Correntina Arte & Cultura
Casa da Cultura Iozinho Costa
Textos

ARMANDO NEVES MOREIRA

 O menino da Baraúnas

 

Nasceu, em 18 junho de 1948. Filho de Bernardino Gonçalves Moreira, mais conhecido por Seo Dadinho Moreira e Maria Neves Moreira também conhecida por Dona Mariquinha. Iniciou seus estudos ali mesmo na Baraúnas, quando o ABC era o primeiro nível da alfabetização de crianças e adultos; elas aprendiam no ABC a conhecer o nome, o som e a forma gráfica das letras; bem como a conhecer o que era consoante e vogais. O segundo nível era a cartilha, na qual se aprendia a formar palavras e a fazer pequenos ditados e leituras a frente da sala; algumas dessas professoras práticas, mais exigentes, já introduziam o sistema numeral e a conhecerem a tabuada para aí então considerar-se alfabetizado.

Tanto na roça, como na cidade, haviam pessoas mais habilitadas que eram reconhecidas como professoras, muitas particulares, que se dedicavam com exclusividade a analfabetizacao de crianças e adultos. Uma vez passando pelo ABC vinha então a cartilha o 2o. Nível da alfabetização para então ser consideradas aptas a se matricular em escolas oficiais no curso primário.

Em 1962, mudou-se de Baraúna para a cidade morando inicialmente na Casa Paroquial, onde teve seu primeiro trabalho, não remunerado, como coroinha nas celebrações das santas missas ministradas pelo Revdo André Frans Bérènos.

Cursou o primario no Educandário São José, onde chegou a iniciar o ginásio, e recorda a ordem e a disciplina cristã, a fila para o acesso a sala de aula; uniforme sempre limpo, cabelos aparados e a cantar no pátio da escola ou em sala, o hino nacional; sua a admiração e o respeito pelos velhos mestre é de todos nós; memoráveis mestres, inesquecíveis como as professoras Anísia Moreira, Irmã Zélia Magalhães e Júlia Guerra.

Armando & Oswaldo Moreira Cleumar & Hugo e Armando Neto

1819041.jpg

Antes de deixar Correntina trabalhou como dentista prático pela força da necessidade dele e dos pacientes desesperados com dor de dente. Aí era só procurar o dentista prático Dr Armando que ainda cedo aprenderá manusear uma seringa anestésica e o temível alicate buticão e estava resolvida a questão da dor; era o mesmo que tomar “Doril” o dente e a dor sumiam!!! .

Era grande a falta de profissionais destistas no interior do país e foi por essa década que o Estado criou o Projeto Rondon, com estagiários sendo enviados ao interior do País para rápidas soluções. Médicos e Odontos tiveram um campo farto de inocentes criaturas voluntarias a prática dos futuros profissionais, Saíram pelo interior do país arrancando dentes a “doidado”, inclusive os meus!… muitas décadas de dentadura! Ai de mim…

O dentista Armando foi um menino herói no ofício, exercido entre os 17 e 19 anos de idade, muito moço! Onde foi que Armando buscou tais conhecimento para essa prática nem imagino! Não havia redes sociais na época, muito menos o Google ou mesmo essa tal de Inteligência Artificial - IA! A inteligência era viva e ousada, coisas do menino de Baraúnas, filho de Seo Dadinho!; curioso que ele só! atrevido e determinado ser alguém na vida! Queria uma profissão e foi à luta.

Quem sabe tenha tido apoio em alguns de nossos dentistar de então; Dr Brandão, Zé Dentista, Zé Correia ou João dentista? Quem sabe! Qual deles era formado doutor de faculdade? me parece que todos eram práticos!?

Bem, só mesmo Armando nos pode responder mais sobre está sua arriscada aventura, que por um período o fez ser chamado de Armando Dentista, lá no povoado do Arrojado.

Saindo do Arrojado mudou-se para Goiânia, dentista nunca mais! Mas retornou aos estudos, no Colégio Estadual Bom Jesus, no bairro do Palmito, onde enfim concluirá o ginasial até então incompleto.

Em 1970 deu uma virada radical ao se ingressar na vida militar, se tornando Polícia Militar do Estado de Goiás, sendo destacado para trabalhar em diversas cidades do Estado; porém foi na antiga capital, Goiás Velho, onde no exercício das funções militares que concluíra o 2º. Grau e se habilitar a fazer uma faculdade, que era o grande sonho de vida, mas não desistiu deste intento.

Na década de 70 que veio o casamento com Dona Maria Benedita de Oliveira Moreira com quem teve 2 filhos, Gleidson de Oliveira Moreira (1973) e Cleumar de Oliveira Moreira (1974). Hoje vivem a alegria de poder abraçar quatro netos, Mariana, Isabela Alana e Armando Neto, vivendo a paz e os privilégios de suas conquistas. Plantou durante todos esses anos e a farta colheita enfim chegou por tudo que soube, no certo momento semear, com o apoio e o carinho da mulher virtuosa, tomada por esposa, com a qual hoje goza do conforto de todas suas conquistas.

No ano 1976 promove outra mudança de domicílio, indo com a família morar em Inhaúmas, onde atualmente mantém seu domicílio e alí deixou a corporação militar, para tornar-se servidor pública do Estado como servidor do Poder Judiciário; uma visão arretada e futurista, trocar as ruas e quartéis por um gabinete confortável, com hora de trabalho e descanso definidos, obviamente melhor salário, foi uma visão estratégica de mestre.

Deixa a honrosa mas perigosa profissão policial para continuar servindo a justiça sem os riscos grandes fiscos, como o combate a violência; manteve seu domicílio na cidade de Inhaúmas até a atualidade de nossos dias.

Ficou no Poder Judiciário Poder por 18 anos e assim completando o ciclo determinado para aposentadoria que ocorreu justamente no mesmo ano em que concluíra a tão desejada faculdade, no ano de 2000.

Armando Moreira não fugiu a tradição de suas raizes de homem do campo e hoje tem por prazer e curtição de um pecadinho de terra, onde cria umas cabecinhas de boi; onde revive sua saudosa Baraúnas; nas lembranças momentos e ações de como era a vida naquele seu rincão, onde assistia de perto como se fazia requeijão e se deliciava com a raspa do tacho; se fartava com o leite quentinho, do peito da vaca; a coalhada de leite puro; o café da manhã com cuscus e mandioca frita e o beiju de farinha com manteiga de garrafa; coisas que até hoje ele sabe fazee e fez por muitas vezes no seu pedacinho de chão.

O que faltou na vida de Armando deve ter sido muito pouco ou mesmo nada. A Família bem criada cresceu; os sonhos floreceram, e a vida de homem servidor publico é o orgulho da familia; o exemplo de um casamento em harmonia foi passado aos filhos e netos, por modelo impecável… Talvez lhe tenha faltado um engenho com tração a boi, se bem que a modernidade por certo lhe permitiu instalar um moedor de cana elétrico para completar o ciclo da moagem da cana e fazer não só sua rapadura de cana caiana, mas uma boa cachaça. Que vidão abençoado tem pra nos contar Armando Moreira, o menino de Baraúnas. Ao cair da tarde, certamente ao lado de Dona Maria, sentados na varanda, ouvem no curral o mugi do gado, o canto dos pássaros, o barulho da água fresta que corre da bica que nunca seca e no terreiro as galinhas ciscando… a alegria de receber amigos, os filhos e os netos a correr pelo pomar a colher frutos; ou assentados ao lado do vôzão, ouvindo suas histórias … velhas recordações que conta aos netos; seus causos de vida e o seu saudo tempo de menino…

Armando é um vitorioso cidadão, um dedicado e amoroso esposo e pai, que hoje ao aproximar-se dos 80 anos de vida, olha para trás com a consciência do dever cumprimo, dá um leve sorriso como se a expressar nele a sua gratidão ao Divino Pai Eterno pelos caminhos percorridos e as bênçãos recebidas.

Sua poesia é o retrato desta vida no interior, na roça; é a materialização dos seus sonhos sonhados e realizados. E’ a sua dedicação e respeito as pessoas que lhe serviram de referêmcoaos de vida; sua poesia é pura como melado de rapadura; é como um retrato colorido que nos revela a vida na roça… lembranças distantes que o acompanha como fragmentos de saudade de tudo que viveu e vive ao lado da bela familia formada. Armando pode ter saído da roça pra viver a cidade, mas a verdadeé que a roça nunca saiu do seu coração.

CASA da ROÇA
(domínio público)

1819067.jpg

Para completar a alegria de ser um homem realizado, profissionalmente e em meio a família; se orgulha por ter escrito dois livros de poesias; em 2013 o título RAÍZES de CORRENTINA e em 2915 o título TRAVESSIA.

E lá está ele, hoje em Inhumas-GO num pedaço de paraíso onde vivendo e vida interiorana que pediu a Deus.

FanacoS

…netos, alegria em dobro..

1819046.jpg

MEU SERTÃO

Armando Neves Moreira

 

Quando chove sinto

o cheiro de terra molhada

Toda a natureza

é mansamente acariciada.

O astro-rei o Sol

Vem o sertão iluminar

As pastagens nas campinas

crescem livres

Ao sabor do ar

o gado agradecido

Na invernada se põe a berrar.

 

No meu sertão,

não tem luxo, nem vaidade

Tudo é simples diferente da cidade

De manhã meus pés tocam o orvalho

No “trieiro” a andar.

 

A roça produz de tudo,

mas só colhe quem plantar

No banhado tem muita vida,

que beleza de lugar!

 

No meu sertão o sol é mais quente

Terra rachada quem não conhece

Acha que não tá com nada

Engana-se, a terra é fértil

Repare bem quem por ali passar.

 

Produz do arroz à batata

Oferecendo tudo de graça

Basta no mês de agosto

Bloquear a roça e fazer fumaça.

 

Meu sertão é encantado tem valor

e não é valorizado.

Dizem que quem mora na roça

Não trabalha é um folgado.

 

Sou feliz no meu sertão

Mesmo morando na roça.

Eu e minha família

Esperamos cada dia que desabrocha.

Sou sertanejo sim

Sou feliz por morar na roça.

 

 

 1819042.jpg

Esposa & filhos

 

 

A FAMÍLIA

Armando Neves Moreira

O homem pode ter tudo,

e ainda não se se sentir feliz;

mas tendo uma família,

uma esposa virtuosa,

se tornam dignos do amor.

Vem os filhos, os netos,

e descobrem que a vida

valeu a pena.

Orgulha-se de sua caminhada,

sua fé, sua honra

e certamente

tomado de humildade

se pergunta.

Que mais pedir a Deus,

se tudo já me deu!

E o homem vive a vida

com o que tem,

sem querer mais do que tem

pois enfim

conhece que a felicidade

não foi um momento na vida,

mas uma sequência de lutas,

que os fizeram sentir

como cordão de três dobras, minvencíveis.

 

Armando Moreira

 

 

 

ASSIM É MINHA TERRA

Armando Neves Moreira

 

Cidade altaneira

Encravada no Oeste baiano.

É coirmã de Posse

No amigo estado goiano.

Sua memória é perpetuada

Na história, por seus filhos

Altair Sales e Hélverton Baiano.

 

Também as mulheres

Fizeram história em Correntina.

Algumas deixaram esta terra

Pra morar noutra colina.

 

Como as professoras

Tia Anísia e bisa Idalina

Ensinando menino e menina

Com paciência e muito amor

- Que Deus as tenha!

 

Na minha terra

Sua gente é hospitaleira.

O turista que vai às Sete Ilhas

ou Ranchão

Tem atendimento de primeira

Não há quem aqui chegue

E não ame esse chão.

 

Aqui tem Jaime Oliveira

Garantindo boa comunicação.

Tem Flamarion, bem letrado

Para suas histórias narrar.

Tem Guerrinha, com poesia e canção

Para nossa terra encantar.

Na minha terra, no meu torrão

Aqui você pode sonhar

É com orgulho, Correntina

Que seus filhos, posso homenagear.

 

 

 

MEU QUINTAL

Armando Neves Moreira

 

Moro ali bem pertinho na beira do riacho

Lugar abençoado, um presente de Deus

Se quiser ir lá passear

segue a rua de ladeira abaixo

Minha família é pequena

mas é lá que vivo contente.

 

No meu quintal fiz uma casinha

para mim e a mulher

Lá tem arvores pássaros para enfeitar

o pomar e o jardim

Nunca tive nada antes

Agora sou zelador do presente dado a mim.

 

Quem não é feliz em viver num lugar assim?

Cada qual tem sua história para contar

Sou um privilegiado na vida

são tantas vitórias que agradeço a Deus

meu protetor, por me ajudar.

 

A esperança é a última que morre

diz o ditado popular

Eu sempre confiei que meu dia chegaria

Continuei na luta, peguei no batente

Levantei cedo a trabalhar.

- Hoje sou feliz por ter onde morar.

CORRENTINA EM SINTONIA

Armando Neves Moreira

 

Lá no horizonte perto daquele monte

O sol desperta seus raios a iluminar

Vem banhar com sua luz

a bela Correntina

A orquestra começa a tocar

ao amanhecer do dia

São pássaros cantando alegres sua sinfonia.

 

Nos vales as cascatas

Banham com amor a natureza.

Regando as árvores e as flores que vão nascer

No poente o sol vai apagando seu brilho

Para descansar no dia seguinte

O rei nasce, novo dia, vida e prazer.

 

As águas cristalinas

que nascem lá na campina, descem

fazendo remanso e cachoeira

rumo ao mar.

Eu e você, todos nós ouvimos

De manhãzinha os pássaros a gorjear

Uma tarde de primavera,,,

 

No galho da laranjeira canta o sabiá.

Saudades das alvoradas

Embaladas no sonho a sonhar...

Correntina, cidade antiga hoje ainda é menina.

 

Olho a lua cheia no pé da serra

Seu clarão ainda brilha , rosa perfumada

Exala o perfume da madrugada.

Assim nos meus braços embalo

a saudade adormecida!

Como é linda nossa terra, bendita Correntina!

 

Amo a noite, admiro o dia

de manhã é harmonia

Oro a Deus e de mãos dadas grito

viva Correntina que é Bahia.VIVA!!!

 

Bois atravessando a cidade… 

  1819069.jpg

 

 

VAQUEIRO

Armando Neves Moreira

 

Tenho saudades do meu sertão

Vaqueiros vestidos de perneira e gibão

Roubas feitas de couro, do mateiro

Enfrenta sol e chuva, arranha gato

Mas toca gado o dia inteiro.

 

Lá no sertão dos gerais é sofrido

Mas é divertido mesmo sem dinheiro.

A alegria vai das matas para os gerais

Onde o capim cresce rasteiro.

Marca o dia de viajar, gado berra

Da saudade, vaqueiro começa aboiar.

EI... EI... BOI!!! EI...Arruma as traias,

empurra o gado toca berrante começa a viaje.

 

Gado cansado, cavalo estropiado

Mas tem que chegar

Vaqueiro toca o gado, viaja dia inteiro

Tem pressa para descansar.

No meu sertão tinha de tudo

Muita coisa não tem mais

Compraram o agreste expulsaram os donos...

 

Tomarem os gerais

Não tem mais arribada, acabou,

O gado não sobe mais.

 

Vaqueiro pendurou o berrante

Aposentou a espora.

Cadê os profissionais?

Raramente tem boiada subindo

Só saudade dos tempos de atrás.

 

Tempo bom já foi, não volta mais

Hoje só saudade!

Fazendeiros têm novos estilos

Vivem SOS na cidade

Não tem mais vaqueiro

Não querem dificuldades

Uns são velhos cansados.

 

Outros já foram e os jovens a mocidade

O tempo não volta mais

Acabou-se os vaqueiros

- Ficaram tristes os gerais.

Foto domínio público

1817831.jpg

O Pau de arara

PEDRO GUERRA

Armando Neves Moreira

 1819050.jpg

Ah, queria eu saber a experiência de toda a terra

Sentar em um banco

E conversar com Pedro Guerra

Pedro filho de sabedoria,

saber que impera

Homem informado

forte nascido em outra era

Calmo, tranquilo, decidido

Tirando do sério, era fera.

 

Pedro, competente,

inteligente não era doutor

Farmacêutico que entendia de tudo

faculdade não cursou

Dentro do seu trabalho

era sábio e professor

Raramente ficava parado

fizesse frio ou calor

 

Seo Pedro teve garra

e seus filhos ele formou.

Grande amigo

de grande seriedade

Homem imbatível

muito fez pela cidade.

Ancião respeitado e admirado

Raramente falava

temente a Deus e caridoso

Realista nas decisões

amante da verdade

Humilde e cauteloso.

 

Homenageio você e sua alma gêmea

Dona Rodesina (sinhá)

ambos tendo partido

Saudades dos parentes e amigos

Ainda se fazem presente

na memória dos conhecidos.

Pedro Guerra & Rodesina
afilhada Carmem Araújo Esposo Mascilon

 1819051.jpg

 

 

 

Flamarion Costa e Selma Coqueiro
Enviado por Flamarion Costa em 22/06/2026
Alterado em 25/07/2026
Comentários