento de colheita, por vezes nem é quem plantou, que irá colher, certamente seus descendentes, mas é certo pois a palavra de Deus nos assegura que , há um tempo determinado para todas as coisas, debaixo dos céus”. A geração da Profa. Idalina e Seo Raimundo colhe o que se iniciou com ela, depois com Maria Avelino e Seo Olísio, pois os filhos e os filhos dos filhos, é quem por certo hão de fazer a última colheita.

Uma vez aposentada, Selma Coqueiro passa a dedicar-se, com mais tempo, a escrever poesias, o que era algo ocasional, tornou-se mais frequente. O dom artístico fez pulsar o coração correntinense, que cedo ou tarde acaba se revelando em nossa gente. É comum os que lá nascem ter o dom de uma arte.
Hoje do alto da montanha vencida, algumas dezenas de anos percorridos na longa estrada da vida, certamente ela É uma vencedora que tem feito uso da arte poética, o hobby, que alegra o seu coração e por tabela o nosso, que por vezes vê dissipar, a neblina que ofusca nossas lembranças, atiçadas por um saudoso poema.
Ela diz não ter nada extraordinário para oferecer mas na verdade tem um coração de raro sentimento que já se revelou pela profissão escolhida: Enfermeira! Esta é uma profissão totalmente voltada pelo amor ao próximo, pois a ele se dá, em momentos em que mais um ser precisa de carinho, da atenção e do amor ao próximo.
Aos 78 anos de vida, plena a si e a família, continua trabalhando naquilo que lhe é prazeroso; além da dedicação ao marido, filhos, netos e bisneto os quais considera ser seu o ponto de equilíbrio e o maridão seu porto seguro. Se declara ser uma pessoa feliz e orgulhosa de ser uma correntinense que nunca deixou cair o seu cordão umbilical, mantido pelas lembranças que de lá carrega; afinal é lá que estão suas raízes, velhas lembranças, eternas amigas...
E eu a encontrei quando andava detraído, vendo o tempo na velocidade do vento, sem contudo sair do lugar… vagava ao acaso pelo céu virtual das redes sociais. Foi numa noite fria de junho de 2017; cheguei até fazer um contato imediato, com esse ser iluminado de olhos de azuis, segui o rastro de sua luz, até colhi algumas amostras de suas poesias (a seguir) e quando quis saber mais, colher mais, Ela havia desaparecido como um cometa sem rota definida, desconectou-se do mundo virtual, deixando-me a espreita, na esperança de um reencontro, não sabia quando, como, se não ficou vestígios daquele acaso… mas enfim, reencontrei sua rota estrelar e aqui está o resultado deste reencontro. Este resumo biográfico de mais uma poetisa de nossa fértil e culta Correntina.
Aqui está um breve resumo da vida e da arte de Selma Coqueiro.
“Se a minha poesia é fruto do seus anseios Correntina, fico feliz e muito grata por ter a oportunidade de dizer-te que a distancia nunca nos separou; nossas almas sempre foram gêmeas, onde uma está a outra anda por perto. Nunca me esqueço das velhas amigas que sempre estão presente, em nossos encontro virtuais. Eu sou parte de você que sempre foi parte de mim; sempre nos mantivemos ligadas pelas raízes que nos alimentou tantos sonhos; sentimento que ainda nos enlaça. Pelo que sou grata a Deus pela vida que dele recebi e tudo que permitiu-me viver.”
(Selma Coqueiro)
Até aqui nos ajudou o Senhor Jesus.
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FanacoS
Cenas Teatral: Correntina BA
Coração em frangalhos
Suspiros, gemidos...
Pedaços espalhados pelo ar
Pelo espaço colorido, tão sentido...
Pulando no peito, sem cabresto,
sem pudor...
Sem medo de sofrer...
A dor que mata sem doer
Doer tanto até morrer!
Essa dor que me maltrata
Que me arrasa, que me mata...
Quem dera pudesse mandar
Ordenar ao coração
Pare agora de sofrer.
Já estou quase no fim
Me ajude a catar
Todos os pedaços de mim!
Não quero perder-me ao léu
Esparramado sob o céu
Pedaço aqui, pedaço ali...
Quero por inteiro me encontrar
Do lado de lá
De onde certamente vim
Um ser humano completo.
Mesmo sido remendado
O coração que pulsa aqui
Quero dizer estou inteiro!
Cada pedaço juntado
Colado dentro do peito
Cheio de amor e poesia
Para quem nunca me quis
E mesmo assim poder dizer
Eu fui e ainda sou feliz!............
Voei pra longe de mim...
Em busca do tempo perdido
Do amor mal resolvido
Da vida que tive contigo
Que tanto mal me causou...
Da dor sofrida em silêncio
Da mágoa mal disfarçada
Que tanto me embaraçou!
Do desprezo que me deste
Das noites tão mal dormidas...
Quando estava ao teu lado,
Como se estivesse só!
Perdido no mar distante
Sufocado em ânsia amarga
De tanto te procurar...
E tu, como se não escutasse
O que eu dizia em silêncio
Com meus olhos nos teus olhos...
Suspirando em teus ouvidos,
Afagando teu pescoço,
No mais completo alvoroço...
E tu não correspondias!
Na mais pura mansidão
No mais total abandono,
Virava as costas e dormias!
Como se não existissem
Braços vazios ao teu lado
Em inteira devoção
Consumido de paixão
Implorando ser amado,
Implorando teu desejo,
Tua boca e teus beijos,
Tua alma e coração!
............

O vento que vem do mar
Esfria meu corpo inteiro...
Passeio só, pela praia,
Contemplando o sol se pôr
Numa nuance de cores
Que faz a vista encantar,
Até a luz mortiça do ocaso
Finalmente se apagar!
Na escuridão que aparece
E toma conta do céu
Uma a uma vão surgido,
Pontinhos de luz de prata
No firmamento a brilhar,
Quão as estrelas, tão lindas!
Que vem a noite aclarar.
Fico pasma a admirá-las...
Tão belas e tão distantes!
Me sinto tão pequenina...
Como uma gota no oceano!
Perdida a devanear
Ao enxergar tanta luz
Que só em noites mais densas
Se pode avaliar
Esqueço a vida lá fora
Nem sinto o tempo passar!
Olho pro céu, olho pro mar...
E não sei qual é o mais belo!
O céu cheio de luz clareia o mar
O mar na escuridão reflete o céu!
E eu embevecida a contemplar
Não sei quem sou...pra onde vou,
Sozinha ao léu!
As ondas lambem os pés descalços
Na fina areia a caminhar
Não sei se fico com as estrelas no infinito
Ou se mergulho nas águas turbulentas
Do mar que está a me esperar ...
Até que amanhece um novo dia
E o sol com sua luz volta a brilhar!
Tornando o mundo ainda mais bonito!
Então eu vejo que não estou sozinha,
Como sempre imaginava estar...
Pois, a me fazer companhia,
Nas ondas em meus pés a deslizar,
Eu vejo pousada sobre a areia
Envolta em sua capa a dormitar
Talvez sonhando como eu Um belo sonho...
Uma linda estrela do mar!
Águas cristalinas
que minam da terra
que nascem no alto das serras
que correm os vales
e descem dos montes
em ondas constantes
e rios flutuantes
no dorso da terra.
Molham as sementes de arvores
flores e verdes gramados
que perfumam o ar
desnudam o olhar
e correm para o mar
Todos que aqui chegam
adoram este rio tão lindo
que manso corre sereno
a procura do mar1
O mar… o mar!
tão imenso e tão profundo
tão azul
encanta e embeleza
todas as praias do mundo
O rio… O mar!
Domínio Público

Selma coqueiro – poetisa correntinense.